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Helicóptero ajuda a salvar área verde
Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC
05/11/2006 | 21:44
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Do alto, mesmo as casas luxuosas com piscinas e quadras de esporte parecem pequenas aos olhos dos fiscais do Semasa. Os barracos feitos em madeira ou troncos de árvore, então, quase não aparecem no mapa que envolve 16 km² ao redor da represa Billings. Mesmo assim, a fiscalização aérea imposta pela prefeitura de Santo André em sua região de mananciais permanece colhendo bons resultados. Semana passada, um vôo identificou uma moradia clandestina, encravada no Parque do Pedroso. O Diário acompanhou a descoberta e toda a operação realizada para a destruição do barraco. Um trabalho rápido, em defesa da natureza.

Como faz a cada 15 dias, o piloto de helicóptero Ricardo Martinez guiou a tripulação de fiscais rumo a área de jurisdição do Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André para tentar visualizar novos pontos de ocupação. O trabalho é realizado há sete anos e atinge uma área que compõe 55% de todo o território da cidade e envolve, também, o núcleo de Paranapiacaba. O encarregado da fiscalização, Luiz Fernando Belletato, explica que a intenção é congelar os trechos que já estão ocupados e impedir (com uso da força física, se preciso) a invasão de novas terras de mananciais.

"Há muitas irregularidades nessa região. Além das construções ilegais, há corte de árvores, roubo de vegetação nativa, caça de animais silvestres e descarte de carcaças de veículos e corpos. É difícil controlar. Se não fosse esse trabalho de fiscalização, certamente teríamos um número muito maior de ocorrências por aqui", afirma.

Desde 1999, porém, a quantidade de pessoas que vivem nas áreas de mananciais de Santo André não diminuiu, pelo contrário. Atualmente, há 23.250 habitantes cadastrados pelo Semasa somente ao redor da Billings. Em 2000, eram cerca de 20 mil. Na maioria das moradias, a falta de estrutura e saneamento básico gera conseqüências pouco fiscalizadas, como o despejo de esgoto in natura nas águas da represa.

"O número é grande, sim, mas posso garantir que já conseguimos impedir mais de 200 invasões nesse período de trabalho. Além dos vôos, fazemos a fiscalização terrestre diária, com duas viaturas, um barco e quatro fiscais", conta Belletato.

Assim que uma nova construção é identificada pelo alto, os fiscais que atuam em terra são acionados via rádio e iniciam um planejamento que inclui a Polícia Rural e a Guarda Municipal de Santo André. "O apoio é essencial para nossa ação. Não podemos entrar na mata sem proteção policial porque nunca sabemos o que podemos encontrar pela frente.

Quem sabe se o tal barraco visto pelo helicóptero não é um local usado para cativeiro ou ponto de caça? Isso já aconteceu", diz o fiscal Abinadabe Belmiro Florêncio.

À frente da operação, Florêncio revela que os invasores sabem que são fiscalizados, mas desrespeitam a lei por falta de consciência ou melhores condições de vida. "Grande parte deles nos pede para não destruir o barraco erguido, às vezes, com troncos de árvores nativas da região. Alguns chegam a colocar uma placa com a desculpa de que o local serve para oração ou meditação religiosa", revela.

Mas o apelo de nada vale. No dia em que a reportagem acompanhou a ação dos fiscais do Semasa, quatro funcionários colocaram abaixo o barraco encontrado no meio da mata do Pedroso. Apesar da dificuldade de acesso, a operação foi bem-sucedida e o barraco tirado do mapa de fiscalização da Prefeitura. O local entrou na estatística municipal, que tem a média de cinco construções irregulares derrubadas por mês.



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