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De Luís Pereira a Ricardo Goulart, os craques que vestiram a camisa


Anderson Fattori
Dérek Bittencourt
Marcelo Argachoy
Especial para o Diário

17/09/2017 | 07:00


Centenas de atletas vestiram a camisa do Santo André. Alguns se destacam pela longa permanência no clube, como o meia Arnaldinho (1977 a 1987), que com 470 jogos é o recordista, outros por emprestar a experiência em momentos de afirmação da equipe, como Luís Pereira (1986 a 1988), um dos grandes zagueiros do Brasil, e Wladimir (1986), lateral é ídolo no Corinthians.

Entre os preferidos dos torcedores estão aqueles que conseguiram criar identidade com o clube, casos dos volantes Rotta (1983 a 1984 e de 1986 a 1987) e Ramalho (1997 a 2007 e 2013 a 2015) e do goleiro Julio César (2003 a 2006 e 2009 a 2010).

“Meu contrato com o Juventus estava acabando em 2002 e tive proposta do Flamengo. Sempre fui flamenguista. Mas o Sérgio Soares tinha acertado com o Santo André, me ligou e falou se tinha interesse. Concordei, sempre ouvi falar bem. Mas nunca imaginei que se tornaria laço tão forte”, revelou o ex-arqueiro.

Torcedores mais antigos lembram com carinho de Tonho, Robertão, Celso Cachimbo, Fernandinho, Bona, Elcio, Gaúcho, Esquerdinha, Ivanzinho, Lance, Mazolinha e Tulica. Um pouco mais recente, de Maurício, Bigu, Roberto Ramos, Jorginho, Jajá, Sandro Gaúcho, Da Guia, Dedimar, Sérgio Soares, Fernando e Elvis. Na última década, as referência são Marcelinho Carioca, Branquinho, Bruno César, Gil, Rodriguinho, Neneca, Cicinho e Nunes, entre muitos outros.

REVELAÇÕES

A base ramalhina, que está nos planos de ser revitalizada para servir ao profissional e fortalecer os cofres do clube, lapidou grandes talentos, sobretudo a partir dos anos 2000. São os casos de Júnior Costa, Júnior Caiçara, Pará, Alex Bruno, Cesinha, Willians, Richarlyson, Adauto, Tássio, Maikon Leite e Júnior Dutra. Destaques para Vitor Hugo e Ricardo Goulart, que integraram o elenco vice-campeão paulista ramalhino e chegaram à Seleção Brasileira. Enquanto o zagueiro foi campeão brasileiro e da Copa do Brasil pelo Palmeiras e está na Fiorentina, da Itália, o atacante foi bicampeão nacional pelo Cruzeiro e atua no futebol chinês.

ESTRANGEIROS

Alguns gringos merecem menção, sobretudo pela boa relação com a torcida, como o boliviano Pablo Escobar e o argentino Mário Jara. Já os também hermanos Mariano Torres e Trípodi tiveram passagens discretas.

Loucos, apaixonados, ramalhinos

Em 50 anos de Santo André, o que não falta são histórias entre torcedores. E o clube pode se orgulhar de ter torcida fanática que, de fato, tem o Ramalhão como a única paixão futebolística. “Você pode trocar de carro, de casa, mas nunca de time de futebol”, conta Eduardo Braghirolli, o Esquerdinha, um dos mais icônicos torcedores da equipe.

São mais de 1.000 jogos em todos os cantos do Brasil e da América do Sul na conta para Esquerdinha, que se orgulha em dizer que foi o único torcedor ramalhino que topou enfrentar 27h de viagem para acompanhar o time na partida contra o Cerro Porteño, no Paraguai, pela Libertadores de 2005. “Me chamaram de louco, falaram que eu ia morrer, mas não me importei”, diz o torcedor, 54 anos.

Reconhecido por suas fantasias feitas por ele mesmo, Esquerdinha irá comemorar o aniversário do Santo André do seu jeito. “Vou espalhar 50 faixas pela cidade, pelos 50 anos do time”, prometeu o torcedor, que vai confeccionar o material.

Já Mauricio Noznica, 39, inovou na forma de incentivar o clube do coração. Ao se unir com outros quatro amigos e torcedores do Santo André, surgiu a banda de rock Visitantes, que já lançou dois discos com canções dedicadas ao Ramalhão.

“Usamos a música para contar histórias da arquibancada e de personagens do Santo André”, explica Noznica. No dia 30 de setembro, a banda fará parte da festa em comemoração ao aniversário do time tocando pela primeira vez versões acústicas de suas músicas.

Entre as torcidas organizadas, a mais antiga é a TUDA (Torcida Uniformizada Dragão Andreense), que completa 36 anos na quarta-feira. E seu presidente, Ovídio Simpionato, 63, também tem lugar marcado entre os torcedores mais icônicos do Santo André. O que hoje é paixão começou com visita despretensiosa a Catanduva, na final da Série A-2 do Paulista de 1975.

“Nem gostava direito de futebol, mas fui ver um jogo entre Catanduvense e Santo André, um 0 a 0 sem muitas emoções”, relembra Ovídio, que também marcou presença no jogo de volta, no Estádio Bruno Daniel, quando o Ramalhão foi campeão.

Desde então, o torcedor acompanhou mais de 800 partidas, citando algumas inesquecíveis como o empate heroico por 4 a 4 contra o Palmeiras na Copa do Brasil de 2004 e o título do Paulista da Segunda Divisão em 1981, contra o XV de Piracicaba. 



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