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O título não é paulista

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin conhece como poucos o jogo político


Carlos Brickmann

07/05/2008 | 00:00


O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin conhece como poucos o jogo político: sabe que, se fizer uma composição com o governador José Serra e desistir da Prefeitura paulistana, provavelmente o prefeito Gilberto Kassab, do mesmo grupo, será reeleito. E Alckmin será candidato ao governo, dentro de dois anos, com apoio do prefeito, do vice de Serra, que será governador em exercício, e do próprio Serra, candidato à Presidência. Não poderá ser traído: Serra precisa de um nome forte para o governo, um nome que reforce sua candidatura.

Por que, então, Alckmin insiste na disputa, sabendo que não terá o apoio do governador Serra, que terá de enfrentar o prefeito Kassab em sua tentativa de reeleição, que seu próprio partido, o PSDB, está desunido, e que Marta Suplicy, dona de invejável capital eleitoral, pode levar o PT de volta à Prefeitura?

O que vem a seguir não é informação, mas reflexão. A resposta possível é só uma: o objetivo de Alckmin não é ganhar as eleições, mas enfraquecer José Serra. Com isso, fortalece o principal concorrente de Serra dentro do partido, o governador mineiro Aécio Neves, também candidato à Presidência, mas até agora minoritário no PSDB. Aécio, aliás, é quem tem dado mais suporte político a Alckmin no grande ninho tucano. Alckmin, sacrificando-se agora por ele, teria seus esforços reconhecidos numa eventual presidência de Aécio. Tudo bem; mas falta combinar com Lula. Se ele sai candidato, seja lá de que jeito for, tudo indica que seus adversários se contentarão com o segundo lugar.

Terceiro tempo
O presidente Lula desmente, diz que não quer, o presidente da Câmara diz que não encaminha projeto nesse sentido, mas a idéia de um terceiro mandato continua viva. A idéia é levar a população a manifestar-se em favor da nova reeleição; em seguida, seria convocado o plebiscito, sob a alegação de que a essência da democracia é ouvir a voz do povo. E teríamos Lula pela terceira vez.

Reclamar, que há de?
Os tucanos vão, claro, protestar contra a permissão de mais um mandato. Mas não podem falar muito: foram eles que mudaram a Constituição para permitir que Fernando Henrique Cardoso se reelegesse.

Seu dia chegará
Quem proclamou Geraldo Alckmin candidato, contra a opinião do governador José Serra e os defensores da aliança com o DEM, foi o presidente do diretório municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo. Apenas como recordação: no governo José Serra, a diretora de marcas da TV Cultura, Tatiana Lobo, foi demitida. A Cultura é ligada ao Estado. Tatiana é filha de José Henrique Reis Lobo.

Dia D - D de Dilma
Nesta quarta-feira o clima depende da oposição: se estiver aguerrida, teremos uma tarde quente no Senado, onde a ministra Dilma Rousseff depõe na Comissão de Infra-Estrutura. Pelo roteiro, ela tentará falar sobre o PAC, e os senadores oposicionistas perguntarão sobre o dossiê dos gastos da Presidência de Fernando Henrique Cardoso. Ainda pelo roteiro, Dilma dará respostas a tudo, mas de maneira genérica - algo do tipo ‘o assunto está sendo investigado pelas autoridades e tão logo tenhamos maiores informações serão transmitidas a Vossas Excelências'. Mas pode ser que algum oposicionista mais exaltado tente atingir a blindagem da ministra. Nesse caso, a tropa de choque situacionista estará a postos para intervir.

Hora certa
Um trecho passou despercebido no discurso em que o presidente da República pediu aos consumidores que se comportem como Fiscais do Lula, denunciando os aumentos da gasolina nas bombas. Lula disse que seria absurdo aumentar a gasolina num ano eleitoral. Então, esperemos: a ordenha será após as eleições.



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O título não é paulista

O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin conhece como poucos o jogo político

Carlos Brickmann

07/05/2008 | 00:00


O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin conhece como poucos o jogo político: sabe que, se fizer uma composição com o governador José Serra e desistir da Prefeitura paulistana, provavelmente o prefeito Gilberto Kassab, do mesmo grupo, será reeleito. E Alckmin será candidato ao governo, dentro de dois anos, com apoio do prefeito, do vice de Serra, que será governador em exercício, e do próprio Serra, candidato à Presidência. Não poderá ser traído: Serra precisa de um nome forte para o governo, um nome que reforce sua candidatura.

Por que, então, Alckmin insiste na disputa, sabendo que não terá o apoio do governador Serra, que terá de enfrentar o prefeito Kassab em sua tentativa de reeleição, que seu próprio partido, o PSDB, está desunido, e que Marta Suplicy, dona de invejável capital eleitoral, pode levar o PT de volta à Prefeitura?

O que vem a seguir não é informação, mas reflexão. A resposta possível é só uma: o objetivo de Alckmin não é ganhar as eleições, mas enfraquecer José Serra. Com isso, fortalece o principal concorrente de Serra dentro do partido, o governador mineiro Aécio Neves, também candidato à Presidência, mas até agora minoritário no PSDB. Aécio, aliás, é quem tem dado mais suporte político a Alckmin no grande ninho tucano. Alckmin, sacrificando-se agora por ele, teria seus esforços reconhecidos numa eventual presidência de Aécio. Tudo bem; mas falta combinar com Lula. Se ele sai candidato, seja lá de que jeito for, tudo indica que seus adversários se contentarão com o segundo lugar.

Terceiro tempo
O presidente Lula desmente, diz que não quer, o presidente da Câmara diz que não encaminha projeto nesse sentido, mas a idéia de um terceiro mandato continua viva. A idéia é levar a população a manifestar-se em favor da nova reeleição; em seguida, seria convocado o plebiscito, sob a alegação de que a essência da democracia é ouvir a voz do povo. E teríamos Lula pela terceira vez.

Reclamar, que há de?
Os tucanos vão, claro, protestar contra a permissão de mais um mandato. Mas não podem falar muito: foram eles que mudaram a Constituição para permitir que Fernando Henrique Cardoso se reelegesse.

Seu dia chegará
Quem proclamou Geraldo Alckmin candidato, contra a opinião do governador José Serra e os defensores da aliança com o DEM, foi o presidente do diretório municipal do PSDB, José Henrique Reis Lobo. Apenas como recordação: no governo José Serra, a diretora de marcas da TV Cultura, Tatiana Lobo, foi demitida. A Cultura é ligada ao Estado. Tatiana é filha de José Henrique Reis Lobo.

Dia D - D de Dilma
Nesta quarta-feira o clima depende da oposição: se estiver aguerrida, teremos uma tarde quente no Senado, onde a ministra Dilma Rousseff depõe na Comissão de Infra-Estrutura. Pelo roteiro, ela tentará falar sobre o PAC, e os senadores oposicionistas perguntarão sobre o dossiê dos gastos da Presidência de Fernando Henrique Cardoso. Ainda pelo roteiro, Dilma dará respostas a tudo, mas de maneira genérica - algo do tipo ‘o assunto está sendo investigado pelas autoridades e tão logo tenhamos maiores informações serão transmitidas a Vossas Excelências'. Mas pode ser que algum oposicionista mais exaltado tente atingir a blindagem da ministra. Nesse caso, a tropa de choque situacionista estará a postos para intervir.

Hora certa
Um trecho passou despercebido no discurso em que o presidente da República pediu aos consumidores que se comportem como Fiscais do Lula, denunciando os aumentos da gasolina nas bombas. Lula disse que seria absurdo aumentar a gasolina num ano eleitoral. Então, esperemos: a ordenha será após as eleições.

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