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Em crise sob gestão Dilma, Grande ABC fica com pé atrás sobre eventual governo Temer

Fotos Públicas/ Divulgação  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Vitória Rocha
Especial para o Diário

01/05/2016 | 07:00


Empresários, sindicalistas e economistas do Grande ABC divergem sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), mas convergem em dizer que eventual governo de Michel Temer (PMDB) começará carregado de desconfiança. Sindicatos avaliam que o peemedebista promoverá caça de benefícios sociais e ganhos trabalhistas. A classe empresarial entende que com Temer há esperança para o Brasil sair da crise. E especialistas apontam que, independentemente da figura a liderar o País, é necessário haver revisão da política econômica brasileira.

Quarto maior PIB (Produto Interno Bruto) do País, o Grande ABC vê seus números econômicos ficarem mais tímidos a cada dia do governo Dilma. São quase 24 mil trabalhadores em lay-off (suspensão temporária do contrato) ou inscritos no PPE (Programa de Proteção ao Emprego), com redução na jornada de trabalho e do salário. A inflação de quase dois dígitos corrói a renda da população local. Porém, ainda há resistência quanto a um eventual governo Temer.

Segundo o economista e professor da Universidade Metodista de São Paulo Sandro Maskio, o ajuste fiscal proposto como uma das principais medidas de Temer é necessário, apesar de duro. “Independentemente de quem fique, seja Temer ou Dilma, há a necessidade de se fazer o ajuste fiscal porque você não pode gastar mais do que você tem”, analisa Maskio, que prevê tempos difíceis. “Sem dúvida o desemprego pode se agravar. Quando você tem uma política fiscal que vai reequilibrar as contas, você vai, na prática, desacelerar a economia.”

DIVERGÊNCIAS
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques (PT), o plano do PMDB para o Brasil representa ameaça aos direitos trabalhistas conquistados ao longo dos anos. “O Temer tem feito discussão muito próxima do setor empresarial mais atrasado, não mais progressista, que tem como símbolo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e sabemos que esses empresários têm como bandeiras flexibilizar a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), mudar o sistema de horas extras, implementar a reforma da previdência e aprovar a terceirização. Nesse sentido, se o governo Temer significa a implementação dessa agenda, o Grande ABC perderá muito.”

A classe empresarial aponta que o Brasil “precisa de mudanças” e que, mesmo com desconfiança, o governo Temer é o melhor caminho. É o que pensa o presidente da Acisa (Associação Comercial de Santo André), Evenson Dotto. “Hoje o governo não consegue fazer as coisas, a economia está parada. O novo governo tem de cortar o custo da máquina pública e usar o dinheiro para investir para fazer girar a economia de novo. O que mais interessa é que mude a confiança para que tudo comece a andar.”

Já o líder do Sindicato dos Bancários, Belmiro Moreira, e o dirigente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bernardo e Diadema), Admilson de Oliveira, acreditam em deterioração da economia com Temer. “Tende a piorar para o setor (da construção civil) porque já vinham sendo poucos investimentos para programas sociais nesse segundo mandato da Dilma”, disse Admilson.

Os representantes da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, e da ACE Diadema (Associação Comercial e Empresarial de Diadema), Vera Lucia Rocha, contrariam os sindicalistas. “No Grande ABC, esperamos ajustes fiscais, porém, sem aumento de impostos, para que as indústrias voltem a ter a segurança para manter os investimentos previstos e apostar em novos”, pontuou Vera.

Símbolo da queda, Ciesp cita esperança

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) se tornou o símbolo empresarial que defende a queda da presidente Dilma Rousseff (PT). E os dirigentes regionais do setor industrial paulista corroboram com a Fiesp sobre eventual governo de Michel Temer (PMDB), embora ainda falem sobre desconfiança caso o peemedebista chegue ao poder.

O diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em São Bernardo, Mauro Miaguti (DEM), e o dirigente da organização de Mauá, Santo André, Rio Grande e Ribeirão, Emanuel Teixeira, disseram acreditar na nova administração como saída possível da crise. “A primeira coisa a ser feita é retomar o discurso que o PMDB fez sobre a redução dos custos internos, diminuir o número de ministérios, de cargos comissionados. Você tem de dar o exemplo, no sentido de cortar os gastos, para depois exigir da população certo sacrifício. O ajuste fiscal não vem para diminuir os impostos, mas para aumentar a contribuição”, avaliou Miaguti.

Para o líder da entidade em Diadema, Donizete Duarte, um eventual governo de Temer seria apenas um “tampão”. “Vai existir até o momento em que se possa recompor o cenário político brasileiro para que, então, se possa conduzir de forma melhor as questões políticas e econômicas do País. O outro lado que nós temos é que acreditamos com firmeza que a postura do governo Temer seja favorável à conciliação. Esperamos ter um ambiente mais propício para o diálogo do governo federal com a região”.

PESQUISA
Último levantamento feito pelo DGABC Pesquisas sobre o impeachment de Dilma, realizado em dezembro, mostrou que 64% dos moradores das sete cidades querem a saída da petista. Entretanto, 58,4% dos munícipes avaliaram que se Temer chegar ao poder a crise econômica continuará.



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Em crise sob gestão Dilma, Grande ABC fica com pé atrás sobre eventual governo Temer

Vitória Rocha
Especial para o Diário

01/05/2016 | 07:00


Empresários, sindicalistas e economistas do Grande ABC divergem sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), mas convergem em dizer que eventual governo de Michel Temer (PMDB) começará carregado de desconfiança. Sindicatos avaliam que o peemedebista promoverá caça de benefícios sociais e ganhos trabalhistas. A classe empresarial entende que com Temer há esperança para o Brasil sair da crise. E especialistas apontam que, independentemente da figura a liderar o País, é necessário haver revisão da política econômica brasileira.

Quarto maior PIB (Produto Interno Bruto) do País, o Grande ABC vê seus números econômicos ficarem mais tímidos a cada dia do governo Dilma. São quase 24 mil trabalhadores em lay-off (suspensão temporária do contrato) ou inscritos no PPE (Programa de Proteção ao Emprego), com redução na jornada de trabalho e do salário. A inflação de quase dois dígitos corrói a renda da população local. Porém, ainda há resistência quanto a um eventual governo Temer.

Segundo o economista e professor da Universidade Metodista de São Paulo Sandro Maskio, o ajuste fiscal proposto como uma das principais medidas de Temer é necessário, apesar de duro. “Independentemente de quem fique, seja Temer ou Dilma, há a necessidade de se fazer o ajuste fiscal porque você não pode gastar mais do que você tem”, analisa Maskio, que prevê tempos difíceis. “Sem dúvida o desemprego pode se agravar. Quando você tem uma política fiscal que vai reequilibrar as contas, você vai, na prática, desacelerar a economia.”

DIVERGÊNCIAS
Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques (PT), o plano do PMDB para o Brasil representa ameaça aos direitos trabalhistas conquistados ao longo dos anos. “O Temer tem feito discussão muito próxima do setor empresarial mais atrasado, não mais progressista, que tem como símbolo a Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), e sabemos que esses empresários têm como bandeiras flexibilizar a CLT (Consolidação das Leis de Trabalho), mudar o sistema de horas extras, implementar a reforma da previdência e aprovar a terceirização. Nesse sentido, se o governo Temer significa a implementação dessa agenda, o Grande ABC perderá muito.”

A classe empresarial aponta que o Brasil “precisa de mudanças” e que, mesmo com desconfiança, o governo Temer é o melhor caminho. É o que pensa o presidente da Acisa (Associação Comercial de Santo André), Evenson Dotto. “Hoje o governo não consegue fazer as coisas, a economia está parada. O novo governo tem de cortar o custo da máquina pública e usar o dinheiro para investir para fazer girar a economia de novo. O que mais interessa é que mude a confiança para que tudo comece a andar.”

Já o líder do Sindicato dos Bancários, Belmiro Moreira, e o dirigente do Sintracom (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bernardo e Diadema), Admilson de Oliveira, acreditam em deterioração da economia com Temer. “Tende a piorar para o setor (da construção civil) porque já vinham sendo poucos investimentos para programas sociais nesse segundo mandato da Dilma”, disse Admilson.

Os representantes da Acisbec (Associação Comercial e Industrial de São Bernardo), Valter Moura, e da ACE Diadema (Associação Comercial e Empresarial de Diadema), Vera Lucia Rocha, contrariam os sindicalistas. “No Grande ABC, esperamos ajustes fiscais, porém, sem aumento de impostos, para que as indústrias voltem a ter a segurança para manter os investimentos previstos e apostar em novos”, pontuou Vera.

Símbolo da queda, Ciesp cita esperança

A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) se tornou o símbolo empresarial que defende a queda da presidente Dilma Rousseff (PT). E os dirigentes regionais do setor industrial paulista corroboram com a Fiesp sobre eventual governo de Michel Temer (PMDB), embora ainda falem sobre desconfiança caso o peemedebista chegue ao poder.

O diretor do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) em São Bernardo, Mauro Miaguti (DEM), e o dirigente da organização de Mauá, Santo André, Rio Grande e Ribeirão, Emanuel Teixeira, disseram acreditar na nova administração como saída possível da crise. “A primeira coisa a ser feita é retomar o discurso que o PMDB fez sobre a redução dos custos internos, diminuir o número de ministérios, de cargos comissionados. Você tem de dar o exemplo, no sentido de cortar os gastos, para depois exigir da população certo sacrifício. O ajuste fiscal não vem para diminuir os impostos, mas para aumentar a contribuição”, avaliou Miaguti.

Para o líder da entidade em Diadema, Donizete Duarte, um eventual governo de Temer seria apenas um “tampão”. “Vai existir até o momento em que se possa recompor o cenário político brasileiro para que, então, se possa conduzir de forma melhor as questões políticas e econômicas do País. O outro lado que nós temos é que acreditamos com firmeza que a postura do governo Temer seja favorável à conciliação. Esperamos ter um ambiente mais propício para o diálogo do governo federal com a região”.

PESQUISA
Último levantamento feito pelo DGABC Pesquisas sobre o impeachment de Dilma, realizado em dezembro, mostrou que 64% dos moradores das sete cidades querem a saída da petista. Entretanto, 58,4% dos munícipes avaliaram que se Temer chegar ao poder a crise econômica continuará.

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