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Esporte que muda vidas

André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Bianca Barbosa

09/07/2018 | 07:39


“Você é capaz de fazer tudo o que quiser.” Esta é a frase que a diarista Maria Natália Soares de Oliveira, 57 anos, repete todos os dias para a filha Sophia, 13. A menina, que nasceu com síndrome de Down, é exemplo de simpatia e faz amizade com muita facilidade. Dois minutos perto dela já são suficientes para arrancar sorriso do rosto das pessoas. Dentre as atividades que mais gosta de fazer estão as aulas de natação no Centro de Formação Esportiva do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro).

“Quando vi o projeto, achei oportunidade única. Ela falou que ia nadar e ganhar medalhas”, contou a mãe. Sophia gosta tanto de praticar o esporte que não pode nem ouvir falar em faltar. “Achei que ela ficou ainda mais esperta quando começou nas aulas. Ajudou muito na conscientização, a fazer dieta, pois ela está um pouco acima do peso, na coordenação motora e no equilíbrio, que melhoraram muito.”

Sophia é uma dos nove alunos da rede pública de Ribeirão Pires que participam da parceria entre o CPB e cidades da região. O projeto conta também com 33 crianças de Diadema, 27 de Santo André e 12 de São Bernardo.

Em Santo André, destaca-se o esperto Gabriel, 10, que, apesar de fazer aulas de vôlei no centro, pretende ser bombeiro ou policial. Quando questionado sobre a vida de atleta profissional, foi enfático: “Só não quero ser jogador de futebol, porque o Neymar apanha muito nos jogos, não quero apanhar também”, disse, bem-humorado. A mãe, Katiana de Lima Dias, 34, que está desempregada, acompanha o filho nas aulas duas vezes por semana. “O treinamento ajudou muito na vida social e no comportamento dele. Gabriel tem deficiência intelectual e hiperativismo. Só quero que ele cresça bem e feliz.”

O treinamento é composto por oito modalidades paraolímpicas: bocha, atletismo, natação, vôlei sentado, judô, tênis de mesa, goalball e futebol de cinco. Os alunos têm aulas de iniciação esportiva e fazem testes de avaliação física e classificação funcional para verificar sua evolução em cada esporte.

Apesar das deficiências diferentes, que podem ser físicas, intelectuais, visuais ou múltiplas, os alunos participam de turmas mistas, como explica o coordenador do CPB, Filipe Barboza. “Os treinos são feitos de acordo com cada limitação dos alunos, só que não há diferenciação por conta das deficiências, nossas turmas são mistas. A gente tenta fazer com que eles experimentem todas as atividades, mesmo que não tenham aptidão ou não gostem da modalidade, para saber como é.”

BENEFÍCIOS
O programa, segundo Barboza, costuma elevar a autoestima dos alunos. “Cada dia recebo um feedback diferente, de aluno amputado que antes só usava calça e hoje vive de bermuda porque está com a autoestima melhor, e a gente se emociona.”

Entre os inúmeros benefícios do esporte na vida das crianças, o neurologista da infância e juventude Rubens Wajnsztejn destaca os desenvolvimentos físico, cognitivo e psíquico. “Pode possibilitar oportunidades na melhora da adaptação, reabilitação e superação diante das dificuldades ou inabilidades físicas e sensórias, sejam elas hereditárias, genéticas ou adquiridas.”

A neuropsicóloga Alessandra Bernardes Caturani completa que, além do aprimoramento físico que o esporte traz, “também pode promover inserção, inclusão social e, principalmente, o sentimento de pertencimento junto aos seus pares na sociedade, mobilizando na vida sentido de metas contínuas e progressivas tanto no aspecto pessoal, de autoestima e do seu protagonismo no contexto familiar e social.”

Apesar de os alunos serem os principais beneficiados, Barboza afirma que todo dia presencia uma lição de vida. “Vemos que todo mundo tem problemas, e sempre tem alguém com um problema maior que o nosso. Mesmo assim, as pessoas conseguem se superar, praticar atividade física, e se locomover, com todas as dificuldades e falta de acessibilidade do nosso País.” O esforço é grande, mas a força de vontade das crianças é ainda maior.

Projeto foi criado para ser primeiro contato do jovem ao esporte adaptado

Segundo o presidente do CPB, Mizael Conrado, o projeto foi criado a fim de cumprir o papel de ser o primeiro contato do jovem com deficiência ao esporte adaptado. “Este projeto, especificamente, é bastante recente, mas, por meio dele, diversos jovens atletas terão a oportunidade de preparar-se para as Paraolimpíadas Escolares – evento que é o principal celeiro de promessas do Comitê Paralímpico Brasileiro e já revelou nomes como Alan Fonteles, Lorena Spoladore e Petrúcio Ferreira (todos medalhistas paraolímpicos).” 

Conrado contou que do Centro de Formação já saiu Victor Almeida, 10 anos, selecionado pelo técnico de natação do CPB, após apenas duas semanas, para integrar equipe de base do centro de referência da modalidade. O programa atende crianças e adolescentes de 10 a 17 anos que estudem na rede pública das cidades parceiras. O CBP disponibiliza lanche e transporte, e as aulas são oferecidas duas vezes por semana.

A gerente de educação inclusiva de Santo André, Sandramara Gerbelli, foi a responsável por pesquisar e conhecer a parceria. “A gente vive procurando projetos como esses. Acreditamos muito nas políticas públicas para pessoas com deficiência. A Educação é uma fatia de todas as coisas que eles precisam. Antes da deficiência, a gente enxerga a pessoa, e ela precisa de muitas coisas na vida, como Cultura, Saúde, lazer, Esporte.” Entre as qualidades do programa, ela destacou a autonomia.

Diadema, parceira com o maior número de crianças, concorda. “O mais importante da parceria é notar a evolução dos alunos e ver a nítida alegria em participar do projeto. É uma chance de convívio social, de praticar modalidades esportivas e de abrir espaço para oportunidades de trabalho futuramente. Gostaria de agradecer ao Centro Paralímpico Brasileiro, que vem mudando a vida dessas crianças e adolescentes”, destacou a secretária de Assistência Social e Cidadania do município, Caroline Rocha. <TL>



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