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Comércios não essenciais tentam driblar a quarentena

Celso Luiz/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Justificativa de lojistas é que funcionam para minimizar prejuízos; demissões viram realidade


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

23/05/2020 | 23:02


Em meio à quarentena ocasionada pelo novo coronavírus e que completa dois meses hoje, comércios do Grande ABC tentam driblar o decreto estadual a fim de minimizar prejuízos. Na última semana, a equipe do Diário percorreu ruas comerciais em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá e observou estabelecimentos considerados não essenciais trabalhando normalmente ou à meia porta.

Na Rua Coronel Oliveira Lima, no Centro de Santo André, algumas lojas de variedades, roupas e acessórios para celular estavam funcionando, seja atendendo a clientela na porta ou controlando a entrada das pessoas. A reportagem verificou que o movimento de consumidores era intenso no início da tarde de quinta-feira, chegando a formar filas na porta de locais abertos. Contudo, o distanciamento entre eles era mantido e o uso de máscaras também era frequente.
Gerente de loja de roupas instalada no calçadão, que falou sob anonimato, contou que as atividades voltaram na semana passada. Entretanto, desde o início da quarentena, quatro de seis vendedores foram demitidos, fora um caixa e um fiscal de loja. Todo atendimento é feito em balcão instalado na porta, com uso de máscara e disponibilização de álcool em gel para os clientes. Além de retirar as compras feitas pelo WhatsApp, também é possível escolher os produtos presencialmente.

“Quando o governo do Estado falou que ia flexibilizar, o proprietário esperou mais um pouco, mas, no fim, teve que reabrir de qualquer maneira porque a mercadoria está parada, o aluguel e a conta de luz vêm”, destacou. O objetivo é reduzir as perdas, porém, o fluxo diário não chega a 10% do que era antes da pandemia. “O que é triste é que estamos trabalhando honestamente, mas quando passa a fiscalização, parece que estamos roubando e temos que nos esconder”, lamentou.

Em São Bernardo, nas ruas Jurubatuba e Marechal Deodoro, no Centro, a reportagem encontrou lojas de móveis e colchões divulgando atendimento presencial com hora marcada, o que não é permitido pelo decreto estadual. Outros segmentos, como vestuário e calçados, se arriscavam com portas semiabertas. Proprietária de uma loja de roupas, que pediu sigilo, relatou que voltou a vender desde 8 de maio, quando o governador João Doria (PSDB) anunciou ampliação da quarentena até o fim deste mês.

“Voltei porque não tenho mais como tirar dinheiro de lado nenhum, já estou com três meses de aluguel, (contas de) água e luz atrasados, e este é o único sustento da minha família, então também não estou conseguindo pagar as contas de casa”, detalhou. Na loja, três funcionários estão com os contratos de trabalho suspensos e apenas uma vendedora ajuda no atendimento, mas sem salário. “Estou pagando R$ 20 por dia e as vendas não estão chegando nem a 3% do que era antes. Se eu tirava R$ 1.500, hoje estou conseguindo R$ 40, R$ 80 por dia, no máximo.”

No Centro de Diadema também havia alguns comércios à meia porta, além de outros não essenciais operando normalmente. Um deles é um salão de cabeleireiro na Avenida Fábio Eduardo Ramos Esquivel. Sem saber que falava com a reportagem, um funcionário comentou que está atendendo normalmente com hora marcada. “Tomamos cuidado com o espaço entre os clientes, temos álcool em gel e usamos máscara. Só pedimos que você (o cliente) também venha de máscara”, informou.

Mesmo com acesso ao interior do estabelecimento limitado por uma corrente, uma barbearia funcionava normalmente na Avenida Itapark, no Jardim Itapark, em Mauá. Único endereço onde a reportagem não encontrou comércios não essenciais funcionando no início da tarde de quinta-feira foi na Rua Visconde de Inhaúma, no bairro Oswaldo Cruz, em São Caetano. Inclusive, também foi o local único em que o Diário viu viaturas da GCM (Guarda Civil Municipal) em ronda de fiscalização. 

Flexibilização divide opiniões nas ruas

Entre os consumidores da região, a flexibilização da quarentena e a consequente reabertura de outros segmentos comerciais dividem opiniões. Morador de São Caetano, o aposentado Olavo José Divino, 66 anos, disse ser contra a determinação atual. “Todo mundo está usando máscara e tomando cuidado. Não tem por que estar fechado. Por que a farmácia pode atender e uma loja de sapato, não, mesmo controlando e atendendo um, dois clientes por vez?”, questionou.

A opinião é compartilhada pelo técnico de enfermagem William Carvalho, 30, de Santo André. “O comércio fechado atrapalha todo mundo, tanto quem deseja comprar alguma coisa quanto para o comerciante, que está tendo muitos prejuízos. Deveria reabrir”, defendeu ele, que estava na Rua Coronel Oliveira Lima para retirar um óculos e aproveitou para comprar outros produtos que estava precisando em casa.

Por outro lado, a atendente Aparecida Sarmento, 36, residente em São Bernardo, é a favor do decreto de fechamento de serviços não essenciais. “Está perigoso, muita gente ainda não está usando máscara e não respeita o distanciamento ideal nas filas”, assinalou. “Saí apenas para comprar algumas coisas que estou precisando”, completou ela, que aguardava em fila para entrar em um estabelecimento.

Joana de Fátima, 66, dona de casa andreense, avalia que o fechamento do comércio é “ótimo” para prevenção do novo coronavírus. Ela saiu de casa para buscar o enxoval do neto, que irá nascer em breve e ainda não tinha itens básicos. “Vim apenas retirar, eu já tinha feito a encomenda havia alguns dias”, relatou.

PARA O SETOR
Conforme o Diário tem publicado, as associações comerciais do Grande ABC têm defendido a flexibilização do comércio e de serviços. As entidades sugerem que a reabertura seja gradual e adotando todas as medidas preventivas, como controle na entrada e circulação de clientes, disponibilização de álcool em gel e utilização de máscaras pelos funcionários, além de manter os colaboradores do grupo de risco em casa.

Segundo estimativa do Conjuscs (Observatório de Empreendedorismo, Políticas Públicas e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), o comércio regional pode deixar de faturar R$ 1,96 bilhão em dois meses de portas fechadas. O setor já teve as vendas para o Dia das Mães, segunda data mais importante do ano, prejudicadas pela quarentena.

Na Marechal Deodoro, a proprietária de uma loja de roupas, que pediu sigilo, afirmou que os parâmetros para fechamento estão “muito errados”. “Sou a favor da saúde, mas tudo tem um limite. Estou há dois meses com a loja sem entrar uma moeda, tirando do alimento para conseguir ter internet para vender pelo WhatsApp e ainda somos tratados como bandidos pela GCM (Guarda Civil Municipal)”, desabafou

Prefeituras já notificaram ao menos 488 abertos irregularmente

Desde o início da quarentena, as prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires fiscalizam os comércios. Até a última semana, 488 estabelecimentos foram notificados, multados ou lacrados pelas equipes de fiscalização. Quem encontrar alguma irregularidade pode denunciar à GCM (Guarda Civil Municipal) pelo número 153.

Estão autorizados a funcionar normalmente, desde que respeitadas todas as medidas sanitárias recomendadas pelos órgãos de saúde, os serviços considerados essenciais, como as áreas de saúde (hospitais, farmácias, clínicas médicas, lojas de serviços ortopédicos e óticas, lavanderias, serviços de limpeza e estacionamentos instalados no raio de 300 metros de unidades de saúde), alimentação (mercados, hortifrutigranjeiros, centro de distribuição de alimentos, açougues, peixarias, lojas de venda de alimentos para animais e de venda de água mineral, além de restaurantes, lanchonetes e padarias, sendo permitido apenas o drive-thru ou delivery), feiras livres e abastecimento (postos de combustível, distribuidores de gás, oficinas de veículos, bicicletarias e assistência técnica de eletrônicos).

Segundo as diretrizes do governo do Estado, outros segmentos que prestam suporte aos serviços essenciais também podem funcionar. Exemplos são construção, indústrias, serviços de manutenção industrial, comércio de descartáveis e serviços advocatícios, contábeis e atuariais. Salões de beleza, barbearias e academias não têm autorização para atender sob nenhuma circunstância. A fiscalização considera o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) ao qual o estabelecimento está cadastrado.



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Comércios não essenciais tentam driblar a quarentena

Justificativa de lojistas é que funcionam para minimizar prejuízos; demissões viram realidade

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

23/05/2020 | 23:02


Em meio à quarentena ocasionada pelo novo coronavírus e que completa dois meses hoje, comércios do Grande ABC tentam driblar o decreto estadual a fim de minimizar prejuízos. Na última semana, a equipe do Diário percorreu ruas comerciais em Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema e Mauá e observou estabelecimentos considerados não essenciais trabalhando normalmente ou à meia porta.

Na Rua Coronel Oliveira Lima, no Centro de Santo André, algumas lojas de variedades, roupas e acessórios para celular estavam funcionando, seja atendendo a clientela na porta ou controlando a entrada das pessoas. A reportagem verificou que o movimento de consumidores era intenso no início da tarde de quinta-feira, chegando a formar filas na porta de locais abertos. Contudo, o distanciamento entre eles era mantido e o uso de máscaras também era frequente.
Gerente de loja de roupas instalada no calçadão, que falou sob anonimato, contou que as atividades voltaram na semana passada. Entretanto, desde o início da quarentena, quatro de seis vendedores foram demitidos, fora um caixa e um fiscal de loja. Todo atendimento é feito em balcão instalado na porta, com uso de máscara e disponibilização de álcool em gel para os clientes. Além de retirar as compras feitas pelo WhatsApp, também é possível escolher os produtos presencialmente.

“Quando o governo do Estado falou que ia flexibilizar, o proprietário esperou mais um pouco, mas, no fim, teve que reabrir de qualquer maneira porque a mercadoria está parada, o aluguel e a conta de luz vêm”, destacou. O objetivo é reduzir as perdas, porém, o fluxo diário não chega a 10% do que era antes da pandemia. “O que é triste é que estamos trabalhando honestamente, mas quando passa a fiscalização, parece que estamos roubando e temos que nos esconder”, lamentou.

Em São Bernardo, nas ruas Jurubatuba e Marechal Deodoro, no Centro, a reportagem encontrou lojas de móveis e colchões divulgando atendimento presencial com hora marcada, o que não é permitido pelo decreto estadual. Outros segmentos, como vestuário e calçados, se arriscavam com portas semiabertas. Proprietária de uma loja de roupas, que pediu sigilo, relatou que voltou a vender desde 8 de maio, quando o governador João Doria (PSDB) anunciou ampliação da quarentena até o fim deste mês.

“Voltei porque não tenho mais como tirar dinheiro de lado nenhum, já estou com três meses de aluguel, (contas de) água e luz atrasados, e este é o único sustento da minha família, então também não estou conseguindo pagar as contas de casa”, detalhou. Na loja, três funcionários estão com os contratos de trabalho suspensos e apenas uma vendedora ajuda no atendimento, mas sem salário. “Estou pagando R$ 20 por dia e as vendas não estão chegando nem a 3% do que era antes. Se eu tirava R$ 1.500, hoje estou conseguindo R$ 40, R$ 80 por dia, no máximo.”

No Centro de Diadema também havia alguns comércios à meia porta, além de outros não essenciais operando normalmente. Um deles é um salão de cabeleireiro na Avenida Fábio Eduardo Ramos Esquivel. Sem saber que falava com a reportagem, um funcionário comentou que está atendendo normalmente com hora marcada. “Tomamos cuidado com o espaço entre os clientes, temos álcool em gel e usamos máscara. Só pedimos que você (o cliente) também venha de máscara”, informou.

Mesmo com acesso ao interior do estabelecimento limitado por uma corrente, uma barbearia funcionava normalmente na Avenida Itapark, no Jardim Itapark, em Mauá. Único endereço onde a reportagem não encontrou comércios não essenciais funcionando no início da tarde de quinta-feira foi na Rua Visconde de Inhaúma, no bairro Oswaldo Cruz, em São Caetano. Inclusive, também foi o local único em que o Diário viu viaturas da GCM (Guarda Civil Municipal) em ronda de fiscalização. 

Flexibilização divide opiniões nas ruas

Entre os consumidores da região, a flexibilização da quarentena e a consequente reabertura de outros segmentos comerciais dividem opiniões. Morador de São Caetano, o aposentado Olavo José Divino, 66 anos, disse ser contra a determinação atual. “Todo mundo está usando máscara e tomando cuidado. Não tem por que estar fechado. Por que a farmácia pode atender e uma loja de sapato, não, mesmo controlando e atendendo um, dois clientes por vez?”, questionou.

A opinião é compartilhada pelo técnico de enfermagem William Carvalho, 30, de Santo André. “O comércio fechado atrapalha todo mundo, tanto quem deseja comprar alguma coisa quanto para o comerciante, que está tendo muitos prejuízos. Deveria reabrir”, defendeu ele, que estava na Rua Coronel Oliveira Lima para retirar um óculos e aproveitou para comprar outros produtos que estava precisando em casa.

Por outro lado, a atendente Aparecida Sarmento, 36, residente em São Bernardo, é a favor do decreto de fechamento de serviços não essenciais. “Está perigoso, muita gente ainda não está usando máscara e não respeita o distanciamento ideal nas filas”, assinalou. “Saí apenas para comprar algumas coisas que estou precisando”, completou ela, que aguardava em fila para entrar em um estabelecimento.

Joana de Fátima, 66, dona de casa andreense, avalia que o fechamento do comércio é “ótimo” para prevenção do novo coronavírus. Ela saiu de casa para buscar o enxoval do neto, que irá nascer em breve e ainda não tinha itens básicos. “Vim apenas retirar, eu já tinha feito a encomenda havia alguns dias”, relatou.

PARA O SETOR
Conforme o Diário tem publicado, as associações comerciais do Grande ABC têm defendido a flexibilização do comércio e de serviços. As entidades sugerem que a reabertura seja gradual e adotando todas as medidas preventivas, como controle na entrada e circulação de clientes, disponibilização de álcool em gel e utilização de máscaras pelos funcionários, além de manter os colaboradores do grupo de risco em casa.

Segundo estimativa do Conjuscs (Observatório de Empreendedorismo, Políticas Públicas e Conjuntura da Universidade Municipal de São Caetano), o comércio regional pode deixar de faturar R$ 1,96 bilhão em dois meses de portas fechadas. O setor já teve as vendas para o Dia das Mães, segunda data mais importante do ano, prejudicadas pela quarentena.

Na Marechal Deodoro, a proprietária de uma loja de roupas, que pediu sigilo, afirmou que os parâmetros para fechamento estão “muito errados”. “Sou a favor da saúde, mas tudo tem um limite. Estou há dois meses com a loja sem entrar uma moeda, tirando do alimento para conseguir ter internet para vender pelo WhatsApp e ainda somos tratados como bandidos pela GCM (Guarda Civil Municipal)”, desabafou

Prefeituras já notificaram ao menos 488 abertos irregularmente

Desde o início da quarentena, as prefeituras de Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá e Ribeirão Pires fiscalizam os comércios. Até a última semana, 488 estabelecimentos foram notificados, multados ou lacrados pelas equipes de fiscalização. Quem encontrar alguma irregularidade pode denunciar à GCM (Guarda Civil Municipal) pelo número 153.

Estão autorizados a funcionar normalmente, desde que respeitadas todas as medidas sanitárias recomendadas pelos órgãos de saúde, os serviços considerados essenciais, como as áreas de saúde (hospitais, farmácias, clínicas médicas, lojas de serviços ortopédicos e óticas, lavanderias, serviços de limpeza e estacionamentos instalados no raio de 300 metros de unidades de saúde), alimentação (mercados, hortifrutigranjeiros, centro de distribuição de alimentos, açougues, peixarias, lojas de venda de alimentos para animais e de venda de água mineral, além de restaurantes, lanchonetes e padarias, sendo permitido apenas o drive-thru ou delivery), feiras livres e abastecimento (postos de combustível, distribuidores de gás, oficinas de veículos, bicicletarias e assistência técnica de eletrônicos).

Segundo as diretrizes do governo do Estado, outros segmentos que prestam suporte aos serviços essenciais também podem funcionar. Exemplos são construção, indústrias, serviços de manutenção industrial, comércio de descartáveis e serviços advocatícios, contábeis e atuariais. Salões de beleza, barbearias e academias não têm autorização para atender sob nenhuma circunstância. A fiscalização considera o CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) ao qual o estabelecimento está cadastrado.

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