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Perigo real


Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

27/03/2011 | 07:01


Vítima de abuso, a criança se sente encurralada. "Não sei porque não contei a ninguém. Olhando agora, como adulta, gostaria de ter sido avisada que isso poderia acontecer", declara a escritora Odívia Barros, que só conseguiu falar sobre a situação indesejada muitos anos depois, já adulta.

Com o intuito de alertar as crianças, sem assustá-las, Odívia assina o lançamento "Segredo Segredíssimo" (Geração Editorial, R$ 22, 32 páginas), que de maneira lúdica, em linguagem apropriada para crianças de 5 anos, evidencia a necessidade de romper o 'muro do silêncio'. "A ideia era trabalhar o conhecimento que cada criança tem, respeitando a faixa etária, sem oferecer novas informações que pudessem impressioná-las demais".

Ensinar a filha como reconhecer e sair de uma situação de abuso, caso fosse abordada, foi a maior preocupação da autora. "Fiz o que eu gostaria que tivessem feito comigo", conta. "Os meus pais sempre foram cuidadosos, mas não me avisaram desse perigo. Poucos fazem isso, e eu não os culpo".

Contribuição para o combate, "Segredo Segredíssimo" ensina passos básicos aos leitores mirins, a exemplo de reconhecer uma situação indevida e dividir o problema com pessoas de confiança, ou seja, nunca guardar o segredo. Em contato com a publicação, a criança compreende que a situação vivida pela personagem Adriana causa muito sofrimento.

Romper com o muro do silêncio está nas mãos das crianças, o que não retira a responsabilidade dos adultos em zelar por elas. Indiretamente, o livro também orienta os pais enquanto mostra o comportamento da mãe de Adriana. No enredo, a garota é protegida pelos familiares, em vez de ser recriminada ou punida. "Muitas vezes não sabemos como reagir diante de uma situação tão delicada e difícil".

Deste modo, a publicação pode ser utilizada tanto pela família quanto pelos professores como material que facilita a discussão com crianças. No fim do livro existem cinco perguntas sobre o tema. "Todas as crianças com idade igual ou acima de 5 anos que tiveram acesso ao livro responderam corretamente à última pergunta", afirma. É ela: 'O que a criança que tem um segredo segredíssimo deve fazer?'

Questionada sobre a inexistência de uma punição explícita para o abusador no livro, Odívia afirma: "Sabemos que 90% dos casos de abuso sexual infantil são feitos pelos próprios familiares. Qual criança iria se sentir confortável para revelar um segredo dessa complexidade, sabendo que alguém que ela tanto ama estaria sendo punido pelo ato? O que acontece com o abusador depois disso é uma questão para ser tratada por nós, adultos."

Um dos quadros mais tristes é o ciclo que o abuso provoca, no qual a vítima de hoje pode se tornar o abusador de amanhã. "Recomendo o filme "O Lenhador" (The Woodsman) para que as pessoas comecem a entender a gama de emoções conflitantes causada pela vivência de um abuso".

Tomar consciência dessa realidade pode ser doloroso, mas ignorá-la só favorece a ação de pessoas que utilizam a relação de poder com as crianças para se gratificarem por meio do sexo.



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Sara Saar
Do Diário do Grande ABC

27/03/2011 | 07:01


Vítima de abuso, a criança se sente encurralada. "Não sei porque não contei a ninguém. Olhando agora, como adulta, gostaria de ter sido avisada que isso poderia acontecer", declara a escritora Odívia Barros, que só conseguiu falar sobre a situação indesejada muitos anos depois, já adulta.

Com o intuito de alertar as crianças, sem assustá-las, Odívia assina o lançamento "Segredo Segredíssimo" (Geração Editorial, R$ 22, 32 páginas), que de maneira lúdica, em linguagem apropriada para crianças de 5 anos, evidencia a necessidade de romper o 'muro do silêncio'. "A ideia era trabalhar o conhecimento que cada criança tem, respeitando a faixa etária, sem oferecer novas informações que pudessem impressioná-las demais".

Ensinar a filha como reconhecer e sair de uma situação de abuso, caso fosse abordada, foi a maior preocupação da autora. "Fiz o que eu gostaria que tivessem feito comigo", conta. "Os meus pais sempre foram cuidadosos, mas não me avisaram desse perigo. Poucos fazem isso, e eu não os culpo".

Contribuição para o combate, "Segredo Segredíssimo" ensina passos básicos aos leitores mirins, a exemplo de reconhecer uma situação indevida e dividir o problema com pessoas de confiança, ou seja, nunca guardar o segredo. Em contato com a publicação, a criança compreende que a situação vivida pela personagem Adriana causa muito sofrimento.

Romper com o muro do silêncio está nas mãos das crianças, o que não retira a responsabilidade dos adultos em zelar por elas. Indiretamente, o livro também orienta os pais enquanto mostra o comportamento da mãe de Adriana. No enredo, a garota é protegida pelos familiares, em vez de ser recriminada ou punida. "Muitas vezes não sabemos como reagir diante de uma situação tão delicada e difícil".

Deste modo, a publicação pode ser utilizada tanto pela família quanto pelos professores como material que facilita a discussão com crianças. No fim do livro existem cinco perguntas sobre o tema. "Todas as crianças com idade igual ou acima de 5 anos que tiveram acesso ao livro responderam corretamente à última pergunta", afirma. É ela: 'O que a criança que tem um segredo segredíssimo deve fazer?'

Questionada sobre a inexistência de uma punição explícita para o abusador no livro, Odívia afirma: "Sabemos que 90% dos casos de abuso sexual infantil são feitos pelos próprios familiares. Qual criança iria se sentir confortável para revelar um segredo dessa complexidade, sabendo que alguém que ela tanto ama estaria sendo punido pelo ato? O que acontece com o abusador depois disso é uma questão para ser tratada por nós, adultos."

Um dos quadros mais tristes é o ciclo que o abuso provoca, no qual a vítima de hoje pode se tornar o abusador de amanhã. "Recomendo o filme "O Lenhador" (The Woodsman) para que as pessoas comecem a entender a gama de emoções conflitantes causada pela vivência de um abuso".

Tomar consciência dessa realidade pode ser doloroso, mas ignorá-la só favorece a ação de pessoas que utilizam a relação de poder com as crianças para se gratificarem por meio do sexo.

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