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Frio árido


Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

25/08/2010 | 07:01


A aridez do preconceito e a frieza das relações tomam os palcos de Diadema com as apresentações de Agreste, amanhã, às 20h, no Centro Cultural Diadema e Anatomia Frozen, na sexta, no Centro Cultural Serraria, no mesmo horário. Ambas as apresentações, sob coordenação do Sesc São Caetano, são gratuitas e fazem parte do projeto Palco Giratório.

No sertão nordestino, um casal de lavradores descobre o amor. Agreste é alegoria da difícil relação que os personagens têm com seus próprios sentimentos. O amor demora anos para ser consumado. Narrativas dão conta do sensível e recíproco desejo. Os dois, pressentindo perigo, decidem fugir. Quando o homem morre, um segredo é descoberto pela mulher e revelado ao público. Fragilizada pela perda, ela se vê vítima da intolerância dos demais.

A peça ganhou, em 2004, o prêmio de melhor espetáculo e autor da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), além do prêmio Shell pelo texto.

"O roteiro é de poesia ímpar. Nos preocupamos em não transformá-lo em drama, mas dar a ele sua dimensão trágica através da imagem poética. O espectador participa criando imagens através do que é contado em cena", conta o ator Paulo Marcello, que junto com João Carlos Andreazza se reveza na interpretação de todos os personagens.

GELO
Anatomia Frozen, encenada pelos mesmos atores de Agreste, vai por outro caminho. Cruza a história de uma psiquiatra que escreve sobre assassinatos em série, um pedófilo assassino e a mãe de uma de suas vítimas.

Congelados em seus estados emocionais, algozes e vítimas em contexto e com pesos diferentes, os três personagens são dissecados cruamente para que o espectador observe o funcionamento da violência e da psicopatia social.

No confronto entre mãe e assassino, a exploração da capacidade de perdoar e de sentir remorso é testada em cada um dos personagens, apesar da situação aparentemente impossibilitar a mudança dos sentimentos.

"É inter-relacionada a necessidade de entender com a maneira de buscar a cura", conta Rachel Ripani, tradutora do texto, de autoria da inglesa Bryony Lavery.

A peça venceu os prêmios APCA de melhor diretor e CPT (Companhia Paulista de Teatro) de melhor elenco, além de indicação ao prêmio Shell de direção.

"A gente faz uma boa medida entre os lados. Aproxima e afasta os sentimentos na hora certa. Lidar com isso é algo que exige compreensão, para não ficar um sentimento transformado em carne viva", completa Rachel.

Agreste - Teatro. No Centro Cultural Diadema - Rua Graciosa, 300. Tel.: 4056-3366. Amanhã, às 20h. Grátis. Anatomia Frozen - Teatro. No Centro Cultural Serraria - Rua Guarani, 790. Tel.: 4056-4950. 6ª, às 20h. Grátis.



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