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Álbum de figurinhas


Do Diário do Grande ABC

03/05/2018 | 07:00


Ultimamente tenho notado a molecada, para lá e para cá, com o álbum da Copa debaixo do braço. Ao que parece, deixaram de lado a obsessão pela tela digital para se envolver um pouco com o mágico pedacinho de papel que muito fascínio tem despertado nos meninos e nas meninas. O adulto, aliás, não ficou de fora dessa mania e, se passou dos 40, talvez ainda se sinta meio nostálgico com a brincadeira.

Gente grande ou não, todos correm, cheios de expectativa, às bancas para comprar os envelopes e encher de felicidade o jornaleiro, que torce para que se criem outras tantas coleções voltadas a todos os tipos de copa.

E essa turma compra figurinhas, cola figurinhas, bate figurinhas, troca figurinhas, viaja nas imagens que elas trazem que acalentam, nos meninos, o sonho bom de um dia também brilhar nos campos e ter uma mulher que brilha nos gramados televisivos, só para exibir e chatear nas manchetes do País.

E eu daqui olho embevecido a alegria geral fomentada pelo álbum e seus tesouros. Já não curto essa mania como nos velhos tempos, mas como aprecio ver novamente o fio tênue que liga uma geração a outra! É isso mesmo! Por meio dessa febre, é possível ligar o presente ao passado. O estilingue, a fubeca, o andar descalço, tudo ficou para trás, mas as figurinhas estão aí, novinhas como se a sua magia fora reinventada agora, nos áureos tempos da tecnologia.

E enquanto os garotos estão ali, compenetrados, envolvidos com elas, eu me rendo às circunstâncias e me imagino também discutindo e trocando as repetidas, falando da Seleção e das possibilidades de vitória... Afinal, a Copa está logo aí, o que enche o peito de uma emoção incontida. Sobretudo agora que nossa querida nação anda tão em baixa, é que desejamos vê-la vencer, não é? Ansiamos por isso! Nem que seja só no esporte!

Mas a meninada, judiação, desconhece as mazelas que tocam o mundo do futebol, assim como qualquer universo preso ao poder econômico. De qualquer forma, acredito que todos, até os adultos mais espertos, torcerão para que o craque despeje bolas e mais bolas nas redes adversárias, que faça gritar a plateia que finalmente verá seu país o melhor do mundo! Grande e invencível Pátria Tupinambá! E é preciso, além de tudo, vencer na raça e no pé. Mesmo porque, brasileiro não tolera vitória comprada. O problema é se alguém, novamente, quiser encher de dólares as malas brasileiras para que, outra vez, lhes entreguemos o jogo. A meninada das novas gerações por certo que chorará sem entender os combinados que se fazem na calada da noite e do dia. Talvez até abandonem as figurinhas, os coitadinhos, caso venham a descobrir tais acordos. Claro que a população em geral pouco fala disso. O sonho da Copa, afinal, não pode se desvanecer e se espalhar pelo ar. Por isso, é preferível mesmo aceitar uma derrota por 7 a 1, a descobrir que tudo não passou de uma farsa e que os jogadores, para quem somente a glória de vencer interessa, resolveram entregar de bandeja e dar vexame, só para escandalizar, revoltados com as decisões superiores que colocam os negócios acima do sentimento nacional.

Mas é cedo para sofrer com isso. Bom mesmo é colecionar figurinhas e se deixar levar pela ilusão de que tudo é de verdade. Faz bem à alma.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André.
É professor e autor do blog cafeecronicas.wordpress.com
E-mail para esta coluna: sourodolfosou@gmail.com 



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Álbum de figurinhas

Do Diário do Grande ABC

03/05/2018 | 07:00


Ultimamente tenho notado a molecada, para lá e para cá, com o álbum da Copa debaixo do braço. Ao que parece, deixaram de lado a obsessão pela tela digital para se envolver um pouco com o mágico pedacinho de papel que muito fascínio tem despertado nos meninos e nas meninas. O adulto, aliás, não ficou de fora dessa mania e, se passou dos 40, talvez ainda se sinta meio nostálgico com a brincadeira.

Gente grande ou não, todos correm, cheios de expectativa, às bancas para comprar os envelopes e encher de felicidade o jornaleiro, que torce para que se criem outras tantas coleções voltadas a todos os tipos de copa.

E essa turma compra figurinhas, cola figurinhas, bate figurinhas, troca figurinhas, viaja nas imagens que elas trazem que acalentam, nos meninos, o sonho bom de um dia também brilhar nos campos e ter uma mulher que brilha nos gramados televisivos, só para exibir e chatear nas manchetes do País.

E eu daqui olho embevecido a alegria geral fomentada pelo álbum e seus tesouros. Já não curto essa mania como nos velhos tempos, mas como aprecio ver novamente o fio tênue que liga uma geração a outra! É isso mesmo! Por meio dessa febre, é possível ligar o presente ao passado. O estilingue, a fubeca, o andar descalço, tudo ficou para trás, mas as figurinhas estão aí, novinhas como se a sua magia fora reinventada agora, nos áureos tempos da tecnologia.

E enquanto os garotos estão ali, compenetrados, envolvidos com elas, eu me rendo às circunstâncias e me imagino também discutindo e trocando as repetidas, falando da Seleção e das possibilidades de vitória... Afinal, a Copa está logo aí, o que enche o peito de uma emoção incontida. Sobretudo agora que nossa querida nação anda tão em baixa, é que desejamos vê-la vencer, não é? Ansiamos por isso! Nem que seja só no esporte!

Mas a meninada, judiação, desconhece as mazelas que tocam o mundo do futebol, assim como qualquer universo preso ao poder econômico. De qualquer forma, acredito que todos, até os adultos mais espertos, torcerão para que o craque despeje bolas e mais bolas nas redes adversárias, que faça gritar a plateia que finalmente verá seu país o melhor do mundo! Grande e invencível Pátria Tupinambá! E é preciso, além de tudo, vencer na raça e no pé. Mesmo porque, brasileiro não tolera vitória comprada. O problema é se alguém, novamente, quiser encher de dólares as malas brasileiras para que, outra vez, lhes entreguemos o jogo. A meninada das novas gerações por certo que chorará sem entender os combinados que se fazem na calada da noite e do dia. Talvez até abandonem as figurinhas, os coitadinhos, caso venham a descobrir tais acordos. Claro que a população em geral pouco fala disso. O sonho da Copa, afinal, não pode se desvanecer e se espalhar pelo ar. Por isso, é preferível mesmo aceitar uma derrota por 7 a 1, a descobrir que tudo não passou de uma farsa e que os jogadores, para quem somente a glória de vencer interessa, resolveram entregar de bandeja e dar vexame, só para escandalizar, revoltados com as decisões superiores que colocam os negócios acima do sentimento nacional.

Mas é cedo para sofrer com isso. Bom mesmo é colecionar figurinhas e se deixar levar pela ilusão de que tudo é de verdade. Faz bem à alma.

Rodolfo de Souza nasceu e mora em Santo André.
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