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Aborto legalizado é uma séria derrota para a Igreja em Portugal


Da AFP

12/02/2007 | 14:40


A legalização do aborto, aprovada domingo num referendo em Portugal, constitui uma séria derrota para a Igreja, num país com mais de 90% da população considerada católica. Já vitória foi para o primeiro-ministro José Socrates, que fez campanha a favor do "sim".

"Trata-se talvez da maior derrota da Igreja católica desde o restabelecimento da democracia em 1974”, estimava o jornal Público em sua edição de segunda-feira. O diário sublinhou que a rejeição do aborto constitui "uma questão fundamental de sua doutrina" sobre a qual ela "nunca cedeu um milímetro".

Mais de 59% dos eleitores votaram a favor do direito das mulheres de interromper voluntariamente a gravidez durante as primeiras dez semanas num estabelecimento de saúde autorizado, num referendo marcado por uma abstenção de 56%.

A participação não atingiu os 50% requeridos para que este resultado seja validado. Entretanto, o primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Socialista confirmou que o parlamento, onde ele tem maioria, modificaria a lei atual.

A Igreja mobilizou toda sua influência numa campanha contra este "crime abominável" em Portugal, país considerado um bastião do catolicismo. Alguns de seus representantes, como o cardeal de Lisboa, José Policarpo, pediram uma "reflexão serena" dos fiéis sobre "a defesa da vida, da concepção à morte".

Outros ameaçaram de "excomunhão automática" os partidários do "sim" e advertiram contra a "maldição" que atingiria Portugal se o país aceitasse "a apostasia silenciosa" do resto da Europa e sua "cultura da morte".

A Conferência episcopal não reagiu na manhã desta segunda-feira e apenas o arcebispo de Braga (norte do país), Jorge Ortiga, fez um comentário público, julgando que "o resultado do referendo não é decisivo e que a Igreja considera que a questão da vida não pode ser abordada por referendo".

O primeiro-ministro viu na vitória do "sim" a imagem de país "moderno e progressista" que ele quer para Portugal, ainda preso a uma imagem de conservadorismo e até de obscurantismo.

Durante a campanha, Socrates havia pedido votos a favor da descriminalização para que Portugal acabasse com os abortos clandestinos e se juntasse ao grupo de "países mais desenvolvidos", da "modernidade e do progresso". Sócrates defendeu o sim dizendo que Portugal deveria se tornar uma democracia "mais madura" e mais respeitosa da liberdade das mulheres.

No domingo, ele anunciou que o país seguiria "as melhoras práticas dos países europeus" no assunto, sublinhando que dispunha de uma "maioria muito confortável".

Como principal formação da oposição, o Partido Social-Democrata (centro-direita), que deixou seus simpatizantes livres para votar, agora anunciou que a maioria dos portugueses votou "sim" e esse voto "deve ser respeitado".

Os adversários da legalização do aborto insistiram na forte porcentagem de abstenção. O porta-voz da campanha do "não", João Paulo Malta, estima que o referendo provou que "a questão do aborto divide fortemente a sociedade portuguesa" e "não está definitivamente regulamentado".



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