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Especialistas veem preconceito com vacina produzida na China

Governo do Estado de SP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Médicos garantem que doses testadas no Brasil são seguras e passaram por criteriosa avaliação


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

23/07/2020 | 00:01


Os avanços no estudo da vacina chinesa contra a Covid-19 no Brasil estão dividindo opiniões, já que, além da esperança de cura, parte da população está tomada por incertezas porque a dose foi desenvolvida no mesmo país em que a doença teve início. No entanto, especialistas apontam que este preconceito acontece, sobretudo, pela falta de informação, já que cerca de 70% dos remédios genéricos consumidos pelos brasileiros são fabricados na Índia, mas com matérias-primas compradas da China.

Conforme levantado junto ao Instituto Butantan, Secretaria de Saúde do Estado e a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunização), a Grande São Paulo e Região Metropolitana – que inclui o Grande ABC – não dispõem de vacinas chinesas, tanto na rede pública como na privada. Porém, a China, onde os estudos da imunização foram desenvolvidos, até então, não era motivo de discussão, conforme avalia o infectologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Munir Akar Ayub. “Muitas das nossas vacinas do dia a dia, que estão no calendário obrigatório, são produzidas na Índia e nunca ninguém perguntou qual a procedência dessas doses”, ponderou o médico.

O especialista destacou que, embora o estudo da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório Sinovac Biotech e que começou a ser testada na terça-feira, em São Paulo, seja chinês, as doses serão fabricadas no Brasil, pelo Instituto Butantan, na Capital. “Estamos fazendo os testes com as vacinas que vieram da China, mas a partir do momento em que houver a comprovação de eficácia, haverá a transferência de tecnologia, e então a vacina será produzida a partir daí, mas será uma dose nacional, feita aqui no nosso País”, afirmou Ayub.

Diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri avalia como puro preconceito a rejeição à vacina chinesa. “Brasil compra vacina de um fundo rotatório da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), que distribui para o continente. Com isso vem vacina da Coreia, da Índia e eventualmente da China. O preconceito é vinculado a questão política partidária, não existe problema com vacina de qualquer país. As vacinas para serem aprovadas passam pelo mesmo rigor científico, sejam as da China, da Europa ou dos Estados Unidos. Não há nenhum critério diferente de aprovação dessas vacinas”, argumentou.

Ayub ainda explica que a matéria-prima utilizada para fabricar 70% dos remédios genéricos consumidos no Brasil é exportada da China. “A maior parte dos insumos a Índia (principal fabricante de genéricos no mundo) compra dos chineses”, destacou, ponderando que remédios com mais tecnologia são comprados, normalmente, dos Estados Unidos e da Europa. “A dipirona e o paracetamol, por exemplo, são produzidos na Índia, mas o sal usado na fabricação é da China”, contou.

O infectologista pontuou que o estudo não está concluído e, portanto, não se sabe a eficácia do imunizador. No entanto, Ayub destaca que os testes feitos antes da liberação é que vão comprovar a segurança e não de onde veio a metodologia desenvolvida para a dose.

“Muitas pessoas acham que o vírus foi fabricado na China, além da história de que produtos chineses são de segunda categoria, o que não é verdade, já que temos produtos com muita qualidade vindos da China”, analisou. “É claro que a vacina, para ser indicada para uso nas pessoas, passa por testes. Até agora os resultados são muito bons, tanto da vacina chinesa como da inglesa e a alemã que está chegando ao Brasil. Somente o tempo vai dizer o que será melhor”, diz o médico, lembrando que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou testes em mais duas imunizações no Brasil, desenvolvidas pela farmacêutica norte-americana Pfizer e pela alemã de biotecnologia BioNTech.

Secretário e OMS divergem quanto ao otimismo

Especialistas divergem sobre quando uma vacina para o novo coronavírus estará disponível para a população. Ontem, o novo secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, mostrou otimismo ao dizer que projeta disponibilizar dose do imunizante chinês que está sendo testado desde segunda-feira em São Paulo para grupos de risco ainda este ano. Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) voltou a afirmar que apenas em 2021 isso será possível.

“Quando vivemos situação que nós chamamos de pandêmica, nós passamos a ter necessidade emergencial da disponibilização de vacinas. Ainda não controlamos a pandemia em nosso meio. Dessa maneira, ter vacina é fundamental. Se nos próximos três meses esse nível de anticorpos for elevado e, mais do que isso, mantiverem-se estabilizados, muito possivelmente os órgãos regulatórios, como, por exemplo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), vão liberar de forma emergencial e, dessa forma, o primeiro grupo de pacientes já passaria a receber essa vacina. Talvez em dezembro mesmo ou possivelmente, muito possivelmente, já a partir de janeiro”, comentou Gorinchteyn.

Já o diretor executivo da OMS, Michael Ryan, não é tão otimista assim. Apesar de mostrar satisfação com o sucesso obtido pelas candidatas a vacinas para Covid-19 até agora nos testes, pediu realismo na expectativa sobre prazos e sobre as taxas de eficácia. Nesse quadro, ele insistiu na necessidade de que se mantenham e reforcem as medidas comprovadas para conter a disseminação do novo coronavírus.

“Sendo realista, estamos acelerando o máximo possível, mas temos de garantir segurança, tomar toda precaução para ter resultado seguro”, comentou Ryan sobre as vacinas em desenvolvimento. “Mas, sendo realista, será na primeira parte do próximo ano até que comecemos a ver pessoas sendo vacinadas”, previu ele, durante sessão de perguntas e respostas.

Além de pedir realismo sobre prazos, Ryan lembrou que as vacinas, em geral, não são 100% eficazes. “Teremos de ver o quão eficazes as vacinas serão e por quanto tempo durará a proteção. A ideia de que teremos uma vacina em dois ou três meses e, de repente, esse vírus irá embora, adoraria dizer isso para vocês, mas não é realista”, comentou.

PASSO À FRENTE
Os Estados Unidos fecharam ontem acordo com as farmacêuticas Pfizer e BioNTech para comprar, ainda em 2020, 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. As empresas informaram que não devem conseguir produzir mais do que isso neste ano.

Comunicado das farmacêuticas afirma que o governo norte-americano fez pedido de 100 milhões de doses e vai desembolsar US$ 1,95 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões) por elas, após a aprovação da Agência de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês). O acordo firmado ainda entrega de até 600 milhões de doses aos Estados Unidos em 2021. (das Agências)



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Especialistas veem preconceito com vacina produzida na China

Médicos garantem que doses testadas no Brasil são seguras e passaram por criteriosa avaliação

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

23/07/2020 | 00:01


Os avanços no estudo da vacina chinesa contra a Covid-19 no Brasil estão dividindo opiniões, já que, além da esperança de cura, parte da população está tomada por incertezas porque a dose foi desenvolvida no mesmo país em que a doença teve início. No entanto, especialistas apontam que este preconceito acontece, sobretudo, pela falta de informação, já que cerca de 70% dos remédios genéricos consumidos pelos brasileiros são fabricados na Índia, mas com matérias-primas compradas da China.

Conforme levantado junto ao Instituto Butantan, Secretaria de Saúde do Estado e a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunização), a Grande São Paulo e Região Metropolitana – que inclui o Grande ABC – não dispõem de vacinas chinesas, tanto na rede pública como na privada. Porém, a China, onde os estudos da imunização foram desenvolvidos, até então, não era motivo de discussão, conforme avalia o infectologista e professor da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) Munir Akar Ayub. “Muitas das nossas vacinas do dia a dia, que estão no calendário obrigatório, são produzidas na Índia e nunca ninguém perguntou qual a procedência dessas doses”, ponderou o médico.

O especialista destacou que, embora o estudo da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo laboratório Sinovac Biotech e que começou a ser testada na terça-feira, em São Paulo, seja chinês, as doses serão fabricadas no Brasil, pelo Instituto Butantan, na Capital. “Estamos fazendo os testes com as vacinas que vieram da China, mas a partir do momento em que houver a comprovação de eficácia, haverá a transferência de tecnologia, e então a vacina será produzida a partir daí, mas será uma dose nacional, feita aqui no nosso País”, afirmou Ayub.

Diretor da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações), Renato Kfouri avalia como puro preconceito a rejeição à vacina chinesa. “Brasil compra vacina de um fundo rotatório da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), que distribui para o continente. Com isso vem vacina da Coreia, da Índia e eventualmente da China. O preconceito é vinculado a questão política partidária, não existe problema com vacina de qualquer país. As vacinas para serem aprovadas passam pelo mesmo rigor científico, sejam as da China, da Europa ou dos Estados Unidos. Não há nenhum critério diferente de aprovação dessas vacinas”, argumentou.

Ayub ainda explica que a matéria-prima utilizada para fabricar 70% dos remédios genéricos consumidos no Brasil é exportada da China. “A maior parte dos insumos a Índia (principal fabricante de genéricos no mundo) compra dos chineses”, destacou, ponderando que remédios com mais tecnologia são comprados, normalmente, dos Estados Unidos e da Europa. “A dipirona e o paracetamol, por exemplo, são produzidos na Índia, mas o sal usado na fabricação é da China”, contou.

O infectologista pontuou que o estudo não está concluído e, portanto, não se sabe a eficácia do imunizador. No entanto, Ayub destaca que os testes feitos antes da liberação é que vão comprovar a segurança e não de onde veio a metodologia desenvolvida para a dose.

“Muitas pessoas acham que o vírus foi fabricado na China, além da história de que produtos chineses são de segunda categoria, o que não é verdade, já que temos produtos com muita qualidade vindos da China”, analisou. “É claro que a vacina, para ser indicada para uso nas pessoas, passa por testes. Até agora os resultados são muito bons, tanto da vacina chinesa como da inglesa e a alemã que está chegando ao Brasil. Somente o tempo vai dizer o que será melhor”, diz o médico, lembrando que a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou testes em mais duas imunizações no Brasil, desenvolvidas pela farmacêutica norte-americana Pfizer e pela alemã de biotecnologia BioNTech.

Secretário e OMS divergem quanto ao otimismo

Especialistas divergem sobre quando uma vacina para o novo coronavírus estará disponível para a população. Ontem, o novo secretário de Saúde do Estado, Jean Gorinchteyn, mostrou otimismo ao dizer que projeta disponibilizar dose do imunizante chinês que está sendo testado desde segunda-feira em São Paulo para grupos de risco ainda este ano. Já a OMS (Organização Mundial da Saúde) voltou a afirmar que apenas em 2021 isso será possível.

“Quando vivemos situação que nós chamamos de pandêmica, nós passamos a ter necessidade emergencial da disponibilização de vacinas. Ainda não controlamos a pandemia em nosso meio. Dessa maneira, ter vacina é fundamental. Se nos próximos três meses esse nível de anticorpos for elevado e, mais do que isso, mantiverem-se estabilizados, muito possivelmente os órgãos regulatórios, como, por exemplo, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), vão liberar de forma emergencial e, dessa forma, o primeiro grupo de pacientes já passaria a receber essa vacina. Talvez em dezembro mesmo ou possivelmente, muito possivelmente, já a partir de janeiro”, comentou Gorinchteyn.

Já o diretor executivo da OMS, Michael Ryan, não é tão otimista assim. Apesar de mostrar satisfação com o sucesso obtido pelas candidatas a vacinas para Covid-19 até agora nos testes, pediu realismo na expectativa sobre prazos e sobre as taxas de eficácia. Nesse quadro, ele insistiu na necessidade de que se mantenham e reforcem as medidas comprovadas para conter a disseminação do novo coronavírus.

“Sendo realista, estamos acelerando o máximo possível, mas temos de garantir segurança, tomar toda precaução para ter resultado seguro”, comentou Ryan sobre as vacinas em desenvolvimento. “Mas, sendo realista, será na primeira parte do próximo ano até que comecemos a ver pessoas sendo vacinadas”, previu ele, durante sessão de perguntas e respostas.

Além de pedir realismo sobre prazos, Ryan lembrou que as vacinas, em geral, não são 100% eficazes. “Teremos de ver o quão eficazes as vacinas serão e por quanto tempo durará a proteção. A ideia de que teremos uma vacina em dois ou três meses e, de repente, esse vírus irá embora, adoraria dizer isso para vocês, mas não é realista”, comentou.

PASSO À FRENTE
Os Estados Unidos fecharam ontem acordo com as farmacêuticas Pfizer e BioNTech para comprar, ainda em 2020, 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19. As empresas informaram que não devem conseguir produzir mais do que isso neste ano.

Comunicado das farmacêuticas afirma que o governo norte-americano fez pedido de 100 milhões de doses e vai desembolsar US$ 1,95 bilhão (cerca de R$ 10 bilhões) por elas, após a aprovação da Agência de Alimentos e Drogas (FDA, na sigla em inglês). O acordo firmado ainda entrega de até 600 milhões de doses aos Estados Unidos em 2021. (das Agências)

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