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EPIs são os novos desafios dos garis

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Profissionais agora têm de lidar com risco das máscaras e luvas descartadas irregulamente


Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

16/05/2020 | 00:01


Com a correria do dia a dia, poucas pessoas passam pelas calçadas, parques, praças e ruas do Grande ABC sem refletir que a limpeza destes espaços não se faz sozinha, sobretudo durante o isolamento físico imposto pelo governo do Estado para diminuir o contágio da Covid-19. O trabalho é realizado por exército de pouco mais de 1.200 garis – cujo dia é celebrado hoje –, que todos os dias saem de suas casas para manter cidades limpas e agora ainda se arriscam ao se deparar com máscaras jogadas ao chão.

Considerado serviço essencial, a manutenção dos espaços públicos não pode cessar, mesmo durante a pandemia. No entanto, se com as pessoas ficando em casa o acúmulo de sujeira deveria diminuir, o cenário encontrado pelos famosos laranjinhas – apelido que ganharam por causa do uniforme laranja – é bem diferente. Além de papel, embalagens, garrafas e latas, os profissionais agora têm de lidar também com o descarte irregular de EPIs (Equipamentos de Proteção Pessoal), o que os expõe ainda mais ao risco de contágio do coronavírus.

Gari há nove anos, Rosana da Silva Bonifácio, 50, disse que ultimamente é comum encontrar pelas ruas máscaras e luvas. “Agora temos de pegar também os materiais que deveriam servir como proteção pessoal e as pessoas jogam em qualquer lugar”, reclamou.

Na avaliação de Rosana, o trabalho dos garis também ajuda a diminuir a transmissão do coronavírus, já que lixo sempre é material suscetível a acumular doenças. “Mas o risco para nós é ainda maior com este tipo de equipamentos de proteção pessoal descartado de maneira errada”, ressaltou.

Moradora do Jardim Ciprestes, em Santo André, Rosana reforça que o trabalho dos garis faz “a diferença” para manter a cidade limpa. “As pessoas têm de parar para pensar que, se a gente não existisse, a limpeza das ruas, parques e praças também não existiria. Nosso trabalho é muito importante para sociedade”, pontua.
Rita Maria, 55, relata que os garis têm tomado “todos os cuidados necessários” para que não sejam infectados. “Usamos máscaras, luvas, álcool gel e desinfetamos as mãos o tempo todo. Procuro não sentir medo”, disse, reforçando que se sente “feliz” em poder ajudar a diminuir os impactos da doença limpando as ruas de Santo André. “É satisfatório saber que estamos contribuindo com a população de alguma forma”, comemorou Rita, que mora no Jardim Las Vegas, também no município andreense, que coleciona seis anos de profissão.

VALORIZAÇÃO
Com dois anos trabalhando de gari, Ubiratan Luna Coutinho, 47, é mais novo no ramo do que suas colegas. O morador do Recreio da Borda do Campo, em Santo André, relata que sua história limpando as cidades é considerada “superação”. “Estava no 2º ano do curso de direito e trabalhava como supervisor de segurança no aeroporto de Curitiba. Tive de voltar a São Paulo e, depois de trabalhar em ramos distintos, prestei concurso público e dei início ao trabalho de gari”, relembrou.
Coutinho confessa que, em princípio, sentia vergonha da profissão. “Existe um preconceito sociocultural com profissões desse estilo. Em poucos meses você se vê varrendo ruas e a arrogância intelectual cai por terra”, explica.

Embora o início tenha sido desafiador, o gari afirma que o trabalho o fez ser “uma pessoa bem melhor”, além de acreditar que o ramo “é um dos melhores para trabalhar”, já que foi varrendo ruas que aprendeu a ser “mais humano”. “Infelizmente somos invisíveis para a (maior parte da) população. É um trabalho nada valorizado. Mas nós, garis, trabalhamos corrigindo o erro dos outros, a falta de educação da população e, por isso, deveríamos ter muito mais valor.”

No dia em que celebram sua existência, Coutinho revela que a mensagem que pode deixar aos demais profissionais da área é para que tenham consciência de seu valor. “Nossa classe aceita a forma discriminatória e preconceituosa da sociedade com trabalhos que não precisam de formação acadêmica. Mas somos nós que todos os dias trabalhamos para proporcionar mais qualidade de vida à população.” 



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EPIs são os novos desafios dos garis

Profissionais agora têm de lidar com risco das máscaras e luvas descartadas irregulamente

Bia Moço
Do Diário do Grande ABC

16/05/2020 | 00:01


Com a correria do dia a dia, poucas pessoas passam pelas calçadas, parques, praças e ruas do Grande ABC sem refletir que a limpeza destes espaços não se faz sozinha, sobretudo durante o isolamento físico imposto pelo governo do Estado para diminuir o contágio da Covid-19. O trabalho é realizado por exército de pouco mais de 1.200 garis – cujo dia é celebrado hoje –, que todos os dias saem de suas casas para manter cidades limpas e agora ainda se arriscam ao se deparar com máscaras jogadas ao chão.

Considerado serviço essencial, a manutenção dos espaços públicos não pode cessar, mesmo durante a pandemia. No entanto, se com as pessoas ficando em casa o acúmulo de sujeira deveria diminuir, o cenário encontrado pelos famosos laranjinhas – apelido que ganharam por causa do uniforme laranja – é bem diferente. Além de papel, embalagens, garrafas e latas, os profissionais agora têm de lidar também com o descarte irregular de EPIs (Equipamentos de Proteção Pessoal), o que os expõe ainda mais ao risco de contágio do coronavírus.

Gari há nove anos, Rosana da Silva Bonifácio, 50, disse que ultimamente é comum encontrar pelas ruas máscaras e luvas. “Agora temos de pegar também os materiais que deveriam servir como proteção pessoal e as pessoas jogam em qualquer lugar”, reclamou.

Na avaliação de Rosana, o trabalho dos garis também ajuda a diminuir a transmissão do coronavírus, já que lixo sempre é material suscetível a acumular doenças. “Mas o risco para nós é ainda maior com este tipo de equipamentos de proteção pessoal descartado de maneira errada”, ressaltou.

Moradora do Jardim Ciprestes, em Santo André, Rosana reforça que o trabalho dos garis faz “a diferença” para manter a cidade limpa. “As pessoas têm de parar para pensar que, se a gente não existisse, a limpeza das ruas, parques e praças também não existiria. Nosso trabalho é muito importante para sociedade”, pontua.
Rita Maria, 55, relata que os garis têm tomado “todos os cuidados necessários” para que não sejam infectados. “Usamos máscaras, luvas, álcool gel e desinfetamos as mãos o tempo todo. Procuro não sentir medo”, disse, reforçando que se sente “feliz” em poder ajudar a diminuir os impactos da doença limpando as ruas de Santo André. “É satisfatório saber que estamos contribuindo com a população de alguma forma”, comemorou Rita, que mora no Jardim Las Vegas, também no município andreense, que coleciona seis anos de profissão.

VALORIZAÇÃO
Com dois anos trabalhando de gari, Ubiratan Luna Coutinho, 47, é mais novo no ramo do que suas colegas. O morador do Recreio da Borda do Campo, em Santo André, relata que sua história limpando as cidades é considerada “superação”. “Estava no 2º ano do curso de direito e trabalhava como supervisor de segurança no aeroporto de Curitiba. Tive de voltar a São Paulo e, depois de trabalhar em ramos distintos, prestei concurso público e dei início ao trabalho de gari”, relembrou.
Coutinho confessa que, em princípio, sentia vergonha da profissão. “Existe um preconceito sociocultural com profissões desse estilo. Em poucos meses você se vê varrendo ruas e a arrogância intelectual cai por terra”, explica.

Embora o início tenha sido desafiador, o gari afirma que o trabalho o fez ser “uma pessoa bem melhor”, além de acreditar que o ramo “é um dos melhores para trabalhar”, já que foi varrendo ruas que aprendeu a ser “mais humano”. “Infelizmente somos invisíveis para a (maior parte da) população. É um trabalho nada valorizado. Mas nós, garis, trabalhamos corrigindo o erro dos outros, a falta de educação da população e, por isso, deveríamos ter muito mais valor.”

No dia em que celebram sua existência, Coutinho revela que a mensagem que pode deixar aos demais profissionais da área é para que tenham consciência de seu valor. “Nossa classe aceita a forma discriminatória e preconceituosa da sociedade com trabalhos que não precisam de formação acadêmica. Mas somos nós que todos os dias trabalhamos para proporcionar mais qualidade de vida à população.” 

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