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Montadoras miram nova classe média


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

26/10/2010 | 07:16


O mercado automobilístico brasileiro está se tornando mais concorrido, em consequência da chegada de marcas chinesas e do crescimento de vendas das coreanas, o que mobiliza as montadoras mais tradicionais no País, como Volkswagen, Ford e General Motors. Entre os focos das grandes fabricantes, há planos de lançar modelos para classes de renda mais baixa e investimentos para melhorar a produtividade das fábricas.

A Volkswagen, por exemplo, estuda fazer um carro com preço abaixo do Gol - atualmente seu principal veículo ‘de entrada', ou seja, o mais barato da marca (que hoje sai a partir de R$ 27,5 mil). Segundo o presidente da montadora no Brasil, Thomas Schmall, a ideia é lançar o modelo daqui quatro anos, para atender público que ainda não tem acesso a modelos zero-quilômetro. "Cerca de 40% dos brasileiros não conseguem comprar carros hoje", afirmou, durante coletiva de imprensa da 26ª Edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo - evento que abre ao público amanhã e se encerra dia 7 no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

A presidente da GM do Brasil, Denise Johnson, também admite a intenção de colocar no mercado carro de pequeno porte, com preço mais acessível, para explorar melhor o nicho da classe C. Para ela, com o ganho de poder de compra, esse segmento da população pode ajudar a impulsionar as vendas da fabricante.

POTENCIAL
As companhias apostam que há muito a crescer ainda no mercado nacional. Segundo o presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, o setor brasileiro pode chegar nos próximos anos a 5 milhões de veículos vendidos anualmente.

"Se olharmos hoje no Brasil, são sete habitantes por veículo; nos Estados Unidos, essa proporção é de 1,2 habitante por carro. Com a ascensão da classe média e o crescimento do poder aquisitivo, há potencial para isso", afirma.

Para o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, é preciso atenção com os concorrentes chineses e coreanos, mas ele destaca que a montadora leva vantagens por ter capacidade tecnológica - um dos cinco centros de engenharia da marca fica no Brasil, em São Caetano -, porque a Nação é plataforma global para outros mercados no mundo e por causa da grande rede de concessionárias no País.

DA CORÉIA
Uma das empresas em forte crescimento no mercado nacional é a coreana Hyundai. A companhia vendeu 100 mil veículos neste ano, 35% mais que em 2009, e projeta chegar em 2013 com 300 mil unidades comercializadas.


Demanda anima setor, mas câmbio atrapalha
O cenário de demanda aquecida no mercado interno anima as fabricantes de veículos, que projetam crescimento de, pelo menos, 5% em 2011. No entanto, também há alguns fatores de preocupação, como o câmbio desvantajoso para exportar e a alta dos custos de matéria-prima, que reduz margens de lucro no segmento.

A expectativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) é que o segmento feche este ano com 3,4 milhões de carros vendidos, 8% mais que em 2009. Para o ano que vem, o presidente da General Motores América do Sul, Jaime Ardila, avalia que será possível atingir 3,55 milhões de unidades. A fabricante investe R$ 5 bilhões até 2012 em aumento de capacidade, novos modelos e na modernização das plantas.

Ardila destaca, no entanto, que no cenário atual, o câmbio tem atrapalhado as exportações. Ele assinala que as encomendas da montadora a outros países deve atingir 85 mil unidades neste ano. Em 2009, foram 65 mil. "Mas já exportamos 120 mil em 2007, para nós é uma perda muito grande, a valorização do real é um problema", afirma.

O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, destaca que a empresa investirá no País US$ 6,2 bilhões até 2014, maior aporte da fabricante no País. É uma aposta no mercado nacional, que corresponde atualmente a 17% das vendas da companhia no mundo.

Schmall assinala ainda que, neste ano, as exportações da marca devem crescer em torno de 25%, para 150 mil unidades, mas o real forte tem levado ao aumento da importação. Outro problema são as altas das matérias-primas. A montadora deve fechar o ano com 30% de aço importado para usar em seu processo produtivo.

Outra fabricante que se queixa da taxa cambial é a Mercedes-Benz. Embora traga carros importados da marca que se beneficiam do real forte, a montadora produz ônibus e caminhões no País e essa valorização é um desafio adicional para a companhia, afirma o presidente da companhia no Brasil, Jürgen Ziegler.



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Montadoras miram nova classe média

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

26/10/2010 | 07:16


O mercado automobilístico brasileiro está se tornando mais concorrido, em consequência da chegada de marcas chinesas e do crescimento de vendas das coreanas, o que mobiliza as montadoras mais tradicionais no País, como Volkswagen, Ford e General Motors. Entre os focos das grandes fabricantes, há planos de lançar modelos para classes de renda mais baixa e investimentos para melhorar a produtividade das fábricas.

A Volkswagen, por exemplo, estuda fazer um carro com preço abaixo do Gol - atualmente seu principal veículo ‘de entrada', ou seja, o mais barato da marca (que hoje sai a partir de R$ 27,5 mil). Segundo o presidente da montadora no Brasil, Thomas Schmall, a ideia é lançar o modelo daqui quatro anos, para atender público que ainda não tem acesso a modelos zero-quilômetro. "Cerca de 40% dos brasileiros não conseguem comprar carros hoje", afirmou, durante coletiva de imprensa da 26ª Edição do Salão Internacional do Automóvel de São Paulo - evento que abre ao público amanhã e se encerra dia 7 no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

A presidente da GM do Brasil, Denise Johnson, também admite a intenção de colocar no mercado carro de pequeno porte, com preço mais acessível, para explorar melhor o nicho da classe C. Para ela, com o ganho de poder de compra, esse segmento da população pode ajudar a impulsionar as vendas da fabricante.

POTENCIAL
As companhias apostam que há muito a crescer ainda no mercado nacional. Segundo o presidente da Ford Brasil e Mercosul, Marcos de Oliveira, o setor brasileiro pode chegar nos próximos anos a 5 milhões de veículos vendidos anualmente.

"Se olharmos hoje no Brasil, são sete habitantes por veículo; nos Estados Unidos, essa proporção é de 1,2 habitante por carro. Com a ascensão da classe média e o crescimento do poder aquisitivo, há potencial para isso", afirma.

Para o presidente da GM América do Sul, Jaime Ardila, é preciso atenção com os concorrentes chineses e coreanos, mas ele destaca que a montadora leva vantagens por ter capacidade tecnológica - um dos cinco centros de engenharia da marca fica no Brasil, em São Caetano -, porque a Nação é plataforma global para outros mercados no mundo e por causa da grande rede de concessionárias no País.

DA CORÉIA
Uma das empresas em forte crescimento no mercado nacional é a coreana Hyundai. A companhia vendeu 100 mil veículos neste ano, 35% mais que em 2009, e projeta chegar em 2013 com 300 mil unidades comercializadas.


Demanda anima setor, mas câmbio atrapalha
O cenário de demanda aquecida no mercado interno anima as fabricantes de veículos, que projetam crescimento de, pelo menos, 5% em 2011. No entanto, também há alguns fatores de preocupação, como o câmbio desvantajoso para exportar e a alta dos custos de matéria-prima, que reduz margens de lucro no segmento.

A expectativa da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) é que o segmento feche este ano com 3,4 milhões de carros vendidos, 8% mais que em 2009. Para o ano que vem, o presidente da General Motores América do Sul, Jaime Ardila, avalia que será possível atingir 3,55 milhões de unidades. A fabricante investe R$ 5 bilhões até 2012 em aumento de capacidade, novos modelos e na modernização das plantas.

Ardila destaca, no entanto, que no cenário atual, o câmbio tem atrapalhado as exportações. Ele assinala que as encomendas da montadora a outros países deve atingir 85 mil unidades neste ano. Em 2009, foram 65 mil. "Mas já exportamos 120 mil em 2007, para nós é uma perda muito grande, a valorização do real é um problema", afirma.

O presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, destaca que a empresa investirá no País US$ 6,2 bilhões até 2014, maior aporte da fabricante no País. É uma aposta no mercado nacional, que corresponde atualmente a 17% das vendas da companhia no mundo.

Schmall assinala ainda que, neste ano, as exportações da marca devem crescer em torno de 25%, para 150 mil unidades, mas o real forte tem levado ao aumento da importação. Outro problema são as altas das matérias-primas. A montadora deve fechar o ano com 30% de aço importado para usar em seu processo produtivo.

Outra fabricante que se queixa da taxa cambial é a Mercedes-Benz. Embora traga carros importados da marca que se beneficiam do real forte, a montadora produz ônibus e caminhões no País e essa valorização é um desafio adicional para a companhia, afirma o presidente da companhia no Brasil, Jürgen Ziegler.

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