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Apenas 14% das famílias brasileiras têm poupança


Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

26/10/2010 | 07:03


O avanço no número de brasileiros interessados em guardar dinheiro parou. Pelo terceiro ano consecutivo, apenas 14% dos consumidores afirmaram ter algum tipo de poupança. E o freio de mão está puxado mesmo com o crescimento da economia e da renda.

Os dados fazem parte de pesquisa, referente a julho, da Fecomercio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) junto ao Grupo Ipsos.

Em junho, a região esteve em destaque, com São Caetano apresentando o maior volume aplicado na caderneta de poupança por habitante do Estado, com R$ 7.850,63.

O levantamento aponta que 83% dos consumidores afirmam não poupar e 3% disseram que não sabem sobre o assunto.

Para o chefe do departamento de economia da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), José Francisco Vinci de Moraes, o problema é cultural. "O brasileiro não tem o hábito de poupar", disse.

O acadêmico explica que o interessante é subir os recursos direcionados para a poupança conforme a renda aumentar.

JUROS
O professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios Alcides Leite diz que a taxa de poupança e o número de poupadores no País estão baixos. Se esses indicadores aumentassem, surgiria a possibilidade de reduções nas taxas de juros. "Assim sobrariam recursos aos investimentos", disse.

Os aportes estimulam a expansão do PIB (Produto Interno Bruto). A engorda da atividade econômica, por sua vez, poderia criar melhora na economia sem inflação, assim, sem a necessidade de alta nos juros, analisou Leite.

PIB
Vinci destacou que a taxa de poupança do País foi de 15% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2009. "E este percentual é baixo. O ideal seria girar em torno de 20% a 25%", avaliou.

Esta taxa representa o volume de reservas privadas, o quanto o País produz, mas não consome.

"É aquela história da formiga e da cigarra. Se tudo que eu produzir eu consumir, fica no zero a zero", ilustra Vinci. Portanto, sem acumulo de reservas, cai a margem para o investimento direto, que estimula o crescimento da economia.

MÊS
Questionados sobre a intenção da família sobre a poupança, 57% dos entrevistados que poupam afirmaram que pretendem guardar mais algum dinheiro. Apenas 5% responderam que farão o contrário, ou seja, pretendem mexer no dinheiro que estava guardado.

A pesquisa aponta que 26% não vão movimentar e 12% ficaram indecisos.


Menos da metade dos que guardam pensa no futuro
O percentual de brasileiros que poupam e estão preocupados com o futuro e alguma eventualidade caiu. Segundo levantamento da Fecomercio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) junto ao Grupo Ipsos, o resutlado passou de 56% da população, em 2009, para 46% neste ano.

Na avaliação do economista e especialista em finanças pessoais André Massaro, guardar para o futuro deve ser o principal objetivo do poupador. "Se a reserva for para imóvel, será para consumo próprio, e não como investimento", disse.

O estudo aponta que 19% dos brasileiros guardam para comprar moradias. E 6% pensando em automóveis. "Os veículos estão longe de serem investimentos. Desvalorizam e têm elevados custos para mantê-los", pontuou Massaro.



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Apenas 14% das famílias brasileiras têm poupança

Pedro Souza
Do Diário do Grande ABC

26/10/2010 | 07:03


O avanço no número de brasileiros interessados em guardar dinheiro parou. Pelo terceiro ano consecutivo, apenas 14% dos consumidores afirmaram ter algum tipo de poupança. E o freio de mão está puxado mesmo com o crescimento da economia e da renda.

Os dados fazem parte de pesquisa, referente a julho, da Fecomercio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) junto ao Grupo Ipsos.

Em junho, a região esteve em destaque, com São Caetano apresentando o maior volume aplicado na caderneta de poupança por habitante do Estado, com R$ 7.850,63.

O levantamento aponta que 83% dos consumidores afirmam não poupar e 3% disseram que não sabem sobre o assunto.

Para o chefe do departamento de economia da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing), José Francisco Vinci de Moraes, o problema é cultural. "O brasileiro não tem o hábito de poupar", disse.

O acadêmico explica que o interessante é subir os recursos direcionados para a poupança conforme a renda aumentar.

JUROS
O professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios Alcides Leite diz que a taxa de poupança e o número de poupadores no País estão baixos. Se esses indicadores aumentassem, surgiria a possibilidade de reduções nas taxas de juros. "Assim sobrariam recursos aos investimentos", disse.

Os aportes estimulam a expansão do PIB (Produto Interno Bruto). A engorda da atividade econômica, por sua vez, poderia criar melhora na economia sem inflação, assim, sem a necessidade de alta nos juros, analisou Leite.

PIB
Vinci destacou que a taxa de poupança do País foi de 15% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2009. "E este percentual é baixo. O ideal seria girar em torno de 20% a 25%", avaliou.

Esta taxa representa o volume de reservas privadas, o quanto o País produz, mas não consome.

"É aquela história da formiga e da cigarra. Se tudo que eu produzir eu consumir, fica no zero a zero", ilustra Vinci. Portanto, sem acumulo de reservas, cai a margem para o investimento direto, que estimula o crescimento da economia.

MÊS
Questionados sobre a intenção da família sobre a poupança, 57% dos entrevistados que poupam afirmaram que pretendem guardar mais algum dinheiro. Apenas 5% responderam que farão o contrário, ou seja, pretendem mexer no dinheiro que estava guardado.

A pesquisa aponta que 26% não vão movimentar e 12% ficaram indecisos.


Menos da metade dos que guardam pensa no futuro
O percentual de brasileiros que poupam e estão preocupados com o futuro e alguma eventualidade caiu. Segundo levantamento da Fecomercio-RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro) junto ao Grupo Ipsos, o resutlado passou de 56% da população, em 2009, para 46% neste ano.

Na avaliação do economista e especialista em finanças pessoais André Massaro, guardar para o futuro deve ser o principal objetivo do poupador. "Se a reserva for para imóvel, será para consumo próprio, e não como investimento", disse.

O estudo aponta que 19% dos brasileiros guardam para comprar moradias. E 6% pensando em automóveis. "Os veículos estão longe de serem investimentos. Desvalorizam e têm elevados custos para mantê-los", pontuou Massaro.

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