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CVC Corp atrasa balanço pela quarta vez

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Resultados eram aguardados ontem; CEO diz que empresa precisa de R$ 700 mi para retomada


Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

01/08/2020 | 00:05


A CVC Corp, empresa de turismo sediada em Santo André, descumpriu prazo para divulgação dos resultados pela quarta vez. Os dados referentes ao ano de 2019, inicialmente previstos para serem levados ao público no dia 12 de março, foram postergados para 31 de março, depois, 29 de maio e, no começo de julho, a expectativa era que a divulgação fosse feita ontem. A companhia ainda não informou ao mercado um novo prazo.

A empresa, que passa por diversas dificuldades financeiras desde o ano passado, mesmo antes da pandemia, devido à alta do dólar e ao aumento da concorrência, teve os resultados comprometidos por causa de erros contábeis, com impacto que gira em torno de R$ 350 milhões. Em fato relevante divulgado no início deste mês, a CVC relatou perdas estimadas, que, somadas, chegam a aproximadamente R$ 1,48 bilhão. Atualmente, a companhia tem um valor de mercado calculado em R$ 3,09 bilhões.

O Diário teve acesso ao conteúdo de uma reunião on-line, realizada ontem, onde o CEO Leonel Andrade falava da necessidade de R$ 700 milhões para uma retomada da companhia, para que ela se consolide no mercado. O executivo afirmou que já foi feito aporte de R$ 300 milhões e que ainda faltariam outros R$ 400 milhões. O encontro virtual foi para tratar de trocas na diretoria da empresa (leia mais abaixo).

A MP (Medida Provisória) 925, que determina que as companhias de aviação tenham um prazo de até 12 meses para devolver aos consumidores o valor das viagens compradas até 31 de dezembro de 2020 – canceladas devido ao agravamento da pandemia – também foi citada por Andrade como crucial para este momento. O governo federal determinou que o valor será reembolsado por meio de crédito para utilização no prazo de 12 meses, contado da data do voo contratado. Segundo o governo, cerca de 85% dos voos internacionais e 50% dos voos domésticos foram cancelados pelas companhias aéreas por conta da queda de demanda e da desistência dos passageiros.

Ontem, as ações da CVC Corp encerraram o pregão da Bovespa com queda de 3,26%, valendo R$ 20,80. Porém, desde o início do ano, a empresa já acumula uma desvalorização de 49,75%.

De acordo com o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti, há uma indefinição grande em relação aos resultados da corporação. “As empresas já estão divulgando os resultados do segundo trimestres deste ano. Sem estes números, os investidores ficam no escuro, com uma incerteza muito grande. O setor já passa por uma situação extremamente complexa, por ter impactada a geração de receita futura, e ainda o erro contábil”, disse.

O CEO da CVC chegou a admitir que a empresa poderia descumprir novamente o prazo de publicação do balanço em reunião com franqueados, em vídeo ao qual o Diário teve acesso, no início deste mês.

Até as 23h30 de ontem, a empresa não havia publicado nenhum fato relevante adiando a divulgação das demonstrações financeiras ou justificando um novo atraso. De acordo com Bertotti, a queda da CVC ontem não foi justificada pela falta dos números, o que deve ser precificado pelo mercado na segunda-feira. “Houve uma interferência dos dados macroeconômicos, o mercado teve uma aversão maior ao risco principalmente pela queda do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro.”

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), autarquia ligada ao Ministério da Economia e responsável pela fiscalização do mercado de ações, informou que as companhias que não observam os prazos de entrega de informações estão sujeitas a multa (em R$ 1.000 diários) e, se necessário, à apuração de eventuais responsabilidades em processo de natureza sancionadora.


Saída de diretor executivo agrada franqueados

Além das 200 demissões anunciadas no início deste mês, muitos com cargos de chefia, o diretor da CVC Corp Emerson Belan pediu demissão na quinta-feira e deve ser desligado da empresa até novembro. Ontem foi anunciada sua substituta, Daniela Bertoldo, que teve passagem pelo Banco Santander.

Belan estava na empresa havia cinco anos e, atualmente, ocupava cargo de diretor das unidades B2C (business-to-consumer, no inglês, negócios entre a empresa e o consumidor final) da CVC Corp, que incluem a CVC Operadora e a Experimento. A saída foi comemorada por franqueados, de acordo com informações obtidas pelo Diário, já que havia dificuldades no diálogo com os representantes da marca.

Além disso, mais três executivos passaram a integrar a empresa: Melina Vacopoulos Vidaller, assume a nova diretoria de clientes; Marcos Pinheiro, a de desenvolvimento de negócios; e Tulio Maia Oliveira assume a unidades de negócios on-line.
Questionada sobre as informações referentes aos resultados e também mudanças na diretoria, a CVC não se posicionou até o fechamento desta edição. 



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CVC Corp atrasa balanço pela quarta vez

Resultados eram aguardados ontem; CEO diz que empresa precisa de R$ 700 mi para retomada

Yara Ferraz
Do Diário do Grande ABC

01/08/2020 | 00:05


A CVC Corp, empresa de turismo sediada em Santo André, descumpriu prazo para divulgação dos resultados pela quarta vez. Os dados referentes ao ano de 2019, inicialmente previstos para serem levados ao público no dia 12 de março, foram postergados para 31 de março, depois, 29 de maio e, no começo de julho, a expectativa era que a divulgação fosse feita ontem. A companhia ainda não informou ao mercado um novo prazo.

A empresa, que passa por diversas dificuldades financeiras desde o ano passado, mesmo antes da pandemia, devido à alta do dólar e ao aumento da concorrência, teve os resultados comprometidos por causa de erros contábeis, com impacto que gira em torno de R$ 350 milhões. Em fato relevante divulgado no início deste mês, a CVC relatou perdas estimadas, que, somadas, chegam a aproximadamente R$ 1,48 bilhão. Atualmente, a companhia tem um valor de mercado calculado em R$ 3,09 bilhões.

O Diário teve acesso ao conteúdo de uma reunião on-line, realizada ontem, onde o CEO Leonel Andrade falava da necessidade de R$ 700 milhões para uma retomada da companhia, para que ela se consolide no mercado. O executivo afirmou que já foi feito aporte de R$ 300 milhões e que ainda faltariam outros R$ 400 milhões. O encontro virtual foi para tratar de trocas na diretoria da empresa (leia mais abaixo).

A MP (Medida Provisória) 925, que determina que as companhias de aviação tenham um prazo de até 12 meses para devolver aos consumidores o valor das viagens compradas até 31 de dezembro de 2020 – canceladas devido ao agravamento da pandemia – também foi citada por Andrade como crucial para este momento. O governo federal determinou que o valor será reembolsado por meio de crédito para utilização no prazo de 12 meses, contado da data do voo contratado. Segundo o governo, cerca de 85% dos voos internacionais e 50% dos voos domésticos foram cancelados pelas companhias aéreas por conta da queda de demanda e da desistência dos passageiros.

Ontem, as ações da CVC Corp encerraram o pregão da Bovespa com queda de 3,26%, valendo R$ 20,80. Porém, desde o início do ano, a empresa já acumula uma desvalorização de 49,75%.

De acordo com o economista da Messem Investimentos Gustavo Bertotti, há uma indefinição grande em relação aos resultados da corporação. “As empresas já estão divulgando os resultados do segundo trimestres deste ano. Sem estes números, os investidores ficam no escuro, com uma incerteza muito grande. O setor já passa por uma situação extremamente complexa, por ter impactada a geração de receita futura, e ainda o erro contábil”, disse.

O CEO da CVC chegou a admitir que a empresa poderia descumprir novamente o prazo de publicação do balanço em reunião com franqueados, em vídeo ao qual o Diário teve acesso, no início deste mês.

Até as 23h30 de ontem, a empresa não havia publicado nenhum fato relevante adiando a divulgação das demonstrações financeiras ou justificando um novo atraso. De acordo com Bertotti, a queda da CVC ontem não foi justificada pela falta dos números, o que deve ser precificado pelo mercado na segunda-feira. “Houve uma interferência dos dados macroeconômicos, o mercado teve uma aversão maior ao risco principalmente pela queda do PIB (Produto Interno Bruto) da zona do euro.”

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), autarquia ligada ao Ministério da Economia e responsável pela fiscalização do mercado de ações, informou que as companhias que não observam os prazos de entrega de informações estão sujeitas a multa (em R$ 1.000 diários) e, se necessário, à apuração de eventuais responsabilidades em processo de natureza sancionadora.


Saída de diretor executivo agrada franqueados

Além das 200 demissões anunciadas no início deste mês, muitos com cargos de chefia, o diretor da CVC Corp Emerson Belan pediu demissão na quinta-feira e deve ser desligado da empresa até novembro. Ontem foi anunciada sua substituta, Daniela Bertoldo, que teve passagem pelo Banco Santander.

Belan estava na empresa havia cinco anos e, atualmente, ocupava cargo de diretor das unidades B2C (business-to-consumer, no inglês, negócios entre a empresa e o consumidor final) da CVC Corp, que incluem a CVC Operadora e a Experimento. A saída foi comemorada por franqueados, de acordo com informações obtidas pelo Diário, já que havia dificuldades no diálogo com os representantes da marca.

Além disso, mais três executivos passaram a integrar a empresa: Melina Vacopoulos Vidaller, assume a nova diretoria de clientes; Marcos Pinheiro, a de desenvolvimento de negócios; e Tulio Maia Oliveira assume a unidades de negócios on-line.
Questionada sobre as informações referentes aos resultados e também mudanças na diretoria, a CVC não se posicionou até o fechamento desta edição. 

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