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Toma lá dá cá marca os 25 anos da Sama

 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Autarquia de Mauá chega ao fim após acordo com Sabesp com histórico de má-gestão e de troca política


Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

22/06/2020 | 07:00


O acordo entre a Prefeitura de Mauá e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Município de Mauá) firmado na semana passada colocou fim a uma autarquia que virou sinônimo de má-gestão e de toma lá dá cá político ao longo de seus 25 anos de atuação. A Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) foi criada em 1994, durante o governo de José Carlos Grecco (PSDB). Entrou em vigor efetivamente em 1995, com a promessa de oferecer serviço de qualidade na distribuição de água – à ocasião, a crítica à atuação da Sabesp era constante. A Sama abriu as portas em dezembro de 1995. Em abril de 1996, reportagem do Diário prenunciava o que virou uma sina para o setor.

A autarquia iniciou sua operação com 72 funcionários. Passados quatro meses, tinha 300. Todos sem concurso público. A maioria indicados do então vice-prefeito Leonel Damo, acusavam vereadores daquela legislatura. Leonel negou e transferiu a responsabilidade das nomeações a José Carlos Agnello, primeiro superinentende do departamento. Agnello alegou que não havia condição de fazer concurso público tão rápido – a lei instituindo a Sama é de setembro de 1994, ou seja, 15 meses antes de atividade à vera.

Não à toa, os dois primeiros balancetes de gestão da Sama foram reprovados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Das 21 avaliações já concluídas pela corte, 12 foram pela reprovação – outras quatro estão pendentes. Diversas figuras conhecidas no meio político administraram a Sama – ou usaram da estrutura seu trampolim. O ex-vice-prefeito Márcio Chaves (ex-PT, atual PSD), número dois de Oswaldo Dias (PT) em duas oportunidades e atualmente secretário de Saúde de Santo André, ficou à frente do setor por quatro anos (1998 a 2001).

A moeda política se intensificou nos anos seguintes. Leonel Damo retornou à Prefeitura de Mauá em 2005. Alocou na Sama seu então genro, José Carlos Orosco (PDT), e, depois, o atual vereador Chiquinho do Zaíra (Avante). No governo Damo, que terminou em 2008, foram superintendentes ainda o ex-vereador Alberto Betão Pereira Justino (morto em 2017), Carlos Thomaz e José Francisco Jacinto, o Icão, resgatado pelo atual prefeito Atila Jacomussi (PSB) para o cargo neste ano.

Em 2008, Oswaldo Dias venceu sua terceira eleição contando com apoio do ex-vereador e ex-prefeito interino Diniz Lopes no segundo turno. Diniz foi agraciado com a Sama. O expediente foi utilizado pelo então deputado estadual Donisete Braga (PDT). Candidato a prefeito pelo PT em 2012, venceu a também então deputada estadual Vanessa Damo (MDB) no segundo turno, com suporte de Atila Jacomussi na etapa final. Atila ficou com a Sama até 2014, quando se elegeu deputado estadual.

O próprio TCE questionou, por diversas vezes, o excesso de cargos em comissão – grande parte preenchidos por indicações políticas. Houve episódio de nomeação na Sama de servidor que atuava em outro departamento. A Sama acumulou dívida de R$ 3,5 bilhões junto à Sabesp por rompimento unilateral de contrato nos anos 1990 e por diferença no pagamento do metro cúbico de água. O contrato recém-assinado prevê que a Sabesp absorverá, por dois anos, os servidores da autarquia mauaense.



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Toma lá dá cá marca os 25 anos da Sama

Autarquia de Mauá chega ao fim após acordo com Sabesp com histórico de má-gestão e de troca política

Raphael Rocha
Do Diário do Grande ABC

22/06/2020 | 07:00


O acordo entre a Prefeitura de Mauá e a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Município de Mauá) firmado na semana passada colocou fim a uma autarquia que virou sinônimo de má-gestão e de toma lá dá cá político ao longo de seus 25 anos de atuação. A Sama (Saneamento Básico do Município de Mauá) foi criada em 1994, durante o governo de José Carlos Grecco (PSDB). Entrou em vigor efetivamente em 1995, com a promessa de oferecer serviço de qualidade na distribuição de água – à ocasião, a crítica à atuação da Sabesp era constante. A Sama abriu as portas em dezembro de 1995. Em abril de 1996, reportagem do Diário prenunciava o que virou uma sina para o setor.

A autarquia iniciou sua operação com 72 funcionários. Passados quatro meses, tinha 300. Todos sem concurso público. A maioria indicados do então vice-prefeito Leonel Damo, acusavam vereadores daquela legislatura. Leonel negou e transferiu a responsabilidade das nomeações a José Carlos Agnello, primeiro superinentende do departamento. Agnello alegou que não havia condição de fazer concurso público tão rápido – a lei instituindo a Sama é de setembro de 1994, ou seja, 15 meses antes de atividade à vera.

Não à toa, os dois primeiros balancetes de gestão da Sama foram reprovados pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado). Das 21 avaliações já concluídas pela corte, 12 foram pela reprovação – outras quatro estão pendentes. Diversas figuras conhecidas no meio político administraram a Sama – ou usaram da estrutura seu trampolim. O ex-vice-prefeito Márcio Chaves (ex-PT, atual PSD), número dois de Oswaldo Dias (PT) em duas oportunidades e atualmente secretário de Saúde de Santo André, ficou à frente do setor por quatro anos (1998 a 2001).

A moeda política se intensificou nos anos seguintes. Leonel Damo retornou à Prefeitura de Mauá em 2005. Alocou na Sama seu então genro, José Carlos Orosco (PDT), e, depois, o atual vereador Chiquinho do Zaíra (Avante). No governo Damo, que terminou em 2008, foram superintendentes ainda o ex-vereador Alberto Betão Pereira Justino (morto em 2017), Carlos Thomaz e José Francisco Jacinto, o Icão, resgatado pelo atual prefeito Atila Jacomussi (PSB) para o cargo neste ano.

Em 2008, Oswaldo Dias venceu sua terceira eleição contando com apoio do ex-vereador e ex-prefeito interino Diniz Lopes no segundo turno. Diniz foi agraciado com a Sama. O expediente foi utilizado pelo então deputado estadual Donisete Braga (PDT). Candidato a prefeito pelo PT em 2012, venceu a também então deputada estadual Vanessa Damo (MDB) no segundo turno, com suporte de Atila Jacomussi na etapa final. Atila ficou com a Sama até 2014, quando se elegeu deputado estadual.

O próprio TCE questionou, por diversas vezes, o excesso de cargos em comissão – grande parte preenchidos por indicações políticas. Houve episódio de nomeação na Sama de servidor que atuava em outro departamento. A Sama acumulou dívida de R$ 3,5 bilhões junto à Sabesp por rompimento unilateral de contrato nos anos 1990 e por diferença no pagamento do metro cúbico de água. O contrato recém-assinado prevê que a Sabesp absorverá, por dois anos, os servidores da autarquia mauaense.

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