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Desabamento atinge
3 casas em S.Bernardo

Acidente ocorreu em área que está sendo urbanizada pela Prefeitura; um homem ficou ferido


Drielly Gaspar
Fábio Munhoz

24/05/2013 | 07:00


Desabamento de imóvel atingiu outras duas residências e feriu homem no início da tarde de ontem em São Bernardo. O acidente ocorreu no Parque São Bernardo, bairro que, desde 2011, passa por obras de urbanização e construção de unidades habitacionais.

Segundo o Corpo de Bombeiros, duas casas foram destruídas - uma totalmente e outra parcialmente. Um terceiro imóvel foi interditado pela Defesa Civil em razão de danos na estrutura.

No momento do desabamento, o metalúrgico Eduardo Mamédio Pereira, 33 anos, dormia na residência que foi mais atingida. O homem, que trabalha durante a noite, passou quase duas horas sob os escombros e sofreu apenas ferimentos leves. Socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), foi levado ao Pronto-Socorro Central. Segundo parentes, à noite Eduardo foi transferido para o Hospital Assunção, onde ficaria em observação.

Sem ter para onde ir, as famílias atingidas tiveram de contar com parentes e vizinhos para passar a noite. "Vou depender do pessoal do bairro", lamenta o pai de Eduardo, o pedreiro Almiro Rodrigues Pereira, 59. Apesar do prejuízo, ele se sente aliviado por não terem ocorrido problemas mais graves. "Meu tesouro maior está protegido, que é minha família."

Para Almiro, o desabamento tem relação com as obras de urbanização contratadas pela Prefeitura e executadas pela empresa Construbase. "Fiquei preocupado porque tiraram muita terra. Eu já tinha avisado para os encarregados que eles estavam mexendo muito no baldrame. Mas eles falaram que não tinha problema, que era terra firme." Baldrame é uma viga de fundação que liga as paredes do imóvel em contato com o solo, explica o coordenador do curso de Engenharia Civil da FEI (Fundação Educacional Inaciana), Kurt Amann.

Segundo Almiro, ontem, antes do desabamento, funcionários faziam escavação ao lado do imóvel para construção de muro de arrimo. "Ainda hoje (ontem) avisei o pessoal da obra que balançou quando mexeram no baldrame. Quando a máquina encostava, balançava." O proprietário diz ainda que a casa passou a tremer com mais frequência depois que, em novembro, outro imóvel foi demolido no terreno ao lado.

A secretária da Habitação de São Bernardo, Tássia Regino, nega que as obras tenham provocado o acidente. Segundo ela, houve reforma recente na casa de Almiro, o que pode ter gerado problemas. "Não sabemos qual era o peso que estava sendo colocado ali. O terreno não aguentaria e o morador já tinha orientação para não construir mais nada", rebate. Representantes da Construbase não quiseram se manifestar.

Prefeitura adia entrega de unidades habitacionais no Parque São Bernardo

O desmoronamento que atingiu três casas na Rua 26 de Março, ontem, acabou por afetar outras 120 famílias do Parque São Bernardo. Elas receberiam hoje os apartamentos do conjunto habitacional que está sendo construído no bairro, mas a entrega foi cancelada devido ao incidente. A Prefeitura de São Bernardo informou que a nova data da mudança ainda não foi marcada.

O Parque São Bernardo é uma das favelas mais antigas e populosas da região, formada há cinco décadas. Em julho de 2011, o prefeito Luiz Marinho (PT) assinou ordem de serviço que deu início às obras de urbanização, orçadas em R$ 105 milhões. Do total de recursos, R$ 62,4 milhões são provenientes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

O projeto prevê a implementação de redes de água, esgoto e energia elétrica, abertura de ruas, pavimentação e drenagem. Concluídas as melhorias da infraestrutura, o bairro receberá escola, creche e áreas de lazer e convivência, uma das principais reivindicações dos moradores.

Ao todo, cerca de 3.200 famílias serão beneficiadas pelo programa, que atenderá o Parque São Bernardo e os vizinhos Alto da Bela Vista e Novo Parque. Outras 778, que foram removidas de área de risco, serão transferidas para o conjunto habitacional, que teve as 76 primeiras unidades entregues em novembro.

De acordo com a secretária de Habitação, Tássia Regino, existiam, inicialmente 242 casas em situação de risco, mas boa parte já foi removida e os riscos estão sendo diminuídos. "Ainda há 113 casas em situação de risco, mas já estamos trabalhando para que essas famílias sejam removidas e o risco minimizado." Segundo ela, cada família que precisar sair da área receberá auxílio-aluguel.

Após a tragédia, moradores temem novos desabamentos. "Depois da queda, surgiram rachaduras na parede da minha casa. A Defesa Civil veio aqui, disse que não havia risco, mas continuo assustada", diz a operadora de caixa Maria Vilma Santos, 32 anos.

A casa localizada em cima do imóvel atingido, na Rua 2 de Fevereiro, foi interditada. "Vamos ter que ir para a casa da minha cunhada. A Prefeitura nos prometeu pagar auxílio-aluguel", diz o padeiro Ronivon Antônio de Almeida, 28. Segundo o Corpo de Bombeiros, a interdição é necessária porque a remoção dos escombros pode abalar a estrutura.



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