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Falta de transporte pára tratamento de paciente de Sto.André
Valéria Cabrera
Do Diário do Grande ABC
11/05/2005 | 11:36
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Márcia Alves Sampaio, 39 anos, moradora de Santo André que desde 2001 se locomove em cadeira de rodas por ter fraturado a coluna cervical, acusa a Prefeitura de provocar a interrupção de seu tratamento no HC (Hospital das Clínicas), em São Paulo. Márcia diz que desde o início deste ano a Prefeitura não disponibiliza transporte adequado para levá-la até a capital, onde faz fisioterapia e exames periódicos. A administração alega que a paciente exige transporte individual, mas é necessário “atender toda a população com essa necessidade”.

A história de Márcia é dramática. Ela teve paralisia infantil aos cinco meses de idade. A doença prejudicou o movimento de suas pernas. Como na época não havia atendimento especializado na região, Márcia foi encaminhada para tratamento no Hospital das Clínicas. Depois de várias cirurgias, ela voltou a andar com a ajuda de aparelhos. Em 1994, logo após conseguir emprego como telefonista, sofreu acidente em São Caetano, quando retornava de uma consulta no HC. O veículo da Prefeitura que fazia o transporte bateu de frente com um ônibus.

Márcia sofreu fraturas múltiplas nas duas pernas e todo a evolução do tratamento foi por água abaixo. Ela parou de andar e o tratamento em São Paulo foi interrompido. Em 2001, voltou ao HC e retomou o tratamento. “O médico garantiu que eu voltaria a andar.” Mais uma vez, porém, ao retornar de uma consulta na capital em um veículo da Prefeitura, sofreu outro acidente. Segundo Márcia, o motorista do veículo dirigia em alta velocidade e, por ocasião de uma freada brusca, ela bateu a cabeça no encosto da maca e fraturou a coluna. Márcia afirma que estava com cinto de segurança apenas na altura dos joelhos, pois não havia outro no veículo. Desde então, ela não tem mais sensibilidade nas pernas, entre outras seqüelas. Um processo contra a Prefeitura corre na Justiça.

Segundo Márcia, o tratamento agora é voltado à fratura na coluna. “Tenho de fazer fisioterapia duas vezes por semana, além de consultas e exames. Até o fim do ano passado, sempre davam um jeito de arrumar um veículo. Mas no início deste ano, a situação ficou complicada.” A assessoria de imprensa da Prefeitura de Santo André informa que há registros de que o transporte de Márcia para São Paulo foi feito nos dias 22 e 23 de março. Em abril, o serviço foi solicitado para os dias 19, 26 e 28, mas Márcia teria recusado porque não queria dividir o carro com outra pessoa.

Márcia nega parcialmente as alegações da Prefeitura. “Em março, perdi as consultas marcadas porque o veículo não apareceu para me pegar. Em abril, mandaram uma van cheia de gente, onde eu não poderia colocar minha cadeira de rodas. Além disso, não tinha como me acomodar no veículo, pois não consigo dobrar minhas pernas”, explica. A assessoria de imprensa confirma que não pode fornecer transporte individual para cadeirantes que recebem tratamento médico em São Paulo. Atualmente, a Kombi que faz o transporte de pacientes para São Paulo leva até 12 pessoas por viagem, entre pacientes e acompanhantes.

Ainda de acordo com a assessoria, Márcia poderia viajar sem a cadeira de rodas e receber o equipamento no Hospital das Clínicas na chegada. O transporte individual e exclusivo, segundo a Prefeitura, não está previsto.

Colaborou Adriana Gomes



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