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Zélia Gattai vem ao Grande ABC na segunda


Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

30/11/2002 | 16:45


Uma das grandes virtudes dos livros da escritora Zélia Gattai é a vivacidade de suas memórias, que resgatam passagens de sua juventude e registram detalhes interessantes da sociedade na primeira metade do século XX. Nessas histórias, está inserido o Grande ABC, mais precisamente São Caetano, para onde Zélia vinha visitar uma prima. Depois de tantos anos casada com Jorge Amado (1912-2001), morando na Bahia, distanciou-se da região. Mas, nesta segunda-feira ela está de volta, com presença confirmada na inauguração da escultura que homenageia seu marido na Alpharrabio Livraria e Editora, em Santo André.

Em sua obra, Zélia fala de seus tios da família Da Col que moravam em São Caetano e lembra de algumas características geográficas do local. Ela vivia na alameda Santos, em São Paulo, onde nasceu em 1916, e vinha para a cidade da região poucas vezes.

Em entrevista ao Diário, a escritora recorda os passeios: “Era uma viagem de trem demorada, de perder o sono. Vínhamos numa Maria Fumaça, sacolejando e parando em todas estações, Mooca, Ipiranga. Eu e minha mãe trazíamos um farnel com muito queijo e vinho tinto italiano. Chegávamos em São Caetano e pegávamos a jardineira. Não existia ônibus e havia pouquíssimas casas. O pessoal da jardineira anunciava o destino: Vila Barcelona”.

Zélia lembra ainda dos bailes que freqüentava em um clube de futebol, em São Caetano, onde ela e a prima tinham seus “amiguinhos”. Apesar das boas recordações, ela não pretende voltar a nenhum lugar de sua infância nesta passagem pela região. “Meu tempo aqui é limitado, quarta-feira volto para a Bahia. Mas também não daria para recordar nada, afinal tudo já está mudado”, afirma.

São Paulo a surpreende em cada visita. “Cada vez que venho aqui, me assombro. Nasci numa época em que não havia arranha-céus e as ruas eram iluminadas a lampião de gás”, diz.

Uma outra lembrança a deixa muito feliz: “Meu pai tirou a carteira de motorista nº8 e foi a primeira pessoa a descer e subir a Serra do Mar. Ele ia abrindo picadas, dinamitando pedras. Era um bom corredor de automóvel, competia pela Alfa Romeo. Eu tinha muito orgulho de ler nos jornais: Ernesto Gattai, o pulso de ferro”.

ABC hoje – Seu laço atual com São Caetano chama-se Rafael Zaia, bisneto de sua prima Alféa. “Um dia ele me telefonou e ficamos amiguinhos. Gosto muito do time do São Caetano, me tornei torcedora, e quando o time ganha Rafael me liga”, afirma Zélia.

A escritora faz questão de falar de uma personalidade que ficou conhecida por sua atuação no Grande ABC. “O Lula é a prova de que uma pessoa evolui quando tem valor. Confio no governo dele, mas ele não pode fazer milagre. As coisas não podem ser resolvidas de um dia para o outro, por isso todos devem apoiá-lo”, diz.

Inauguração – A escultura ABC de Jorge tem 2m de altura e é assinada pelo artista plástico Ricardo Amadasi. A inauguração acontece nesta segunda, às 19h, na Alpharrabio (r. Eduardo Monteiro, 151. Tel.: 4438-4358), em Santo André. A única informação que Zélia tem sobre a obra é o tamanho. “É mais alto do que Jorge era”, afirma, rindo. O trabalho de Amadasi, a escritora só conheceu o mês passado por meio de um catálogo. “Achei as obras muito bonitas e de qualidade. É um artista que tem sensibilidade”, diz.

Zélia confirmou à reportagem sua presença e deve vir acompanhada dos filhos Paloma e João Jorge. Ela fica sempre feliz com homenagens ao marido. “É um reconhecimento, é o amor que continua”, afirma a escritora.

No mesmo evento, haverá o lançamento simbólico do selo Jorge Amado – A Bahia em Letras, da série Literatura Brasileira, dos Correios. A livraria abrigará também uma exposição de selos alusivos à literatura, até 31 de janeiro.



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Zélia Gattai vem ao Grande ABC na segunda

Nelson Albuquerque
Do Diário do Grande ABC

30/11/2002 | 16:45


Uma das grandes virtudes dos livros da escritora Zélia Gattai é a vivacidade de suas memórias, que resgatam passagens de sua juventude e registram detalhes interessantes da sociedade na primeira metade do século XX. Nessas histórias, está inserido o Grande ABC, mais precisamente São Caetano, para onde Zélia vinha visitar uma prima. Depois de tantos anos casada com Jorge Amado (1912-2001), morando na Bahia, distanciou-se da região. Mas, nesta segunda-feira ela está de volta, com presença confirmada na inauguração da escultura que homenageia seu marido na Alpharrabio Livraria e Editora, em Santo André.

Em sua obra, Zélia fala de seus tios da família Da Col que moravam em São Caetano e lembra de algumas características geográficas do local. Ela vivia na alameda Santos, em São Paulo, onde nasceu em 1916, e vinha para a cidade da região poucas vezes.

Em entrevista ao Diário, a escritora recorda os passeios: “Era uma viagem de trem demorada, de perder o sono. Vínhamos numa Maria Fumaça, sacolejando e parando em todas estações, Mooca, Ipiranga. Eu e minha mãe trazíamos um farnel com muito queijo e vinho tinto italiano. Chegávamos em São Caetano e pegávamos a jardineira. Não existia ônibus e havia pouquíssimas casas. O pessoal da jardineira anunciava o destino: Vila Barcelona”.

Zélia lembra ainda dos bailes que freqüentava em um clube de futebol, em São Caetano, onde ela e a prima tinham seus “amiguinhos”. Apesar das boas recordações, ela não pretende voltar a nenhum lugar de sua infância nesta passagem pela região. “Meu tempo aqui é limitado, quarta-feira volto para a Bahia. Mas também não daria para recordar nada, afinal tudo já está mudado”, afirma.

São Paulo a surpreende em cada visita. “Cada vez que venho aqui, me assombro. Nasci numa época em que não havia arranha-céus e as ruas eram iluminadas a lampião de gás”, diz.

Uma outra lembrança a deixa muito feliz: “Meu pai tirou a carteira de motorista nº8 e foi a primeira pessoa a descer e subir a Serra do Mar. Ele ia abrindo picadas, dinamitando pedras. Era um bom corredor de automóvel, competia pela Alfa Romeo. Eu tinha muito orgulho de ler nos jornais: Ernesto Gattai, o pulso de ferro”.

ABC hoje – Seu laço atual com São Caetano chama-se Rafael Zaia, bisneto de sua prima Alféa. “Um dia ele me telefonou e ficamos amiguinhos. Gosto muito do time do São Caetano, me tornei torcedora, e quando o time ganha Rafael me liga”, afirma Zélia.

A escritora faz questão de falar de uma personalidade que ficou conhecida por sua atuação no Grande ABC. “O Lula é a prova de que uma pessoa evolui quando tem valor. Confio no governo dele, mas ele não pode fazer milagre. As coisas não podem ser resolvidas de um dia para o outro, por isso todos devem apoiá-lo”, diz.

Inauguração – A escultura ABC de Jorge tem 2m de altura e é assinada pelo artista plástico Ricardo Amadasi. A inauguração acontece nesta segunda, às 19h, na Alpharrabio (r. Eduardo Monteiro, 151. Tel.: 4438-4358), em Santo André. A única informação que Zélia tem sobre a obra é o tamanho. “É mais alto do que Jorge era”, afirma, rindo. O trabalho de Amadasi, a escritora só conheceu o mês passado por meio de um catálogo. “Achei as obras muito bonitas e de qualidade. É um artista que tem sensibilidade”, diz.

Zélia confirmou à reportagem sua presença e deve vir acompanhada dos filhos Paloma e João Jorge. Ela fica sempre feliz com homenagens ao marido. “É um reconhecimento, é o amor que continua”, afirma a escritora.

No mesmo evento, haverá o lançamento simbólico do selo Jorge Amado – A Bahia em Letras, da série Literatura Brasileira, dos Correios. A livraria abrigará também uma exposição de selos alusivos à literatura, até 31 de janeiro.

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