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Encontro de gerações

Pequenos no tamanho, o jovem Smart Fortwo e o experiente Mini-Dacon 828 são gigantes na arte de conquistar


Marcelo Monegato
Do Diário do Grande ABC

22/07/2009 | 07:00


Não. Definitivamente não se trata de um comparativo! Não colocaríamos frente a frente dois veículos com exatos 25 anos de diferença. No entanto, caso tivessem a mesma idade, Smart Fortwo (2009) e Mini-Dacon 828 (1984) poderiam travar um duelo interessantíssimo por apresentarem diversas características em comum. E não estamos falando somente do tamanho, mecânica ou mesmo design, mas também de detalhes que vão além de uma ficha técnica.

A primeira semelhança é a simpatia. Não existe uma pessoa que não se encante com os carrinhos. Nas calçadas, os pedestres apontam, cutucam o amigo ao lado, abrem um sorriso. Nos semáforos, motoristas emparelham os carros, esticam o pescoço e tentam bisbilhotar. Às vezes, dirigindo-os, nos sentimos celebridades, apesar de figurarmos apenas entre os coadjuvantes.

Outra afinidade entre Smart e 828 é o valor agregado. A imagem que transmitem. Quando lançado, o Dacon, devido à produção semiartesanal, custava muito caro. Demorava-se cerca de dois meses para fazer uma só unidade. Por isso, as pessoas que o possuíam eram, sem dúvida, bem-sucedidas. O Smart, aqui no Brasil, parte de R$ 57,6 mil, e, assim como o 828, exala status. O mesmo, porém, não ocorre na Europa, onde ter um Smart é estar em sintonia com o meio ambiente.

Agora, o Diário convida a conhecer melhor cada um desses pequeninos. E para que eles - os carros - não se sentissem diminuídos diante dos arranha-céus do Grande ABC, nós os levamos à Sabina Escola Parque do Conhecimento de Santo André, onde puderam dar algumas voltinhas na minicidade andreense e conhecer a Prefeitura, o Teatro Municipal, o calçadão da Oliveira Lima...

Não parece, mas é espaçoso

Econômico, prático e ecologicamente correto. Assim surgiu o carro da Smart na Europa, em 1998. Diferente do restante, com propostas ousadas e até então pouco difundidas, a marca cresceu e ganhou notoriedade, especialmente com o Fortwo.

Importado oficialmente para o Brasil pela Mercedes-Benz, detentora da Smart, o carrinho é um conquistador. Não barato, mas caro. A versão cupê, avaliada pelo Diário, parte de R$ 57,9 mil.

O design chama a atenção. Para falar a verdade, é o grande atributo do pequenino. A dianteira traz conjunto óptico que invade a lateral. Olhando de lado, a estrutura em forma de bumerangue - em cor diferenciada - e a dimensão das portas impressionam. A maçaneta, por exemplo, fica localizada muito próximo à traseira, afinal, são somente 2,69 m de comprimento - 1,87 m de distância entre os eixos.

A traseira é simples. Destaque para as lanternas arredondadas. O teto, por fim, encanta por ser panorâmico.

O interior é exclusivo, único e com bom acabamento. O conta-giros e o relógio - analógicos - estão localizados na parte superior do painel. O painel de instrumentos tem velocímetro grande e leitor digital.

O espaço é excelente - lembrando que o Fortwo não é pequeno, mas feito para dois ocupantes. Mesmo as pessoas com mais de 1,80 m sentem-se bastante confortáveis.

Entre os itens de série, destaque para o ar-condicionado automático, direção com assistência elétrica, freios com ABS, rodas de liga leve 15 polegadas, air bag duplo frontal e lateral, entre outros.

Andando, o Smart agrada. O motor 1.0 12V turbo é esperto. Também, são 12,2 mkgf de torque empurrando só 770 quilos. E o consumo surpreende: 15,6 km/l na cidade!

O ponto negativo fica para a transmissão automatizada de cinco velocidades, com opção de trocas pela alavanca ou borboletas atrás do volante. As mudanças são lentas, o que gera grande desconforto.

Conclusão: O Smart Fortwo é bastante divertido. No entanto, pelo preço, talvez esteja somente entre a terceira ou quarta opção de um comprador muito bem-sucedido.

Relíquia a ser preservada

Nascido no início da década de 1980 de uma parceria entre o proprietário da Dacon, Paulo Goulart, e o designer automotivo Anísio Campos, o Mini-Dacon 828 teve uma trajetória meteórica, mas suficiente para colecionar diversos admiradores por todo o Brasil.

Um desses fanáticos pelo carrinho é João Batista Sanchez, morador de Santo André e proprietário de um 828 amarelo 1984 original. "Este é o número 36 dos 47 Dacons produzidos. A cor original era vermelha", revela orgulhoso o dono da relíquia.

Adquirido em outubro de 2001, após longa negociação com o ex-proprietário, o pequeno chegou ao Grande ABC totalmente destruído. "Ele (Mini-Dacon) era usado como buggy nas dunas de Belém do Pará. Tirei um balde e meio de areia dele", lembra.

"Para você ter uma ideia do estado deplorável do carro, quando o levei para casa, após tirá-lo do caminhão que o trouxe, percebi que não tinha freio. Quase bati".

Do 828 que era judiado no norte do País, somente chassis, bolha e a transmissão de quatro marchas foram aproveitados. O resto foi tudo trocado. "Comprei um motor Volks 1.600 novinho, como o original".

As lanternas traseiras são de Kombi, mas usadas na horizontal. Na dianteira, os piscas também são da perua Volks, mas os faróis - assim como os retrovisores externos - são do Passat. Até um para-brisa teve que ser substituído.

Internamente, algumas coisas foram modificadas e melhoradas. O painel é do Gol quadradinho. As maçanetas das portas e o freio de mão são do Corcel I.

A parte de tapeçaria é a única que não seguiu à risca os padrões Dacon. "O banco para três pessoas era desconfortável. Preferi usar dois bancos (revestidos em couro) do Corsa", detalha. "E todo o design foi desenvolvido pelo Danilo, meu filho", completa o pai, todo sorridente.

Rodando, Sanchez revela algumas particularidades. "Gosto de viajar, junto com a minha esposa, para São José dos Campos (SP). Ele vai bem. É confortável, Tem motor, mas não tem aerodinâmica. Vou a uma média de 100 km/h. Mais que isso é perigoso", alerta.



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