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Inevitável comparação entre os dois papas


Do Diário do Grande ABC

06/05/2007 | 07:16


Um é considerado conservador, individualista e intelectual. O outro, a personificação da Igreja Católica na Idade Contemporânea e uma das maiores personalidades da história. Com a visita do papa Bento XVI ao Brasil, as comparações com o seu antecessor João Paulo II são inevitáveis.

“É difícil fazer uma comparação, pois são duas culturas totalmente diferentes. Eles até podem ser marcados por experiências comuns, mas existem muitas distinções. Bento XVI é um professor e tem gestos mais contidos. Já João Paulo II era um grande comunicador de massas. Cada um deve ter o seu espaço”, afirma Fernando Altemeyer, professor, teólogo e ouvidor da PUC-SP ( Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Na prática, os dois estavam próximos, inseridos na mais alta esfera do poder do Vaticano, um guardião da doutrina e o outro como papa. A influência de Joseph Ratzinger começou muito antes, ainda no Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965. Concílios são os encontros mais importantes na agenda religiosa, pois reúnem os representantes sacerdotais de todos os países para reavaliar os rumos da religião.

Naqueles três anos, em Roma, o ainda cardeal Paulo VI apontou dois nomes fundamentais na vanguarda das discussões: Ratzinger e Hans Küng, ambos professores de Teologia na Alemanha. Na época, Ratzinger era visto como integrante da ala progressista, que seria simpático até a revisão de temas como o celibato obrigatório dos sacerdotes e o primado do papa. Mas, o ímpeto renovador dos anos 60, o fortalecimento do marxismo e o crescimento da tendência revisionista de todas as normas da Igreja teriam feito o professor progressista recuar e adotar uma postura conservadora, voltada para a ortodoxia da fé cristã.

Em 1979, Küng foi cassado. Em 1982, Ratzinger assumiu o posto de chefe da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, responsável pela observação ortodoxa dos preceitos da doutrina. Foi sob sua gestão que o frei Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, foi condenado em 1984 ao silêncio obsequioso. Boff deixou a ordem franciscana e hoje é professor universitário no Rio de Janeiro.

Enquanto Bento XVI completou apenas dois anos de pontificado, marcado por doses de conservadorismo e por uma grande polêmica com os muçulmanos (taxando a religião de irracional e depois se desculpando), João Paulo II se destacou pelos 26 anos que liderou a Igreja e sua atuação política no período, chegando a ser fonte de consulta obrigatória dos líderes das superpotências durante a Guerra Fria.

O polonês Karol Wojtyla era o papa peregrino, já que esteve em 129 países, percorreu mais de 1,2 milhão de quilômetros, o suficiente para dar quase 30 voltas ao redor da Terra. Esteve três vezes no Brasil – em 1980, 1991 e 1997 – e atraiu verdadeiras multidões. Apenas na primeira vez, percorreu 13 cidades em 12 dias. O marco de suas visitas ao País foi a música A bênção, João de Deus.

Seu funeral, em 2005, mobilizou chefes de Estado, líderes religiosos de diversas nacionalidades e ideologias e três milhões de fiéis que foram a Roma para se despedir do pontífice. A multidão, que esteve presente na Praça de São Pedro, pediu a sua canonização.

O término da primeira fase do processo de beatificação, passo inicial para a santidade, ocorreu em abril. A rapidez com a qual esta etapa foi superada não tem precedentes na história da Igreja em muitos séculos. João Paulo II fez 482 canonizações e 1.338 beatificações.


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Inevitável comparação entre os dois papas

Do Diário do Grande ABC

06/05/2007 | 07:16


Um é considerado conservador, individualista e intelectual. O outro, a personificação da Igreja Católica na Idade Contemporânea e uma das maiores personalidades da história. Com a visita do papa Bento XVI ao Brasil, as comparações com o seu antecessor João Paulo II são inevitáveis.

“É difícil fazer uma comparação, pois são duas culturas totalmente diferentes. Eles até podem ser marcados por experiências comuns, mas existem muitas distinções. Bento XVI é um professor e tem gestos mais contidos. Já João Paulo II era um grande comunicador de massas. Cada um deve ter o seu espaço”, afirma Fernando Altemeyer, professor, teólogo e ouvidor da PUC-SP ( Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Na prática, os dois estavam próximos, inseridos na mais alta esfera do poder do Vaticano, um guardião da doutrina e o outro como papa. A influência de Joseph Ratzinger começou muito antes, ainda no Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965. Concílios são os encontros mais importantes na agenda religiosa, pois reúnem os representantes sacerdotais de todos os países para reavaliar os rumos da religião.

Naqueles três anos, em Roma, o ainda cardeal Paulo VI apontou dois nomes fundamentais na vanguarda das discussões: Ratzinger e Hans Küng, ambos professores de Teologia na Alemanha. Na época, Ratzinger era visto como integrante da ala progressista, que seria simpático até a revisão de temas como o celibato obrigatório dos sacerdotes e o primado do papa. Mas, o ímpeto renovador dos anos 60, o fortalecimento do marxismo e o crescimento da tendência revisionista de todas as normas da Igreja teriam feito o professor progressista recuar e adotar uma postura conservadora, voltada para a ortodoxia da fé cristã.

Em 1979, Küng foi cassado. Em 1982, Ratzinger assumiu o posto de chefe da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, responsável pela observação ortodoxa dos preceitos da doutrina. Foi sob sua gestão que o frei Leonardo Boff, da Teologia da Libertação, foi condenado em 1984 ao silêncio obsequioso. Boff deixou a ordem franciscana e hoje é professor universitário no Rio de Janeiro.

Enquanto Bento XVI completou apenas dois anos de pontificado, marcado por doses de conservadorismo e por uma grande polêmica com os muçulmanos (taxando a religião de irracional e depois se desculpando), João Paulo II se destacou pelos 26 anos que liderou a Igreja e sua atuação política no período, chegando a ser fonte de consulta obrigatória dos líderes das superpotências durante a Guerra Fria.

O polonês Karol Wojtyla era o papa peregrino, já que esteve em 129 países, percorreu mais de 1,2 milhão de quilômetros, o suficiente para dar quase 30 voltas ao redor da Terra. Esteve três vezes no Brasil – em 1980, 1991 e 1997 – e atraiu verdadeiras multidões. Apenas na primeira vez, percorreu 13 cidades em 12 dias. O marco de suas visitas ao País foi a música A bênção, João de Deus.

Seu funeral, em 2005, mobilizou chefes de Estado, líderes religiosos de diversas nacionalidades e ideologias e três milhões de fiéis que foram a Roma para se despedir do pontífice. A multidão, que esteve presente na Praça de São Pedro, pediu a sua canonização.

O término da primeira fase do processo de beatificação, passo inicial para a santidade, ocorreu em abril. A rapidez com a qual esta etapa foi superada não tem precedentes na história da Igreja em muitos séculos. João Paulo II fez 482 canonizações e 1.338 beatificações.

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