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Playboy faz leilão para comemorar seus 50 anos


Randy Kennedy
Do New York Times

15/12/2003 | 19:56


Na quinta-feira da semana passada, em um hotel de Nova York, conforme o homem de pijama folheava suas antigas agendas de telefone pela primeira vez em 40 anos, os nomes que surgiam não eram simplesmente nomes antigos: Richard Avedon, Oleg Cassini, Nat King Cole e Rona Jaffe, por exemplo.

Então ele passou por um nome que realmente trouxe algumas recordações: “Loirona do Wild Women of Wongo”. Ele sorriu e explicou: “Um filme sem orçamento produzido em Miami”. E a loira? “Não tenho idéia”, respondeu com ar saudosista, “certamente eu nunca consegui seu número”.

Com tantos pesares, este não chega a ser um drama como o fracasso de Dante em conquistar Beatrice. E, como documentos, aqueles que estavam na mesa do hotel não eram bem como as primeiras edições de um Fitzgerald. Mas por pertencerem a Hugh Marston Hefner são bem mais que antigas agendas de telefone. São pequenos livros pretos do homem que praticamente inventou o pequeno livro preto – junto com, é claro, toda uma nova fantasia estética para o homem moderno e uma revista (nada menos que a Playboy) que, aos 50 anos, ainda é a mais vendida do mundo.

As pequenas agendas, antes úteis para um rápido encontro em uma noite de sábado em Chicago, hoje são relíquias históricas – até mesmo para Hefner, fato que ele demonstra com uma mistura de orgulho, humor e um toque de tristeza. “Imagine minha decepção quando eu ligo para esses números e ninguém está em casa”, disse.

Pregão – Mas nesta quarta alguém deve pagar pelo menos US$ 10 mil (esse é o lance mínimo) por cada uma dessas listas de nomes velhos e números desconectados em um leilão na Christie’s de Nova York. O pregão, além desse lote, terá ainda cerca de 300 manuscritos, cartas, fotografias, desenhos, objetos de arte e outras recordações – se é que se pode chamar assim uma limusine preta – dos arquivos da Playboy, fundada por Hefner em 1953, em Chicago.

O leilão, que é parte das comemorações de aniversário da revista, apresenta uma colagem dos pontos altos e baixos da cultura norte-americana na última metade do século XX: cartas de Frank Sinatra, Ayn Rand, Timothy Leary, Barry Goldwater; desenhos de Little Annie Fanny; um manuscrito original datilografado por Jack Kerouac, com suas correções à mão; um nu fotográfico de Sophia Loren; o desenho de uma borboleta de Vladimir Nabokov; e um retrato a óleo de Telly Savalas parecendo um Buda listrado.

Outras atrações são os pertences pessoais de Hefner. Ainda no hotel, quando um funcionário da Christie’s sugeriu levar um desenho ou dois para que ele relembrasse dos fatos como um pai em um porão abandonado – mas na presença de um repórter para registrar o momento, é claro –, o editor-empresário concordou.

Por volta das 13h30, Hefner, 77 anos, um pouco sonolento e resfriado, deixou seu quarto vestindo o uniforme que seu público esperava: calça preta de pijama de seda, chinelos pretos e uma jaqueta vinho. No meio de um mar de atendentes – empresários, seguranças, arquivistas, fotógrafos e duas jovens namoradas loiras – ele era a única pessoa serena na sala.

Primeiro Hefner admirou um desenho feito por ele mesmo nos primeiros anos da revista. Também discutiu a procedência de algumas cartas antigas – uma, de Fred Astaire, protesta educadamente que uma fotografia dele com uma taça de champanhe havia aparecido na revista. “Eu não gosto de champanhe”, escreveu o ator e bailarino.

Dias de glória – As conversas no hotel, no entanto, invariavelmente voltavam ao assunto dos pequenos livros pretos. Hefner contou que usou suas informações de 1956 até o início da década de 60. Segundo ele, as agendas são uma crônica resumida de sua vida naqueles dias de glória, enquanto a revista ganhava notoriedade e muitos leitores e os clubes Playboy eram abertos em todo o território norte-americano.

Os livros pretos contêm nomes e números de telefone de pessoas influentes, como Peter Arno, o cartunista, e Samson Raphaelson, que escreveu a peça The Jazz Singer em 1925 e foi um dos instrutores de Hefner na Universidade de Illinois. As pessoas que figuram nas listas conduziram a conversas que variaram de Ernst Lubitsch a Pablo Picasso e ao Instituto de Arte de Chicago. Depois, de forma natural, o assunto predominante foi nudez.

Entre tantas anotações, constam: “Hoje: garota latina”; “Não esquecer”, ao lado do número de Colleen Farrington, mãe da atriz Diane Lane e coelhinha da Playboy na década de 50; e “Vinho no final da noite”. “Parece sexo no meio da noite”, comentou Hefner.

Perguntado sobre a possibilidade de as agendas serem compradas por outra pessoa, o magnata da Playboy, sério, disse: “Para ser franco, se elas não estivessem no leilão, eu não as venderia”. Depois, explicou, que não sabia exatamente onde elas ficaram guardadas desde os anos 60 ou como elas foram parar no leilão.

Ao fim da entrevista, Hefner voltou para seu quarto enquanto os arquivistas da Christie’s reuniram os lotes espalhados pela mesa, inclusive as pequenas agendas pretas. Pouco depois, o magnata reapareceu, falante novamente. Segurava um chaveiro de plástico com Gumby, personagem do desenho animado, em uma pose sexy. Embaixo do personagem estavam as palavras: “Gumby. O Boneco de Barro do Ano”. Hefner parecia extasiado e, olhando para Gumby, comentou: “Nós já passamos por muito, baby”.



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Playboy faz leilão para comemorar seus 50 anos

Randy Kennedy
Do New York Times

15/12/2003 | 19:56


Na quinta-feira da semana passada, em um hotel de Nova York, conforme o homem de pijama folheava suas antigas agendas de telefone pela primeira vez em 40 anos, os nomes que surgiam não eram simplesmente nomes antigos: Richard Avedon, Oleg Cassini, Nat King Cole e Rona Jaffe, por exemplo.

Então ele passou por um nome que realmente trouxe algumas recordações: “Loirona do Wild Women of Wongo”. Ele sorriu e explicou: “Um filme sem orçamento produzido em Miami”. E a loira? “Não tenho idéia”, respondeu com ar saudosista, “certamente eu nunca consegui seu número”.

Com tantos pesares, este não chega a ser um drama como o fracasso de Dante em conquistar Beatrice. E, como documentos, aqueles que estavam na mesa do hotel não eram bem como as primeiras edições de um Fitzgerald. Mas por pertencerem a Hugh Marston Hefner são bem mais que antigas agendas de telefone. São pequenos livros pretos do homem que praticamente inventou o pequeno livro preto – junto com, é claro, toda uma nova fantasia estética para o homem moderno e uma revista (nada menos que a Playboy) que, aos 50 anos, ainda é a mais vendida do mundo.

As pequenas agendas, antes úteis para um rápido encontro em uma noite de sábado em Chicago, hoje são relíquias históricas – até mesmo para Hefner, fato que ele demonstra com uma mistura de orgulho, humor e um toque de tristeza. “Imagine minha decepção quando eu ligo para esses números e ninguém está em casa”, disse.

Pregão – Mas nesta quarta alguém deve pagar pelo menos US$ 10 mil (esse é o lance mínimo) por cada uma dessas listas de nomes velhos e números desconectados em um leilão na Christie’s de Nova York. O pregão, além desse lote, terá ainda cerca de 300 manuscritos, cartas, fotografias, desenhos, objetos de arte e outras recordações – se é que se pode chamar assim uma limusine preta – dos arquivos da Playboy, fundada por Hefner em 1953, em Chicago.

O leilão, que é parte das comemorações de aniversário da revista, apresenta uma colagem dos pontos altos e baixos da cultura norte-americana na última metade do século XX: cartas de Frank Sinatra, Ayn Rand, Timothy Leary, Barry Goldwater; desenhos de Little Annie Fanny; um manuscrito original datilografado por Jack Kerouac, com suas correções à mão; um nu fotográfico de Sophia Loren; o desenho de uma borboleta de Vladimir Nabokov; e um retrato a óleo de Telly Savalas parecendo um Buda listrado.

Outras atrações são os pertences pessoais de Hefner. Ainda no hotel, quando um funcionário da Christie’s sugeriu levar um desenho ou dois para que ele relembrasse dos fatos como um pai em um porão abandonado – mas na presença de um repórter para registrar o momento, é claro –, o editor-empresário concordou.

Por volta das 13h30, Hefner, 77 anos, um pouco sonolento e resfriado, deixou seu quarto vestindo o uniforme que seu público esperava: calça preta de pijama de seda, chinelos pretos e uma jaqueta vinho. No meio de um mar de atendentes – empresários, seguranças, arquivistas, fotógrafos e duas jovens namoradas loiras – ele era a única pessoa serena na sala.

Primeiro Hefner admirou um desenho feito por ele mesmo nos primeiros anos da revista. Também discutiu a procedência de algumas cartas antigas – uma, de Fred Astaire, protesta educadamente que uma fotografia dele com uma taça de champanhe havia aparecido na revista. “Eu não gosto de champanhe”, escreveu o ator e bailarino.

Dias de glória – As conversas no hotel, no entanto, invariavelmente voltavam ao assunto dos pequenos livros pretos. Hefner contou que usou suas informações de 1956 até o início da década de 60. Segundo ele, as agendas são uma crônica resumida de sua vida naqueles dias de glória, enquanto a revista ganhava notoriedade e muitos leitores e os clubes Playboy eram abertos em todo o território norte-americano.

Os livros pretos contêm nomes e números de telefone de pessoas influentes, como Peter Arno, o cartunista, e Samson Raphaelson, que escreveu a peça The Jazz Singer em 1925 e foi um dos instrutores de Hefner na Universidade de Illinois. As pessoas que figuram nas listas conduziram a conversas que variaram de Ernst Lubitsch a Pablo Picasso e ao Instituto de Arte de Chicago. Depois, de forma natural, o assunto predominante foi nudez.

Entre tantas anotações, constam: “Hoje: garota latina”; “Não esquecer”, ao lado do número de Colleen Farrington, mãe da atriz Diane Lane e coelhinha da Playboy na década de 50; e “Vinho no final da noite”. “Parece sexo no meio da noite”, comentou Hefner.

Perguntado sobre a possibilidade de as agendas serem compradas por outra pessoa, o magnata da Playboy, sério, disse: “Para ser franco, se elas não estivessem no leilão, eu não as venderia”. Depois, explicou, que não sabia exatamente onde elas ficaram guardadas desde os anos 60 ou como elas foram parar no leilão.

Ao fim da entrevista, Hefner voltou para seu quarto enquanto os arquivistas da Christie’s reuniram os lotes espalhados pela mesa, inclusive as pequenas agendas pretas. Pouco depois, o magnata reapareceu, falante novamente. Segurava um chaveiro de plástico com Gumby, personagem do desenho animado, em uma pose sexy. Embaixo do personagem estavam as palavras: “Gumby. O Boneco de Barro do Ano”. Hefner parecia extasiado e, olhando para Gumby, comentou: “Nós já passamos por muito, baby”.

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