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Estudos detalham ecologia das araucárias


Alexandre Fadigas de Souza

29/06/2009 | 07:02


Dois estudos mostram, pela primeira vez, como se comportam as populações de araucárias em florestas preservadas e em áreas degradadas. A comparação das duas situações mostra que essas árvores colonizam áreas abertas por perturbações naturais ou pelo ser humano e, como vivem muito tempo, oferecem sob suas copas um ambiente adequado para espécies mais adaptadas a locais sombreados. Também se constatou que o aparecimento de novas árvores da espécie é muito raro no interior de florestas conservadas, o que pode ajudar na definição de estratégias de manejo que garantam a exploração racional de sua madeira e a regeneração das populações da espécie.

Também conhecida como pinheiro-do-paraná e pinheiro-brasileiro, a araucária se destaca nas paisagens do Sul do Brasil. Originalmente, florestas com araucárias cobriam cerca de 200 mil quilômetros quadrados do território brasileiro, o equivalente à área do Estado do Paraná. Porém, sucessivas ondas de expansão agrícola somadas ao alto valor de mercado da madeira dessa árvore provocaram a devastação da maior parte. Hoje, menos de 5% da área original das florestas com araucárias está de pé, em geral em fragmentos pequenos e pressionados por atividades agrícolas e pecuárias.

ETAPAS - Recentemente, pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Ecologia Vegetal da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, ambas do Rio Grande do Sul, começaram a lançar luz sobre o funcionamento das populações, produzindo a primeira grande descrição dos padrões de regeneração natural dessas árvores em florestas nativas.

O trabalho foi desenvolvido na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, no extremo leste da Serra Gaúcha. Nessa área, trechos florestais bem conservados são intercalados com trechos que sofreram a extração seletiva de araucárias (sem a derrubada da floresta como um todo) até as décadas de 1940 e 1980. A partir de 2006 foi realizada uma avaliação de todas as araucárias encontradas em 10 hectares - o equivalente a 10 campos de futebol - de trechos com diferentes históricos de impacto.

Nas cinco áreas conservadas, constatou-se o predomínio de indivíduos grandes de araucária, com poucos ou nenhum indivíduo pré-reprodutivo. Esse resultado sugere que em áreas florestais fechadas as araucárias jovens não conseguem sobreviver e crescer até a idade adulta.

Já nas áreas onde há algumas décadas ocorreu a retirada seletiva de árvores da espécie, foram encontrados indivíduos juvenis de tamanho grande e alguns imaturos, indicando que houve um surto limitado de crescimento e sobrevivência de araucárias jovens, hoje encontradas em tamanhos intermediários.

A dependência das araucárias de aberturas na cobertura das florestas para completar seu ciclo de vida é reforçada pela análise de fotografias obtidas de baixo para cima, com a câmera voltada para as copas. Essas imagens mostram que as araucárias jovens são encontradas nos locais mais abertos das florestas, onde a entrada de luz é maior do que o normal.

FATORES EXTERNOS - Em conjunto com dados obtidos por outros estudos, esses resultados confirmam a visão de que as espécies do grupo das araucárias são pioneiras de vida longa e que dependem, para completar seu ciclo de vida, de perturbações nas florestas em que vivem, provocadas por fenômenos como tornados, tempestades, deslizamentos de terra ou incêndios.

Alguns desses fenômenos ocorrem periodicamente nas áreas montanhosas e chuvosas em que vivem as araucárias, provocando a queda de árvores e criando clareiras ou abrindo espaços nas copas.

Após esses eventos, centenas ou milhares de jovens conseguem se desenvolver, chegar à idade adulta e formar um maciço de copas altas embaixo do qual cresce um grande número de outras espécies. Nesse ambiente mais escuro, as plântulas de araucárias não conseguem se estabelecer. Porém, como as árvores adultas são muito grandes e podem viver por muitas décadas, ou mesmo séculos, continuam lançando sementes capazes de colonizar novos espaços abertos.

FUTURO - Os dados indicam que áreas de pastagens das quais o gado seja retirado poderiam ser colonizadas por novas gerações de araucárias desde que existam fontes de produção de sementes próximas. Os detalhes desse processo serão avaliados por novas pesquisas. Os estudos contribuirão para a preservação das araucárias, cujas copas são uma das imagens mais marcantes da paisagem do Sul do Brasil.



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Estudos detalham ecologia das araucárias

Alexandre Fadigas de Souza

29/06/2009 | 07:02


Dois estudos mostram, pela primeira vez, como se comportam as populações de araucárias em florestas preservadas e em áreas degradadas. A comparação das duas situações mostra que essas árvores colonizam áreas abertas por perturbações naturais ou pelo ser humano e, como vivem muito tempo, oferecem sob suas copas um ambiente adequado para espécies mais adaptadas a locais sombreados. Também se constatou que o aparecimento de novas árvores da espécie é muito raro no interior de florestas conservadas, o que pode ajudar na definição de estratégias de manejo que garantam a exploração racional de sua madeira e a regeneração das populações da espécie.

Também conhecida como pinheiro-do-paraná e pinheiro-brasileiro, a araucária se destaca nas paisagens do Sul do Brasil. Originalmente, florestas com araucárias cobriam cerca de 200 mil quilômetros quadrados do território brasileiro, o equivalente à área do Estado do Paraná. Porém, sucessivas ondas de expansão agrícola somadas ao alto valor de mercado da madeira dessa árvore provocaram a devastação da maior parte. Hoje, menos de 5% da área original das florestas com araucárias está de pé, em geral em fragmentos pequenos e pressionados por atividades agrícolas e pecuárias.

ETAPAS - Recentemente, pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Ecologia Vegetal da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos), em colaboração com pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria, ambas do Rio Grande do Sul, começaram a lançar luz sobre o funcionamento das populações, produzindo a primeira grande descrição dos padrões de regeneração natural dessas árvores em florestas nativas.

O trabalho foi desenvolvido na Floresta Nacional de São Francisco de Paula, no extremo leste da Serra Gaúcha. Nessa área, trechos florestais bem conservados são intercalados com trechos que sofreram a extração seletiva de araucárias (sem a derrubada da floresta como um todo) até as décadas de 1940 e 1980. A partir de 2006 foi realizada uma avaliação de todas as araucárias encontradas em 10 hectares - o equivalente a 10 campos de futebol - de trechos com diferentes históricos de impacto.

Nas cinco áreas conservadas, constatou-se o predomínio de indivíduos grandes de araucária, com poucos ou nenhum indivíduo pré-reprodutivo. Esse resultado sugere que em áreas florestais fechadas as araucárias jovens não conseguem sobreviver e crescer até a idade adulta.

Já nas áreas onde há algumas décadas ocorreu a retirada seletiva de árvores da espécie, foram encontrados indivíduos juvenis de tamanho grande e alguns imaturos, indicando que houve um surto limitado de crescimento e sobrevivência de araucárias jovens, hoje encontradas em tamanhos intermediários.

A dependência das araucárias de aberturas na cobertura das florestas para completar seu ciclo de vida é reforçada pela análise de fotografias obtidas de baixo para cima, com a câmera voltada para as copas. Essas imagens mostram que as araucárias jovens são encontradas nos locais mais abertos das florestas, onde a entrada de luz é maior do que o normal.

FATORES EXTERNOS - Em conjunto com dados obtidos por outros estudos, esses resultados confirmam a visão de que as espécies do grupo das araucárias são pioneiras de vida longa e que dependem, para completar seu ciclo de vida, de perturbações nas florestas em que vivem, provocadas por fenômenos como tornados, tempestades, deslizamentos de terra ou incêndios.

Alguns desses fenômenos ocorrem periodicamente nas áreas montanhosas e chuvosas em que vivem as araucárias, provocando a queda de árvores e criando clareiras ou abrindo espaços nas copas.

Após esses eventos, centenas ou milhares de jovens conseguem se desenvolver, chegar à idade adulta e formar um maciço de copas altas embaixo do qual cresce um grande número de outras espécies. Nesse ambiente mais escuro, as plântulas de araucárias não conseguem se estabelecer. Porém, como as árvores adultas são muito grandes e podem viver por muitas décadas, ou mesmo séculos, continuam lançando sementes capazes de colonizar novos espaços abertos.

FUTURO - Os dados indicam que áreas de pastagens das quais o gado seja retirado poderiam ser colonizadas por novas gerações de araucárias desde que existam fontes de produção de sementes próximas. Os detalhes desse processo serão avaliados por novas pesquisas. Os estudos contribuirão para a preservação das araucárias, cujas copas são uma das imagens mais marcantes da paisagem do Sul do Brasil.

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