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Febre maculosa espanta moradores de bairro

Nario Barbosa/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

27/11/2012 | 07:00


A população do Clube de Campo, bairro de Santo André próximo à divisa com Ribeirão Pires e em área de manancial, está assustada com a incidência da febre maculosa, que assola o bairro desde 2005. Muitos moradores planejam ir embora do local até o ano que vem para evitar o contágio. A doença é transmitida pelo carrapato-estrela e provoca sintomas como dor de cabeça, febre alta e manchas pelo corpo.

A Prefeitura não confirma, mas munícipes relatam que pelo menos sete pessoas morreram neste ano com sintomas da doença, sendo duas no mês passado. A dona de casa Clarice Paes Lopes, 66 anos, se mudará para São Paulo em janeiro. "Vou embora com minha neta. Está sem condições. Ninguém tem mais sossego nesse lugar. Vivemos apavorados", disse ela, que mora na Rua Condor.

Próximo da via, na Rua Tamanduá Bandeira, a faxineira Rita de Cássia dos Santos, 37, foi picada pelo carrapato-estrela dentro de casa. O incidente ocorreu na semana passada. Assustada com a repercussão dos casos recentes no bairro, Rita matou o carrapato e levou até o pronto atendimento da Vila Luzita, na quarta-feira. "Senti algo no pescoço e bati com a mão. Ele caiu no chão e o matei. Com tantos casos, a gente pensa que vai morrer, né? Na hora tive ardência e muita coceira."

O médico informou que o veneno não chegou a ser expelido pelo carrapato. Mesmo assim, a moradora amargou três dias de febre alta e dores abdominais. As medicações serão tomadas até o fim da semana. "Faz um mês que moro aqui, mas não vou ficar. Já estou vendo casas na Vila Luzita."

O carrapato-estrela transmite a doença para humanos se estiver contaminado com a bactéria Rickettsia ricketsii, que vive em capivaras, gambás, coelhos e outros animais, como o cavalo e o gado. Os cachorros, mesmo os domésticos, podem alojar o carrapato e proliferam a doença entre os humanos.

Nos arredores do Clube do Campo, cães abandonados circulam livremente pelas casas em meio ao matagal que cerca o bairro. Em outubro, a Prefeitura informou que aplicou carrapaticida nos cachorros do bairro, mas moradores relatam que a estratégia foi isolada e ineficiente.


Família de vítima não recebeu laudo com causa da morte

Em 9 de outubro, o morador do Clube de Campo Créber de Oliveira Fortunato, 28 anos, morreu após apresentar sintomas da doença por seis dias. A vítima chegou a desmaiar no trem, a caminho do trabalho, e, alguns dias depois, sofreu convulsões e a primeira parada cardíaca, já internado no Hospital Beneficência Portuguesa. O paciente teve sintomas como febre alta, fortes dores nos pés e manchas pelo corpo.

Inconformada, a mãe da vítima ainda se pergunta o motivo da partida repentina de Fortunato, que era saudável e tinha dois filhos. A diarista Elisabete de Oliveira Fortunato, 51 anos, aguarda o laudo do Instituto Adolfo Lutz que irá esclarecer a causa da morte do filho. "Já cobrei e não tive retorno. Até hoje não sabemos qual foi o motivo", disse. Na época, o prazo estipulado era de 20 dias. Logo após a morte, a esposa e a filha de dois anos de Fortunato foram internadas às pressas com sintomas semelhantes. Ambas se recuperaram e estão fora de perigo.

Moradores afirmam que agentes comunitários de Saúde passaram pelo bairro para alertar a população e médicos foram treinados para facilitar diagnóstico da doença. No entanto, dizem que a ação foi isolada e pouco efetiva. Procurada novamente ontem, a administração não se manifestou sobre o possível surto da doença no bairro.



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Febre maculosa espanta moradores de bairro

Maíra Sanches
Do Diário do Grande ABC

27/11/2012 | 07:00


A população do Clube de Campo, bairro de Santo André próximo à divisa com Ribeirão Pires e em área de manancial, está assustada com a incidência da febre maculosa, que assola o bairro desde 2005. Muitos moradores planejam ir embora do local até o ano que vem para evitar o contágio. A doença é transmitida pelo carrapato-estrela e provoca sintomas como dor de cabeça, febre alta e manchas pelo corpo.

A Prefeitura não confirma, mas munícipes relatam que pelo menos sete pessoas morreram neste ano com sintomas da doença, sendo duas no mês passado. A dona de casa Clarice Paes Lopes, 66 anos, se mudará para São Paulo em janeiro. "Vou embora com minha neta. Está sem condições. Ninguém tem mais sossego nesse lugar. Vivemos apavorados", disse ela, que mora na Rua Condor.

Próximo da via, na Rua Tamanduá Bandeira, a faxineira Rita de Cássia dos Santos, 37, foi picada pelo carrapato-estrela dentro de casa. O incidente ocorreu na semana passada. Assustada com a repercussão dos casos recentes no bairro, Rita matou o carrapato e levou até o pronto atendimento da Vila Luzita, na quarta-feira. "Senti algo no pescoço e bati com a mão. Ele caiu no chão e o matei. Com tantos casos, a gente pensa que vai morrer, né? Na hora tive ardência e muita coceira."

O médico informou que o veneno não chegou a ser expelido pelo carrapato. Mesmo assim, a moradora amargou três dias de febre alta e dores abdominais. As medicações serão tomadas até o fim da semana. "Faz um mês que moro aqui, mas não vou ficar. Já estou vendo casas na Vila Luzita."

O carrapato-estrela transmite a doença para humanos se estiver contaminado com a bactéria Rickettsia ricketsii, que vive em capivaras, gambás, coelhos e outros animais, como o cavalo e o gado. Os cachorros, mesmo os domésticos, podem alojar o carrapato e proliferam a doença entre os humanos.

Nos arredores do Clube do Campo, cães abandonados circulam livremente pelas casas em meio ao matagal que cerca o bairro. Em outubro, a Prefeitura informou que aplicou carrapaticida nos cachorros do bairro, mas moradores relatam que a estratégia foi isolada e ineficiente.


Família de vítima não recebeu laudo com causa da morte

Em 9 de outubro, o morador do Clube de Campo Créber de Oliveira Fortunato, 28 anos, morreu após apresentar sintomas da doença por seis dias. A vítima chegou a desmaiar no trem, a caminho do trabalho, e, alguns dias depois, sofreu convulsões e a primeira parada cardíaca, já internado no Hospital Beneficência Portuguesa. O paciente teve sintomas como febre alta, fortes dores nos pés e manchas pelo corpo.

Inconformada, a mãe da vítima ainda se pergunta o motivo da partida repentina de Fortunato, que era saudável e tinha dois filhos. A diarista Elisabete de Oliveira Fortunato, 51 anos, aguarda o laudo do Instituto Adolfo Lutz que irá esclarecer a causa da morte do filho. "Já cobrei e não tive retorno. Até hoje não sabemos qual foi o motivo", disse. Na época, o prazo estipulado era de 20 dias. Logo após a morte, a esposa e a filha de dois anos de Fortunato foram internadas às pressas com sintomas semelhantes. Ambas se recuperaram e estão fora de perigo.

Moradores afirmam que agentes comunitários de Saúde passaram pelo bairro para alertar a população e médicos foram treinados para facilitar diagnóstico da doença. No entanto, dizem que a ação foi isolada e pouco efetiva. Procurada novamente ontem, a administração não se manifestou sobre o possível surto da doença no bairro.

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