Fechar
Publicidade

Quinta-Feira, 2 de Dezembro

|

Max º Min º
Clima da Região Trânsito Assine Clube do Assinante Diário Virtual Login

nacional@dgabc.com.br | 4435-8301

Indice de homicídios em Campinas supera Sao Paulo e Rio


Do Diário do Grande ABC

21/04/2000 | 14:33


Até há pouco tempo considerada um oásis no interior do Estado de Sao Paulo, Campinas, a 90 quilômetros da capital, é hoje uma das cidades mais violentas do Brasil. Proporcionalmente ao número de habitantes, mata-se mais gente em Campinas do que em Sao Paulo ou no Rio de Janeiro.

Em 99, a taxa de homicídios em Campinas ficou em 55,8 por 100 mil habitantes. Em Sao Paulo, este índice foi de 55 e, no Rio, de 49. A cidade mais violenta do Brasil, por este critério, é Vitória (ES), com 77 homicídios por 100 mil habitantes.

A criminalidade na principal cidade do interior paulista aumentou 115% nos últimos cinco anos. O número de homicídios por 100 mil habitantes pulou de 26 para 55,8 entre 1994 e 1999. Em 99, foram 44 assassinatos por mês e 40 veículos roubados, em média, por dia. E, para piorar, a populaçao demonstra confiar pouco na polícia. Segundo pesquisa feita pela Fundaçao Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), 47,3% das pessoas vítimas de outros tipos de furto nao prestam queixa à polícia.

Assassinato - O assassinato do decorador e pintor Reynaldo Bianchi Neto, de 63 anos, na quarta-feira à noite, NO centro de Campinas, reacendeu a discussao sobre a violência em Campinas. Bianchi foi morto no cruzamento das avenidas Brasil e Barao de Itapura, regiao central da cidade.

Por volta das 21 horas, ele estava parado em um semáforo com seu Vectra preto, junto com a filha de 14 anos de idade, quando foi abordado por dois assaltantes. Segundo a polícia, o decorador se assustou com o assalto, acelerou o carro e levou dois tiros. Socorrido, ele morreu antes de chegar ao hospital.

Uma onda de seqüestros vem atingindo a regiao de Campinas desde o início do ano. Foram nove seqüestros registrados no período, o que dá uma média de um caso a cada 12 dias. Os crimes ocorreram em Campinas (três casos), Vinhedo, Capivari, Indaiatuba, Monte Mor, Sao Sebastiao da Grama e Mogi Mirim.

A açao do narcotráfico em Campinas também é intensa, segundo a Comissao Parlamentar de Inquérito (CPI) formada na Câmara dos Deputados. Os deputados da CPI estiveram na cidade no final do ano passado, ouviram diversos depoimentos e decretaram a prisao de vários suspeitos de envolvimento com o narcotráfico em todo o país.

Os crescentes índices de violência levaram o Comando de Policiamento do Interior (CPI), sediado em Campinas, a rever a política de segurança para a cidade. Segundo o setor de Relaçoes Públicas do CPI, o município cresceu muito e hoje enfrenta problemas sociais gravíssimos, típicos de uma metrópole. A política de segurança também tem que seguir esta lógica, de acordo com a Polícia.

O comando informa que isso já vem sendo feito, estabelecendo um maior contato entre a polícia e os Conselhos de Segurança (Consegs), formados por moradores. O objetivo é integrar ao máximo a polícia com a comunidade. A Polícia Militar de Campinas conta hoje com 450 viaturas e 2.500 policiais (um para 380 habitantes). Em junho ou julho, novas viaturas devem ser entregues. Até o final deste ano, mais 400 policiais devem integrar a corporaçao.Embora esteja acima do patamar recomendado pela Organizaçao das Naçoes Unidas (ONU) - de um policial para 500 habitantes -, o comando quer chegar a um para cada 100 moradores.

Juventude - Para o secretário municipal de Cooperaçao nos Assuntos de Segurança Pública, Ruyrillo Pedro de Magalhaes, é preciso investir em políticas públicas para a juventude como forma de diminuir a violência. "Temos que investir em educaçao e dar opçao de lazer aos jovens", diz. Mas, segundo ele, a Prefeitura sozinha nao tem como fazer esse investimento.

Magalhaes atribui os altos índices de violência em Campinas ao desemprego, ao consumo de drogas e à falta de educaçao básica e de aparelhamento adequado para a Polícia e a Justiça. E ressalta que a violência cresceu em todo o Brasil, nao apenas em Campinas.

A Prefeitura instituiu a Guarda Municipal em 96, no final da administraçao de Edivaldo Orsi (PSDB). O atual prefeito Francisco Amaral (PPB), investiu R$ 15 milhoes na corporaçao, que conta com 408 homens e 35 viaturas. Apesar da atuaçao ser limitada por lei (a segurança é dever do Estado, de acordo com a Constituiçao), Magalhaes afirma que a Guarda já fez 450 prisoes em três anos e diminuiu em 50% o número de ocorrências em escolas municipais, com o patrulhamento que realiza.

Covas - O presidente da Associaçao Comercial e Industrial de Campinas (Acic), Guilherme Campos Júnior, afirma que já fez várias reivindicaçoes ao governo do Estado para aumentar o aparato de segurança na cidade, mas alega nao ter sido atendido. "Falta efetivo. Esta é a sensaçao que nós temos", ressalta. Nem mesmo os números que mostram que Campinas tem mais policiais do que recomenda a ONU demove Campos dessa idéia.

Ele diz também que o fato de o prefeito Francisco Amaral partidário de Paulo Maluf (PPB), ser adversário político do governador Mário Covas (PSDB) prejudica a cidade. "Campinas sempre foi preterida em razao de o poder municipal estar totalmente descasado do estadual", declara. Para Campos, o problema nao é só com o Estado, mas também com a Uniao. "Campinas cresceu muito, mas a estrutura das polícias militar e civil e da Polícia Federal aqui é a mesma de 10 anos atrás", afirma. Para ele, esta é uma das razoes pelas quais o narcotráfico se instalou no município. As outras seriam a pujança econômica e a facilidade de acesso, por meio das várias rodovias que cortam a regiao.

O governador Mário Covas diz que há duas histórias inverídicas que criaram sobre o seu governo: a de que nao gosta de Campinas e a de que nao gosta da Polícia. "Nao sei de onde tiraram isso. Mas a versao foi crescendo e eu já cansei de responder que isso nao existe", ressalta. Covas afirma que se nao gostasse de Campinas, estaria cometendo um enorme ato de ingratidao com a sua populaçao. Ele lembrou que venceu na cidade as eleiçoes para presidente da República em 89 (quando ficou em quarto no País) e para o governo do Estado em 90 (quando terminou em terceiro no Estado), além de ter vencido também em 94 e 98.



Quer receber em primeira mão as notícias das sete cidades do Grande ABC?

Entre no nosso grupo de WhatsApp. 
Clique aqui.
 

Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


Copyright © 1995-2017 - Todos direitos reservados

;