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O amor, segundo Ivan Lins

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Thiago Mariano
Do Diário do Grande ABC

26/08/2012 | 07:00


O mesmo romântico de sempre. Assim volta Ivan Lins com o lançamento de Amorágio (Som Livre, preço médio R$ 25), depois de cinco anos sem abastecer as prateleiras brasileiras com composições inéditas. Quero Falar de Amor, que abre o disco, com a última canção, homônima ao álbum, já pode sugerir que o romance é desbragado na obra. Mas não se trata apenas disso.

"Falar do amor é sempre estar falando de um sentimento humano. Esse contato me interessa muito, faço música sentimentalmente. E não só por amor à outra pessoa, mas pelo meu povo, pelo meu País, por amor aos meus amigos. Até os atos patrióticos de indignação, pois quem ama se indigna. Quando meto cacetada nos políticos é também por amor à minha terra", afirma o compositor.
Um passeio pelas 11 faixas do disco mostra que há também paixão pelo som, por ritmos. Xote, fado, moda de viola, samba e até um pouquinho de rap se fazem presentes. E parceiros, é claro, porque o caso de uma pessoa só com ela mesma não é amor. Maria Gadú, Antônio Zambujo, Pedro Luís, Fioravante e Guimarães e Tatiana Parra listam os convidados da obra.

Há alguns resgates. Casos de Quem Me Dera, do qual participa Gadú, e X no Calendário, que conta com composição incidental de Pedro Luís. Vitor Martins, parceiro de Lins há décadas, mudou uma coisinha ou outra nas letras dessas canções.
"Tem canções no meio dos LPs e CDs que as pessoas nunca ouvem. Acho importante resgatar, me dá pena delas ficarem perdidas dentro desses discos. Como gosto muito das letras, levo em consideração que talvez os arranjos feitos na época foram equivocados."

Martins e ele creem que há canções que podem ser revistas. "Em Portugal, uma melodia pode ter 20 letras diferentes. É como se a melodia não tivesse dono, as letras não são uma coisa eterna. No nosso caso, mexemos nas nossas músicas. Seria estranho mexer em alguma letra de Chico Buarque e mudar. Para mim soa ofensivo."

MÚSICA HOJE
Há mais de 40 anos na lida, Lins considera que o modo de ouvir música mudou muito atualmente. E, consequentemente, afetou a produção. "As pessoas sentavam para degustar a música, era como se fosse um evento gastronômico. Você tinha um ritual que desapareceu em pelo menos 70% da humanidade. A música virou background, o fundo de uma atividade que não é musical. Você cozinha, anda de carro, conversa com os outros e a música está de fundo", considera.

Para ele, o músico de hoje quer fazer dinheiro rapidamente. O legado é o que menos importa. "As músicas de hoje estão muito primárias. Eu acho que as pessoas estão pensando menos por causa desse consumismo desenfreado que inclusive as classes C, D e E passaram a viver. O dinheiro acaba, e é só notícia de gente gastando no cartão de crédito adoidado. Depois que essa realidade passar, todos serão obrigados a raciocinar um pouco. Com a música é a mesma coisa. Haverá o momento em que todos vão parar de comer cachorro-quente."

INTÉRPRETES
Grandes nomes da música nacional já interpretaram Ivan Lins, entre eles Elis Regina, Zizi Possi, Gal Costa, Simone e Fafá de Belém. Para esse novo disco, o compositor traz dois timbres e nomes da atualidade: Maria Gadú e Tatiana Parra. Mas destaca que, no País onde as vozes femininas sempre falaram mais alto, falta alguma coisa.

"O que está faltando é a visceralidade dos nossos tempos. A música anda muito superficial e o mercado não está absorvendo novas vozes", pensa ele, que também credita a esse problema a falta de bons produtores, que saibam integrar vozes a conteúdos.

"Quando conheço bem a voz da pessoa para qual eu escrevo, tento incorporar, imaginá-la cantando. Sempre me dei bem nesse sentido, mas com as nossas cantoras hoje fica mais difícil. Eu peço muitas vezes mais do que elas oferecem."
Falta espelho. "Maria Rita, que está descobrindo a visceralidade da mãe, veio com um talento incrível, um palco muito bom, mas estava faltando entrar mais nos textos."

DESESPERAR JAMAIS
Problemas são muitos, mas nem tudo está perdido. Assim como no disco novo, onde soam alto os temas de amor e esperança, a vida e a música são fonte de esperança para Ivan Lins. "Minha música sempre foi esperançosa, aprendi com o Vitor Martins. A gente sempre deixa uma porta ou uma janela aberta. A situação está preta, mas a gente tem solução. Acho que esse é o meu dever, vou morrer assim."



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