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Novelas de época valorizam o figurino


Alexandre Coelho
Da TV Press

15/03/2006 | 08:50


Com a proliferação das tramas de época, vários aspectos que envolvem essas produções vêm à luz. Um deles diz respeito ao figurino usado em novelas e minisséries ambientadas no passado. É comum entre atores e telespectadores a opinião de que as roupas de época – assim como outros detalhes, como a cenografia – são fundamentais para que se embarque na “viagem” proposta pela trama. Para Débora Falabella, protagonista da nova versão de Sinhá Moça, cada detalhe que caracteriza um período histórico contribui para a veracidade do trabalho. “O cabelo, a maquiagem, o figurino, a maneira de falar e de gesticular. Hoje nós estamos muito distantes disso tudo”, diz.

Enquanto a trama de Sinhá Moça começa em 1886, no ocaso do Brasil-Império, outras produções são ambientadas em períodos históricos não tão distantes no tempo. É o caso de Cidadão Brasileiro. A nova novela da Record começa em 1955, na cidade de Guará, no interior de São Paulo. Nesse caso, no lugar dos longos vestidos e suas generosas armações, a moda remete ao visual dos chamados “anos dourados”. Sapatos impecavelmente lustrados para os homens, ou vestidos de bolinha para as mulheres, por exemplo, fazem parte do vestuário do período. Luiza Thomé, que na trama dará vida à personagem Tereza, concorda que o importante é que esses cuidados ajudem a entrar no espírito da época. “Não apenas o figurino, mas tudo o que compõe a época funciona como uma viagem no tempo”, avalia.

A tal “viagem” no tempo, porém, tem seu preço. Especialmente para as atrizes, não é fácil vestir quase diariamente pesados vestidos, anáguas e demais detalhes que compõem um figurino de mais de um século atrás. Mesmo sendo trabalhoso, usar um figurino de época é uma satisfação para a maioria das atrizes. Renata Dominguez, que fez a vilã Branca no remake de A Escrava Isaura, não vê problema em chegar mais cedo para gravar em função do figurino. “Eu demorava duas horas e meia para me arrumar”, diz.

As saias longas e com armações também impedem alguns movimentos com as mãos. Segundo boa parte dos atores, porém, o grande vilão do uso de figurinos de época é o calor. Quando a gravação é dentro de um estúdio, com ar-condicionado, tudo fica fácil. O problema é quando a gravação é uma externa. Pior: em pleno verão carioca, com temperaturas que beiram os 40 graus. Mauro Mendonça que o diga. Ele vem sofrendo na pele de Paul Bullock, de Bang Bang. “O maior problema é gravar usando essas roupas de camurça, no calor que faz no Rio no verão”, desabafa.

O sacrifício, contudo, compensa. Muito do charme das novelas com enredos históricos deve ser creditado ao fascínio que as roupas de outras épocas exerce sobre o público. No caso de Alma Gêmea, recente sucesso do horário das seis, também o figurino ajudou a criar um clima ingênuo, de uma trama ambientada na década de 1940. Para Flávia Alessandra, que deu vida à vilã Cristina, toda a caracterização da personagem foi bem feita. Desde o uso do vermelho, na fase em que ela demonstrava paixão por Rafael, de Eduardo Moscovis, até o preto e o roxo, na fase fúnebre após a perda da mãe. “Eu chegava mais cedo para fazer um estudo. Acho que o figurino da Cristina foi deslumbrante durante toda a novela”, afirma.

No caso da minissérie JK, o trabalho coube a Paulo Lóis e Emília Duncan. As pesquisas dos figurinos começaram em agosto, cinco meses antes da série ir ao a. “O trabalho não termina quando conseguimos fotos com os figurinos da época, pois as imagens estão em preto-e-branco. Nós ligamos para familiares e amigos dos personagens para que tudo seja reproduzido de forma correta”, valoriza Emília.

Primeira viagem – Se para qualquer ator é estimulante entrar em uma roupa de época e dar vida a um personagem de um outro tempo, para os marinheiros de primeira viagem o prazer é ainda maior. É o caso do ator Bruno Ferrari, que em Cidadão Brasileiro fará sua primeira novela ambientada em outro período. Na história, Bruno dará vida a Marcelo, um estudante de direito que anda sempre com o visual impecável. “O figurino ajuda muito a compor o personagem. É muito legal, tem um certo glamour, uma elegância”, ilustra.

Quem também fez seu “début” com figurino de época recentemente foi Renata Dominguez. Em 2004, a atriz integrou o elenco do remake de A Escrava Isaura, na Record. Ela considera que um figurino bem estudado dá o toque final na composição de um personagem. Ainda assim, Renata Dominguez salienta que é preciso tomar cuidado com o gestual, no caso de se estar usando vestidos como os do século XIX. “A gente acaba tendo uma tendência a apoiar a mão na armação da saia e fica parecendo uma estátua. A roupa não é natural para a gente”, afirma.

Mais experiente, Babi Xavier também só fez sua estréia em uma trama de época agora, como a Marilyn Corroy de Bang Bang. Para ela, todo detalhe na roupa valoriza.


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Novelas de época valorizam o figurino

Alexandre Coelho
Da TV Press

15/03/2006 | 08:50


Com a proliferação das tramas de época, vários aspectos que envolvem essas produções vêm à luz. Um deles diz respeito ao figurino usado em novelas e minisséries ambientadas no passado. É comum entre atores e telespectadores a opinião de que as roupas de época – assim como outros detalhes, como a cenografia – são fundamentais para que se embarque na “viagem” proposta pela trama. Para Débora Falabella, protagonista da nova versão de Sinhá Moça, cada detalhe que caracteriza um período histórico contribui para a veracidade do trabalho. “O cabelo, a maquiagem, o figurino, a maneira de falar e de gesticular. Hoje nós estamos muito distantes disso tudo”, diz.

Enquanto a trama de Sinhá Moça começa em 1886, no ocaso do Brasil-Império, outras produções são ambientadas em períodos históricos não tão distantes no tempo. É o caso de Cidadão Brasileiro. A nova novela da Record começa em 1955, na cidade de Guará, no interior de São Paulo. Nesse caso, no lugar dos longos vestidos e suas generosas armações, a moda remete ao visual dos chamados “anos dourados”. Sapatos impecavelmente lustrados para os homens, ou vestidos de bolinha para as mulheres, por exemplo, fazem parte do vestuário do período. Luiza Thomé, que na trama dará vida à personagem Tereza, concorda que o importante é que esses cuidados ajudem a entrar no espírito da época. “Não apenas o figurino, mas tudo o que compõe a época funciona como uma viagem no tempo”, avalia.

A tal “viagem” no tempo, porém, tem seu preço. Especialmente para as atrizes, não é fácil vestir quase diariamente pesados vestidos, anáguas e demais detalhes que compõem um figurino de mais de um século atrás. Mesmo sendo trabalhoso, usar um figurino de época é uma satisfação para a maioria das atrizes. Renata Dominguez, que fez a vilã Branca no remake de A Escrava Isaura, não vê problema em chegar mais cedo para gravar em função do figurino. “Eu demorava duas horas e meia para me arrumar”, diz.

As saias longas e com armações também impedem alguns movimentos com as mãos. Segundo boa parte dos atores, porém, o grande vilão do uso de figurinos de época é o calor. Quando a gravação é dentro de um estúdio, com ar-condicionado, tudo fica fácil. O problema é quando a gravação é uma externa. Pior: em pleno verão carioca, com temperaturas que beiram os 40 graus. Mauro Mendonça que o diga. Ele vem sofrendo na pele de Paul Bullock, de Bang Bang. “O maior problema é gravar usando essas roupas de camurça, no calor que faz no Rio no verão”, desabafa.

O sacrifício, contudo, compensa. Muito do charme das novelas com enredos históricos deve ser creditado ao fascínio que as roupas de outras épocas exerce sobre o público. No caso de Alma Gêmea, recente sucesso do horário das seis, também o figurino ajudou a criar um clima ingênuo, de uma trama ambientada na década de 1940. Para Flávia Alessandra, que deu vida à vilã Cristina, toda a caracterização da personagem foi bem feita. Desde o uso do vermelho, na fase em que ela demonstrava paixão por Rafael, de Eduardo Moscovis, até o preto e o roxo, na fase fúnebre após a perda da mãe. “Eu chegava mais cedo para fazer um estudo. Acho que o figurino da Cristina foi deslumbrante durante toda a novela”, afirma.

No caso da minissérie JK, o trabalho coube a Paulo Lóis e Emília Duncan. As pesquisas dos figurinos começaram em agosto, cinco meses antes da série ir ao a. “O trabalho não termina quando conseguimos fotos com os figurinos da época, pois as imagens estão em preto-e-branco. Nós ligamos para familiares e amigos dos personagens para que tudo seja reproduzido de forma correta”, valoriza Emília.

Primeira viagem – Se para qualquer ator é estimulante entrar em uma roupa de época e dar vida a um personagem de um outro tempo, para os marinheiros de primeira viagem o prazer é ainda maior. É o caso do ator Bruno Ferrari, que em Cidadão Brasileiro fará sua primeira novela ambientada em outro período. Na história, Bruno dará vida a Marcelo, um estudante de direito que anda sempre com o visual impecável. “O figurino ajuda muito a compor o personagem. É muito legal, tem um certo glamour, uma elegância”, ilustra.

Quem também fez seu “début” com figurino de época recentemente foi Renata Dominguez. Em 2004, a atriz integrou o elenco do remake de A Escrava Isaura, na Record. Ela considera que um figurino bem estudado dá o toque final na composição de um personagem. Ainda assim, Renata Dominguez salienta que é preciso tomar cuidado com o gestual, no caso de se estar usando vestidos como os do século XIX. “A gente acaba tendo uma tendência a apoiar a mão na armação da saia e fica parecendo uma estátua. A roupa não é natural para a gente”, afirma.

Mais experiente, Babi Xavier também só fez sua estréia em uma trama de época agora, como a Marilyn Corroy de Bang Bang. Para ela, todo detalhe na roupa valoriza.

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