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Brasil nao cumpre metas para evitar poliomielite


Do Diário do Grande ABC

16/08/1999 | 21:42


O Brasil nao está cumprindo as metas do programa de vigilância epidemiológica para evitar a volta da poliomielite, erradicada desde 1994. Relatório da Organizaçao Panamericana de Saúde (Opas) mostra que há cinco anos esse programa entrou em um processo de "fragilizaçao". Ou seja: está deixando de funcionar. Em 1998, o exame de fezes, responsável pelo isolamento e identificaçao do vírus transmissor só foi feito de forma adequada em 37% dos casos em que houve suspeita da doença.

Outro dado preocupante é em relaçao às notificaçoes. Bernardus Ganter, consultor do programa de imunizaçao da Opas, explica que em países que erradicaram a poliomielite, a taxa de crianças até 15 anos que apresentam algum tipo de paralisia é de 1 para 100 mil. Um dos mecanismos de controle da doença é a verificaçao e acompanhamento desses casos para verificar se essa paralisia nao foi causada pelo poliovírus. Só que essa notificaçao está deixando de ser feita.

No ano passado, o único Estado do País que cumpriu essa meta de acompanhamento (de 1 para 100 mil crianças até 15 anos) foi o Rio Grande do Norte. Roraima, por exemplo, nao informou nenhum caso. Até agosto, a média nacional para o cumprimento da meta está em 0,2 notificaçoes por 100 mil crianças até 15 anos.

O coordenador de Vigilância Epidemiológica da Fundaçao Nacional de Saúde (Funasa), Expedito Luna, admite que o programa está deficiente: "Como a poliomielite está erradicada, a atençao e os recursos das secretarias estaduais de saúde acabaram sendo desviados para problemas mais urgentes, como o combate à cólera, por exemplo."

Com isso, a prevençao da doença no País está sendo baseada nas campanhas de vacinaçao. O caso de Roraima, para Luna, é um exemplo da fase ruim do programa. "Nao digo que é impossível, mas é muito improvável que nenhuma pessoa até 15 anos tenha apresentado alguma forma de paralisia", diz. "Esse cálculo de 1 caso por 100 mil funciona em todos os países que erradicaram a poliomielite", completa.

O problema da falta de um programa de vigilância eficiente, diz Luna, é que embora a cobertura vacinal do País seja alta (quase 100%) há bolsoes de baixa cobertura. No mês passado, por exemplo, os agentes da vigilância notificaram um caso de paralisia na comunidade de Malhada Vermelha, no município de Francinópolis, no Piauí. Nesse lugar, a maioria das crianças nao havia sido vacinada. Ganter ressalta que os países que erradicaram a poliomielite nao podem baixar a guarda, especialmente porque a doença ainda persiste em alguns lugares, como Turquia, Iraque, Ira e China. E sempre há a possibilidade de uma pessoa infectada vir ao Brasil.

Há cerca de duas semanas, a Opas reuniu os coordenadores estaduais do programa para informá-los sobre o nao cumprimento das metas de vigilância. Além disso, a agência voltou a financiar cursos de treinamento. Luna diz que a partir de outubro vai trabalhar para pôr novamente a poliomielite na agenda das equipes de vigilância em todo o País.



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Brasil nao cumpre metas para evitar poliomielite

Do Diário do Grande ABC

16/08/1999 | 21:42


O Brasil nao está cumprindo as metas do programa de vigilância epidemiológica para evitar a volta da poliomielite, erradicada desde 1994. Relatório da Organizaçao Panamericana de Saúde (Opas) mostra que há cinco anos esse programa entrou em um processo de "fragilizaçao". Ou seja: está deixando de funcionar. Em 1998, o exame de fezes, responsável pelo isolamento e identificaçao do vírus transmissor só foi feito de forma adequada em 37% dos casos em que houve suspeita da doença.

Outro dado preocupante é em relaçao às notificaçoes. Bernardus Ganter, consultor do programa de imunizaçao da Opas, explica que em países que erradicaram a poliomielite, a taxa de crianças até 15 anos que apresentam algum tipo de paralisia é de 1 para 100 mil. Um dos mecanismos de controle da doença é a verificaçao e acompanhamento desses casos para verificar se essa paralisia nao foi causada pelo poliovírus. Só que essa notificaçao está deixando de ser feita.

No ano passado, o único Estado do País que cumpriu essa meta de acompanhamento (de 1 para 100 mil crianças até 15 anos) foi o Rio Grande do Norte. Roraima, por exemplo, nao informou nenhum caso. Até agosto, a média nacional para o cumprimento da meta está em 0,2 notificaçoes por 100 mil crianças até 15 anos.

O coordenador de Vigilância Epidemiológica da Fundaçao Nacional de Saúde (Funasa), Expedito Luna, admite que o programa está deficiente: "Como a poliomielite está erradicada, a atençao e os recursos das secretarias estaduais de saúde acabaram sendo desviados para problemas mais urgentes, como o combate à cólera, por exemplo."

Com isso, a prevençao da doença no País está sendo baseada nas campanhas de vacinaçao. O caso de Roraima, para Luna, é um exemplo da fase ruim do programa. "Nao digo que é impossível, mas é muito improvável que nenhuma pessoa até 15 anos tenha apresentado alguma forma de paralisia", diz. "Esse cálculo de 1 caso por 100 mil funciona em todos os países que erradicaram a poliomielite", completa.

O problema da falta de um programa de vigilância eficiente, diz Luna, é que embora a cobertura vacinal do País seja alta (quase 100%) há bolsoes de baixa cobertura. No mês passado, por exemplo, os agentes da vigilância notificaram um caso de paralisia na comunidade de Malhada Vermelha, no município de Francinópolis, no Piauí. Nesse lugar, a maioria das crianças nao havia sido vacinada. Ganter ressalta que os países que erradicaram a poliomielite nao podem baixar a guarda, especialmente porque a doença ainda persiste em alguns lugares, como Turquia, Iraque, Ira e China. E sempre há a possibilidade de uma pessoa infectada vir ao Brasil.

Há cerca de duas semanas, a Opas reuniu os coordenadores estaduais do programa para informá-los sobre o nao cumprimento das metas de vigilância. Além disso, a agência voltou a financiar cursos de treinamento. Luna diz que a partir de outubro vai trabalhar para pôr novamente a poliomielite na agenda das equipes de vigilância em todo o País.

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