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Consumo em alta puxa crédito bancário


Fernando Bortolin
Do Diário do Grande ABC

26/06/2007 | 07:01


Os brasileiros estão indo às compras. Essa é a leitura dos dados de crédito bancário divulgados segunda-feira pelo Banco Central, referentes a abril deste ano, que foram recordes para o período. Em apenas seis operações – cheque especial, crédito pessoal, cartões de crédito, financiamentos imobiliários (pela caderneta de poupança), aquisição de veículos e bens (eletroeletrônicos e eletrodomésticos) –, a soma bate nos R$ 78,7 bilhões.

Essa montanha de dinheiro liberada pelas redes bancárias de todo o País representam uma soma 62,14% superior aos R$ 48,5 bilhões emprestados para tais finalidades em abril do ano passado. Na ponta do lápis, o sistema financeiro nacional liberou R$ 30,2 bilhões a mais nos últimos 12 meses, um incremento médio de R$ 2,5 bilhões ao mês.

Consignado - Crédito pessoal e aquisição de veículos através do CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e Leasing (arrendamento mercantil) lideram a demanda por consumo no mercado brasileiro, com altas respectivas de 67,23% e 66,13% em abril ante o mesmo mês do ano passado. Na média do Banco Central, a corrida pelo Crédito Pessoal – usado principalmente para pagar outras dívidas como o cheque especial e o cartão de crédito –, registrou liberações diárias de R$ 455 milhões em abril, a mais elevada desde 1999.

O estoque global de brasileiros com empréstimos pessoais bateu na casa dos R$ 87,5 bilhões, ou R$ 35,2 bilhões a mais que os R$ 52,3 bilhões apurados em abril de 2006.

Quase 50% desse montante refere-se a empréstimos feitos através do crédito consignado em folha de pagamentos – cuja principal característica é ter um juro tabelado em 2,72% ao mês. Apesar de ser um dos mais baixos de todo o mercado, quando anualizado reflete uma taxa de 37,99%. Isso representa que um empréstimo de R$ 1 mil por 12 meses paga R$ 379,90 em juros, com a operação total saindo por R$ 1.379,90 – o equivalente a uma prestação mensal de R$ 114,99 por 12 meses.

Os dados do BC ajudam a explicar porque as montadoras estão batendo sucessivos recordes de produção e as concessionárias, de vendas de veículos. De janeiro a abril as concessões de crédito para a compra de autos cresceram R$ 3,6 bilhões e nos últimos 12 meses, R$ 27,1 bilhões. Esses números, caso fossem direcionados à compra do modelo básico mais barato do País, o Uno Mille 1.0 duas portas, da Fiat, com preço de tabela de R$ 22.170, permitiriam a aquisição de 162.382 unidades no ano e de 1.222.373 veículos nos últimos 12 meses.

As taxas de financiamento no setor são ainda menores que as praticadas no crédito consignado, de 2,24% em abril, ou 30,48% em 12 meses. O mesmo Uno Mille 1.0 duas portas adquirido a prazo (em 12 parcelas), sai ao preço final de R$ 28.927,42. Desse total, R$ 6.757,42 referem-se apenas aos juros.

Inadimplência - Juro baixo e prazo dilatado, chegando a até 72 meses, são os grandes chamarizes dos bancos e concessionárias para as vendas de veículos hoje, mas escondem um problema sério, a inadimplência. Se de um lado os bancos emprestaram 66,13% mais para a compra de veículos nos últimos 12 meses, a inadimplência cresceu 120,66% no mesmo período, para R$ 7,3 bilhões.



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Consumo em alta puxa crédito bancário

Fernando Bortolin
Do Diário do Grande ABC

26/06/2007 | 07:01


Os brasileiros estão indo às compras. Essa é a leitura dos dados de crédito bancário divulgados segunda-feira pelo Banco Central, referentes a abril deste ano, que foram recordes para o período. Em apenas seis operações – cheque especial, crédito pessoal, cartões de crédito, financiamentos imobiliários (pela caderneta de poupança), aquisição de veículos e bens (eletroeletrônicos e eletrodomésticos) –, a soma bate nos R$ 78,7 bilhões.

Essa montanha de dinheiro liberada pelas redes bancárias de todo o País representam uma soma 62,14% superior aos R$ 48,5 bilhões emprestados para tais finalidades em abril do ano passado. Na ponta do lápis, o sistema financeiro nacional liberou R$ 30,2 bilhões a mais nos últimos 12 meses, um incremento médio de R$ 2,5 bilhões ao mês.

Consignado - Crédito pessoal e aquisição de veículos através do CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e Leasing (arrendamento mercantil) lideram a demanda por consumo no mercado brasileiro, com altas respectivas de 67,23% e 66,13% em abril ante o mesmo mês do ano passado. Na média do Banco Central, a corrida pelo Crédito Pessoal – usado principalmente para pagar outras dívidas como o cheque especial e o cartão de crédito –, registrou liberações diárias de R$ 455 milhões em abril, a mais elevada desde 1999.

O estoque global de brasileiros com empréstimos pessoais bateu na casa dos R$ 87,5 bilhões, ou R$ 35,2 bilhões a mais que os R$ 52,3 bilhões apurados em abril de 2006.

Quase 50% desse montante refere-se a empréstimos feitos através do crédito consignado em folha de pagamentos – cuja principal característica é ter um juro tabelado em 2,72% ao mês. Apesar de ser um dos mais baixos de todo o mercado, quando anualizado reflete uma taxa de 37,99%. Isso representa que um empréstimo de R$ 1 mil por 12 meses paga R$ 379,90 em juros, com a operação total saindo por R$ 1.379,90 – o equivalente a uma prestação mensal de R$ 114,99 por 12 meses.

Os dados do BC ajudam a explicar porque as montadoras estão batendo sucessivos recordes de produção e as concessionárias, de vendas de veículos. De janeiro a abril as concessões de crédito para a compra de autos cresceram R$ 3,6 bilhões e nos últimos 12 meses, R$ 27,1 bilhões. Esses números, caso fossem direcionados à compra do modelo básico mais barato do País, o Uno Mille 1.0 duas portas, da Fiat, com preço de tabela de R$ 22.170, permitiriam a aquisição de 162.382 unidades no ano e de 1.222.373 veículos nos últimos 12 meses.

As taxas de financiamento no setor são ainda menores que as praticadas no crédito consignado, de 2,24% em abril, ou 30,48% em 12 meses. O mesmo Uno Mille 1.0 duas portas adquirido a prazo (em 12 parcelas), sai ao preço final de R$ 28.927,42. Desse total, R$ 6.757,42 referem-se apenas aos juros.

Inadimplência - Juro baixo e prazo dilatado, chegando a até 72 meses, são os grandes chamarizes dos bancos e concessionárias para as vendas de veículos hoje, mas escondem um problema sério, a inadimplência. Se de um lado os bancos emprestaram 66,13% mais para a compra de veículos nos últimos 12 meses, a inadimplência cresceu 120,66% no mesmo período, para R$ 7,3 bilhões.

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