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Ultramaratonista do Grande ABC desafia os 55ºC do Vale da Morte

Claudinei Plaza/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

São-caetanense vai percorrer 217 quilômetros em julho, nos Estados Unidos


Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

23/04/2018 | 07:00


 Percorrer 217 quilômetros, sem parar, já seria tarefa insuperável para a maior parte da população. Agora imagine cumprir a distância sob temperatura que pode ultrapassar os 55ºC, em ambiente totalmente inóspito. Este é o tamanho do desafio que o são-caetanense Pedro Luiz Cianfarani, 50 anos, morador de São Bernardo, se prepara para encarar a partir do dia 23 de julho, no deserto do Vale da Morte, na Califórnia, nos Estados Unidos, na Badwater Ultramarathon, uma das provas mais difíceis do mundo.

Apenas 100 pessoas em todo o planeta aceitaram o desafio neste ano. O Brasil será representado por Pedro Luiz e um competidor gaúcho. Para se credenciar, eles tiveram de disputar, no início de fevereiro, os desafios do Caminho da Fé, corrida também de 217 quilômetros realizada nas montanhas da Serra da Mantiqueira com chegada em Aparecida do Norte, obstáculo que o são-caetanense cumpriu em 38 horas.

Por mais que pareça loucura, Pedro Luiz garante que tudo é planejado. “A preparação envolve pilates, ginástica funcional, natação, musculação, enfim, preciso variar para não desgastar. A corrida faço de terça e quinta (15 quilômetros) e no fim de semana (60 quilômetros)”, explica ele, que tem equipe de apoio. “Treinei com o Aguinaldo Sampaio, ultramaratonista superconhecido, e ouço muito meu irmão, que é professor de Educação Física. Tenho acompanhamento de nutricionista e faço check-up duas vezes por ano”, ressalta.

Pedro Luiz corre há mais de 20 anos, iniciou com provas de cinco e de dez quilômetros até chegar aos 42 da maratona. Foi além e percorre grandes distâncias há 11 anos. A prova mais extensa dele foi no ano passado, na Estrada Real, a mais longa do Brasil. Ele foi um dos 15 convidados a enfrentar os 300 quilômetros que ligam Tiradentes a Passa Quatro, em Minas Gerais, e completou o trajeto em 55 horas.

Mas nada supera o desafio que o são-caetanense vai enfrentar na Califórnia. “Já estive na Badwater como equipe de apoio e estou preparado para as dificuldades. Se dizer que não estou preocupado com os 55ºC é piada, mas estou acostumado e me dou bem com provas quentes. Bom que não precisa se preocupar com o suor e com troca de roupa porque o calor faz o suor evaporar. Engraçado isso. Você joga água no corpo e não dá nem tempo de bater no corpo e já evapora”, conta, com naturalidade, o corredor.

Pedro Luiz acredita que seu grande desafio será o percurso. “Tem duas subidas insanas, uma de 30 quilômetros e outra de 18 no fim. A primeira você sai do nível do mar e chega a 5.500 pés. Na segunda vamos a 8.000 pés. Acho que isso que vai tornar mais difícil o desafio”, avalia. “Dificuldade mesmo é no amanhecer, quando vem o sono, ali tem de ser persistente. Eu não paro. Tem gente que para e descansa, mas para mim não dá. Prefiro ir direto. Como um macarrão rapidinho e vou embora”, explica ele, que será acompanhado pela mulher e por mais duas pessoas e estima que irá investir R$ 30 mil na prova.

Mas disputar ultramaratona tem seu preço e, muitas vezes, o corpo cobra. “Difícil explicar, o músculo fica dolorido, mas sinto prazer com isso. Bolha é direto, tem de conviver. Teve uma vez em Campos do Jordão que estava com o pé que não tinha mais onde fazer bolha. Coloquei esparadrapo, sabia que iria me arrepender e não deu outra. Fiquei uma semana com o esparadrapo no pé e não dava para tirar porque a sola viria junto.”

 



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Ultramaratonista do Grande ABC desafia os 55ºC do Vale da Morte

São-caetanense vai percorrer 217 quilômetros em julho, nos Estados Unidos

Anderson Fattori
Do Diário do Grande ABC

23/04/2018 | 07:00


 Percorrer 217 quilômetros, sem parar, já seria tarefa insuperável para a maior parte da população. Agora imagine cumprir a distância sob temperatura que pode ultrapassar os 55ºC, em ambiente totalmente inóspito. Este é o tamanho do desafio que o são-caetanense Pedro Luiz Cianfarani, 50 anos, morador de São Bernardo, se prepara para encarar a partir do dia 23 de julho, no deserto do Vale da Morte, na Califórnia, nos Estados Unidos, na Badwater Ultramarathon, uma das provas mais difíceis do mundo.

Apenas 100 pessoas em todo o planeta aceitaram o desafio neste ano. O Brasil será representado por Pedro Luiz e um competidor gaúcho. Para se credenciar, eles tiveram de disputar, no início de fevereiro, os desafios do Caminho da Fé, corrida também de 217 quilômetros realizada nas montanhas da Serra da Mantiqueira com chegada em Aparecida do Norte, obstáculo que o são-caetanense cumpriu em 38 horas.

Por mais que pareça loucura, Pedro Luiz garante que tudo é planejado. “A preparação envolve pilates, ginástica funcional, natação, musculação, enfim, preciso variar para não desgastar. A corrida faço de terça e quinta (15 quilômetros) e no fim de semana (60 quilômetros)”, explica ele, que tem equipe de apoio. “Treinei com o Aguinaldo Sampaio, ultramaratonista superconhecido, e ouço muito meu irmão, que é professor de Educação Física. Tenho acompanhamento de nutricionista e faço check-up duas vezes por ano”, ressalta.

Pedro Luiz corre há mais de 20 anos, iniciou com provas de cinco e de dez quilômetros até chegar aos 42 da maratona. Foi além e percorre grandes distâncias há 11 anos. A prova mais extensa dele foi no ano passado, na Estrada Real, a mais longa do Brasil. Ele foi um dos 15 convidados a enfrentar os 300 quilômetros que ligam Tiradentes a Passa Quatro, em Minas Gerais, e completou o trajeto em 55 horas.

Mas nada supera o desafio que o são-caetanense vai enfrentar na Califórnia. “Já estive na Badwater como equipe de apoio e estou preparado para as dificuldades. Se dizer que não estou preocupado com os 55ºC é piada, mas estou acostumado e me dou bem com provas quentes. Bom que não precisa se preocupar com o suor e com troca de roupa porque o calor faz o suor evaporar. Engraçado isso. Você joga água no corpo e não dá nem tempo de bater no corpo e já evapora”, conta, com naturalidade, o corredor.

Pedro Luiz acredita que seu grande desafio será o percurso. “Tem duas subidas insanas, uma de 30 quilômetros e outra de 18 no fim. A primeira você sai do nível do mar e chega a 5.500 pés. Na segunda vamos a 8.000 pés. Acho que isso que vai tornar mais difícil o desafio”, avalia. “Dificuldade mesmo é no amanhecer, quando vem o sono, ali tem de ser persistente. Eu não paro. Tem gente que para e descansa, mas para mim não dá. Prefiro ir direto. Como um macarrão rapidinho e vou embora”, explica ele, que será acompanhado pela mulher e por mais duas pessoas e estima que irá investir R$ 30 mil na prova.

Mas disputar ultramaratona tem seu preço e, muitas vezes, o corpo cobra. “Difícil explicar, o músculo fica dolorido, mas sinto prazer com isso. Bolha é direto, tem de conviver. Teve uma vez em Campos do Jordão que estava com o pé que não tinha mais onde fazer bolha. Coloquei esparadrapo, sabia que iria me arrepender e não deu outra. Fiquei uma semana com o esparadrapo no pé e não dava para tirar porque a sola viria junto.”

 

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