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Miss 3ª Idade de Diadema é nossa Marta Rocha


Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

06/03/2005 | 19:15


Misses do Brasil, cuidado! Não tem para ninguém. Nem para Fabiane Niclotti, gaúcha vencedora do concurso Miss Brasil no ano passado, nem para Grazielli Massafera, miss Paraná e Beleza Internacional e atual musa do Big Brother Brasil 5. Quando o assunto é beleza e simpatia no Grande ABC, a aposentada Anna Rodrigues de Godoy, 71 anos, é nossa representante oficial, com direito a título. Em outubro do ano passado, ela foi a vice-campeã do Miss Brasil Terceira Idade, realizado pela estância Paraíso do Sol, em Suzano. Em traje de gala, ela representou Diadema, cidade onde mora desde os 17 anos. Concorreu com oito mulheres e acabou ficando com o segundo lugar, atrás da candidata de Suzano.

Ela não reclama de bairrismo por parte dos jurados, que optaram pela candidata da cidade sede do concurso. Para Anna, a tarde de outubro em que participou de um concurso de beleza foi um dos dias mais importantes de sua vida. O grande momento chegou com um convite da coordenação dos grupos de terceira idade de Diadema para representar a cidade no concurso. A "quase miss", como ela se define, contemporânea da eterna injustiçada miss Brasil Marta Rocha, não exprime qualquer amargura pelo fato de não ter recebido a faixa que a colocaria como uma das mulheres representantes da terceira idade mais bonitas em todo o Brasil.

A baiana Marta Rocha, hoje com 69 anos, conquistou o Brasil com seus esfuziantes olhos verdes no concurso de 1954, mas perdeu o título de miss Universo por causa de duas polegadas a mais no curvilíneo quadril. Ao contrário de Marta, Dona Anna não sabe porquê ficou sem faixa, manto e coroa, mas declara, com nobreza de rainha, que isso não importa. "Gente, eu cheguei até lá e arrasei. Só isso já é bom demais da conta", diz, revelando o sotaque mineiro de São Geraldo, onde nasceu.

O convite para participar do concurso surgiu em uma de suas muitas excursões ao Paraíso do Sol. Ativa organizadora das viagens em grupo, a vaidosíssima Dona Anna foi escolha certa. Não era segredo para ela os truques do mundo fashion que a fariam deslizar bem sobre uma passarela. "Fiz curso de modelos, pensa o quê? Já estava acostumada a desfilar. Sempre que tenho uma oportunidade de subir em uma passarela, vou. Acho muito importante que na terceira idade a gente possa ter auto-estima, se achar bonita, se cuidar", afirma orgulhosa, mostrando o book que serve um pouco como portfólio de sua ainda curta carreira de manequim. No dia do desfile que valia o título de Miss Brasil Terceira Idade, ela usou um modelo longo de cetim branco, "de gala", bijuterias brilhantes e maquiagem caprichada.

Além de organizar as viagens, ela ainda mantém uma rotina digna de adolescente. "De segunda a sexta-feira, minha agenda fica lotada: faço aulas de dança, vôlei e ginástica. E olha que ainda vou arranjar mais o que fazer no sábado e no domingo, pode apostar", conta. O marido de Anna, João de Godoy, 66 anos, com quem tem três filhos, não tem ciúmes, garante ela. "Meu marido gosta de ver o futebolzinho dele em paz e não gosta de agitação, como eu. Mas ele sempre vai me buscar depois das viagens e no terminal de ônibus, quando volto dos cursos. Marido melhor não tem", gaba-se. Daqui a quatro anos, quando o casal comemora bodas de ouro, ela planeja uma festança na qual estará usando um vestido de cor branca novamente. "Eu já tenho o vestido que vou usar", afirma.

Início difícil – Nem sempre os momentos de glória foram constantes para Dona Anna, caçula de sete irmãos. As marcas que hoje carrega no rosto são um retrato do que viveu durante toda a vida. Até os 17 anos, trabalhou nas lavouras de arroz, feijão e milho no sítio do pai. "A gente comia sentada em cima de uma pedra e quase sempre era um cozido de couve. Mas não tem problema, minha vida foi muito boa, graças a Deus, e nunca me faltou nada." Até a chegada a Diadema, houve momentos trágicos. O pai ficou doente e foi necessário vender o sítio para custear o tratamento. "Ele chegou a trabalhar em um posto de gasolina quando chegamos, mas morreu pouco tempo depois", relembra.

Ela própria passou por diversos subempregos em Diadema, onde os avós maternos já moravam. "Trabalhei como empregada doméstica e até num abatedouro de frango. Eu era uma das responsáveis pelo serviço. Logo eu, que mesmo morando no interior, nunca tinha matado uma galinha." Até então, Diadema era conhecida como Vila Conceição e pertencia a São Bernardo. "Eu morava numa chácara que ficava onde hoje é o Centro de Diadema. Dormíamos com a porta aberta, de tão tranqüila que a cidade era", recorda.

Bem antes de pensar em beleza e bem-estar, Dona Anna também lutou pela emancipação de Diadema. "Eu conheci o Dr. Evandro Caiaffa Esquível (primeiro prefeito de Diadema) e sua mulher. Eles eram verdadeiros pais para mim e eu acompanhei toda aquela luta deles. Porque a gente brigou de verdade para que Diadema fosse independente e desenvolvida. Íamos a São Paulo fazer manifestações e o pau quebrava", conta, rindo. A emancipação foi necessária, segundo ela. "Não tinha nada em Diadema. Quantas vezes a gente precisava ir a São Paulo de caminhão. Com todo mundo dentro, o carro quebrava. A gente andava a pé até lá, com barro na canela", conta a bela emancipadora.



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Miss 3ª Idade de Diadema é nossa Marta Rocha

Ângela Corrêa
Do Diário do Grande ABC

06/03/2005 | 19:15


Misses do Brasil, cuidado! Não tem para ninguém. Nem para Fabiane Niclotti, gaúcha vencedora do concurso Miss Brasil no ano passado, nem para Grazielli Massafera, miss Paraná e Beleza Internacional e atual musa do Big Brother Brasil 5. Quando o assunto é beleza e simpatia no Grande ABC, a aposentada Anna Rodrigues de Godoy, 71 anos, é nossa representante oficial, com direito a título. Em outubro do ano passado, ela foi a vice-campeã do Miss Brasil Terceira Idade, realizado pela estância Paraíso do Sol, em Suzano. Em traje de gala, ela representou Diadema, cidade onde mora desde os 17 anos. Concorreu com oito mulheres e acabou ficando com o segundo lugar, atrás da candidata de Suzano.

Ela não reclama de bairrismo por parte dos jurados, que optaram pela candidata da cidade sede do concurso. Para Anna, a tarde de outubro em que participou de um concurso de beleza foi um dos dias mais importantes de sua vida. O grande momento chegou com um convite da coordenação dos grupos de terceira idade de Diadema para representar a cidade no concurso. A "quase miss", como ela se define, contemporânea da eterna injustiçada miss Brasil Marta Rocha, não exprime qualquer amargura pelo fato de não ter recebido a faixa que a colocaria como uma das mulheres representantes da terceira idade mais bonitas em todo o Brasil.

A baiana Marta Rocha, hoje com 69 anos, conquistou o Brasil com seus esfuziantes olhos verdes no concurso de 1954, mas perdeu o título de miss Universo por causa de duas polegadas a mais no curvilíneo quadril. Ao contrário de Marta, Dona Anna não sabe porquê ficou sem faixa, manto e coroa, mas declara, com nobreza de rainha, que isso não importa. "Gente, eu cheguei até lá e arrasei. Só isso já é bom demais da conta", diz, revelando o sotaque mineiro de São Geraldo, onde nasceu.

O convite para participar do concurso surgiu em uma de suas muitas excursões ao Paraíso do Sol. Ativa organizadora das viagens em grupo, a vaidosíssima Dona Anna foi escolha certa. Não era segredo para ela os truques do mundo fashion que a fariam deslizar bem sobre uma passarela. "Fiz curso de modelos, pensa o quê? Já estava acostumada a desfilar. Sempre que tenho uma oportunidade de subir em uma passarela, vou. Acho muito importante que na terceira idade a gente possa ter auto-estima, se achar bonita, se cuidar", afirma orgulhosa, mostrando o book que serve um pouco como portfólio de sua ainda curta carreira de manequim. No dia do desfile que valia o título de Miss Brasil Terceira Idade, ela usou um modelo longo de cetim branco, "de gala", bijuterias brilhantes e maquiagem caprichada.

Além de organizar as viagens, ela ainda mantém uma rotina digna de adolescente. "De segunda a sexta-feira, minha agenda fica lotada: faço aulas de dança, vôlei e ginástica. E olha que ainda vou arranjar mais o que fazer no sábado e no domingo, pode apostar", conta. O marido de Anna, João de Godoy, 66 anos, com quem tem três filhos, não tem ciúmes, garante ela. "Meu marido gosta de ver o futebolzinho dele em paz e não gosta de agitação, como eu. Mas ele sempre vai me buscar depois das viagens e no terminal de ônibus, quando volto dos cursos. Marido melhor não tem", gaba-se. Daqui a quatro anos, quando o casal comemora bodas de ouro, ela planeja uma festança na qual estará usando um vestido de cor branca novamente. "Eu já tenho o vestido que vou usar", afirma.

Início difícil – Nem sempre os momentos de glória foram constantes para Dona Anna, caçula de sete irmãos. As marcas que hoje carrega no rosto são um retrato do que viveu durante toda a vida. Até os 17 anos, trabalhou nas lavouras de arroz, feijão e milho no sítio do pai. "A gente comia sentada em cima de uma pedra e quase sempre era um cozido de couve. Mas não tem problema, minha vida foi muito boa, graças a Deus, e nunca me faltou nada." Até a chegada a Diadema, houve momentos trágicos. O pai ficou doente e foi necessário vender o sítio para custear o tratamento. "Ele chegou a trabalhar em um posto de gasolina quando chegamos, mas morreu pouco tempo depois", relembra.

Ela própria passou por diversos subempregos em Diadema, onde os avós maternos já moravam. "Trabalhei como empregada doméstica e até num abatedouro de frango. Eu era uma das responsáveis pelo serviço. Logo eu, que mesmo morando no interior, nunca tinha matado uma galinha." Até então, Diadema era conhecida como Vila Conceição e pertencia a São Bernardo. "Eu morava numa chácara que ficava onde hoje é o Centro de Diadema. Dormíamos com a porta aberta, de tão tranqüila que a cidade era", recorda.

Bem antes de pensar em beleza e bem-estar, Dona Anna também lutou pela emancipação de Diadema. "Eu conheci o Dr. Evandro Caiaffa Esquível (primeiro prefeito de Diadema) e sua mulher. Eles eram verdadeiros pais para mim e eu acompanhei toda aquela luta deles. Porque a gente brigou de verdade para que Diadema fosse independente e desenvolvida. Íamos a São Paulo fazer manifestações e o pau quebrava", conta, rindo. A emancipação foi necessária, segundo ela. "Não tinha nada em Diadema. Quantas vezes a gente precisava ir a São Paulo de caminhão. Com todo mundo dentro, o carro quebrava. A gente andava a pé até lá, com barro na canela", conta a bela emancipadora.

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