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Trólebus deixa de ser exemplar


Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

10/04/2006 | 07:56


Os trólebus do corredor metropolitano São Mateus–Jabaquara, gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) e operados pela Metra (empresa privada) desde 1997, já não são mais os mesmos. Ônibus lotados além do aceitável, equipamentos sem a manutenção devida e exposição dos usuários a problemas de segurança revelam um quadro de queda da qualidade do serviço. Serviço esse que já foi considerado modelo, como o prestado pelo irmão mais velho, o Metrô.

A reportagem testou a maioria dos itinerários desde o início do ano, com reforço do trabalho nas últimas duas semanas. Encontrou alguns problemas críticos recorrentes, como programação de linhas equivocada (em desacordo com a demanda), ar-condicionado que não funciona ou libera água dentro dos coletivos, serviço de atendimento ao usuário cuja linha telefônica está sempre ocupada e, pior, batedores de carteira agindo dentro de ônibus muito cheios. A EMTU reconhece parte dos problemas e afirma que trabalha para corrigir as falhas.

Entre os casos mais gritantes de superlotação, destaque para os encontrados no terminal de São Bernardo (Centro), em alguns horários – injustificáveis – da tarde. Das 14h30 às 15h, nos dias de semana, a reportagem verificou que os trólebus sentido São Mateus e Santo André demoram o bastante para saírem demasiadamente lotados já deste ponto, que não marca nem a metade do percurso. Enquanto passa um coletivo no sentido em questão, é comum virem três nas direções de Piraporinha e Jabaquara, que saem do terminal relativamente ociosos. Vale ressaltar que o terminal São Bernardo, próximo à Prefeitura, na verdade é uma passagem, não um terminal propriamente dito. Os ônibus só passam por suas plataformas, que não são ponto final ou inicial de nenhuma linha.

Segundo a EMTU, a programação das linhas, feita pelos técnicos da empresa, é fundamentada em “pesquisa de carregamento, desejo de viagem dos usuários, entre outros itens que possibilitam definir a quantidade de ônibus suficientes para a demanda de passageiros em determinado trajeto e faixa horária”. Em cartazes afixados nos terminais, consta que os intervalos oficiais das linhas variam de sete a 15 minutos – de acordo com o itinerário e o dia da semana. Em alguns casos, a reportagem constatou que intervalos que deveriam ser de oito minutos foram, na prática, de 12. Como o número de usuários é grande, pequenos atrasos como esses são o bastante para o sistema entrar em colapso em certos horários.

Mas, na resposta por escrito enviada à reportagem, a EMTU afirma que o intervalo médio das 13 linhas que operam no corredor é de cinco minutos. E que a equipe de fiscalização da empresa constatou que, nos últimos meses, a empresa mantém o índice de pontualidade em 80%. De fato, dependendo do horário, o intervalo pode ser mesmo mínimo, mas, mesmo nesses casos, o problema é, de novo, a programação, que não parece ser inteligente.

Na última quinta-feira, a partir de 22h30 (horário de saída de estudantes de escolas e universidades), a reportagem observou durante 20 minutos o fluxo de trólebus na parada Santa Tereza – em frente ao Shopping ABC, na avenida Pereira Barreto, Santo André –, nos sentidos São Bernardo (Ferrazópolis e Shopping Metrópole) e Diadema. Nesse intervalo, passaram nada menos que 11 veículos, no entanto, foram sete no sentido São Bernardo e apenas quatro para Diadema (incluindo linha para Piraporinha). Resultado: dos quatro coletivos no sentido Diadema, três estavam lotadíssimos; somente no quarto todas as pessoas que esperavam no ponto puderam embarcar. Alguns desses ônibus ficaram parados até três minutos para que os passageiros subissem e, mesmo assim, muitos deles tiveram de desistir da condução. Provavelmente, parte das pessoas faria baldeação em Diadema para Jabaquara, visto que naquele ínterim não passou nenhum trólebus direto para o bairro de São Paulo. Enquanto isso, a maioria dos que embarcavam para Ferrazópolis conseguiam se sentar e seguir com conforto. Do outro lado, no ponto sentido São Mateus ou Santo André, todos os ônibus para São Mateus passaram lotados.

Sardinhas na lata – Aos finais de semana, especialmente nos sábados entre 22h e 23h, é um suplício embarcar nos trólebus nessa mesma parada do Shopping ABC para qualquer destino. Nesse horário de fechamento das lojas do centro comercial da avenida Pereira Barreto e do outro, localizado na região central – o ABC Plaza, próximo ao terminal de Santo André –, os ônibus ficam impossíveis, visto que os intervalos são maiores. Normalmente, embarcar para Ferrazópolis ou Diadema significa espera superior a 20 minutos e viagem no melhor estilo sardinha enlatada.

A EMTU e a concessionária Metra alegam que estão discutindo formas de melhorar o atendimento, especialmente na área de São Mateus, linha abordada com maior ênfase pela reportagem por conta dos problemas observados. Segundo a EMTU, desde setembro do ano passado, medidas têm sido adotadas para melhorar o atendimento à população. Um das ações foi a criação da linha 487 Mauá (terminal Sonia Maria)/Santo André (terminal leste), operada com seis veículos e cujo propósito foi desafogar a linha 285 – São Mateus/Ferrazópolis (São Bernardo).

A eletricista e estudante Rosana Miranda, 32 anos, diz que “é quase impossível sentar nos trólebus” nos horários em que costuma utilizar a condução – por volta das 17h e, depois, das 20h30. Entrevistada nas imediações do terminal Piraporinha, em Diadema, ela disse que costuma utilizar linhas que partem de lá nos sentidos Santo André e São Mateus. “Além disso, a EMTU demora demais para entregar minha carteirinha que dá direito aos passes escolares. As aulas começaram em fevereiro, estamos em abril e ainda não chegou”, reclama a usuária.


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Trólebus deixa de ser exemplar

Adriana Gomes
Do Diário do Grande ABC

10/04/2006 | 07:56


Os trólebus do corredor metropolitano São Mateus–Jabaquara, gerenciados pela EMTU (Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos) e operados pela Metra (empresa privada) desde 1997, já não são mais os mesmos. Ônibus lotados além do aceitável, equipamentos sem a manutenção devida e exposição dos usuários a problemas de segurança revelam um quadro de queda da qualidade do serviço. Serviço esse que já foi considerado modelo, como o prestado pelo irmão mais velho, o Metrô.

A reportagem testou a maioria dos itinerários desde o início do ano, com reforço do trabalho nas últimas duas semanas. Encontrou alguns problemas críticos recorrentes, como programação de linhas equivocada (em desacordo com a demanda), ar-condicionado que não funciona ou libera água dentro dos coletivos, serviço de atendimento ao usuário cuja linha telefônica está sempre ocupada e, pior, batedores de carteira agindo dentro de ônibus muito cheios. A EMTU reconhece parte dos problemas e afirma que trabalha para corrigir as falhas.

Entre os casos mais gritantes de superlotação, destaque para os encontrados no terminal de São Bernardo (Centro), em alguns horários – injustificáveis – da tarde. Das 14h30 às 15h, nos dias de semana, a reportagem verificou que os trólebus sentido São Mateus e Santo André demoram o bastante para saírem demasiadamente lotados já deste ponto, que não marca nem a metade do percurso. Enquanto passa um coletivo no sentido em questão, é comum virem três nas direções de Piraporinha e Jabaquara, que saem do terminal relativamente ociosos. Vale ressaltar que o terminal São Bernardo, próximo à Prefeitura, na verdade é uma passagem, não um terminal propriamente dito. Os ônibus só passam por suas plataformas, que não são ponto final ou inicial de nenhuma linha.

Segundo a EMTU, a programação das linhas, feita pelos técnicos da empresa, é fundamentada em “pesquisa de carregamento, desejo de viagem dos usuários, entre outros itens que possibilitam definir a quantidade de ônibus suficientes para a demanda de passageiros em determinado trajeto e faixa horária”. Em cartazes afixados nos terminais, consta que os intervalos oficiais das linhas variam de sete a 15 minutos – de acordo com o itinerário e o dia da semana. Em alguns casos, a reportagem constatou que intervalos que deveriam ser de oito minutos foram, na prática, de 12. Como o número de usuários é grande, pequenos atrasos como esses são o bastante para o sistema entrar em colapso em certos horários.

Mas, na resposta por escrito enviada à reportagem, a EMTU afirma que o intervalo médio das 13 linhas que operam no corredor é de cinco minutos. E que a equipe de fiscalização da empresa constatou que, nos últimos meses, a empresa mantém o índice de pontualidade em 80%. De fato, dependendo do horário, o intervalo pode ser mesmo mínimo, mas, mesmo nesses casos, o problema é, de novo, a programação, que não parece ser inteligente.

Na última quinta-feira, a partir de 22h30 (horário de saída de estudantes de escolas e universidades), a reportagem observou durante 20 minutos o fluxo de trólebus na parada Santa Tereza – em frente ao Shopping ABC, na avenida Pereira Barreto, Santo André –, nos sentidos São Bernardo (Ferrazópolis e Shopping Metrópole) e Diadema. Nesse intervalo, passaram nada menos que 11 veículos, no entanto, foram sete no sentido São Bernardo e apenas quatro para Diadema (incluindo linha para Piraporinha). Resultado: dos quatro coletivos no sentido Diadema, três estavam lotadíssimos; somente no quarto todas as pessoas que esperavam no ponto puderam embarcar. Alguns desses ônibus ficaram parados até três minutos para que os passageiros subissem e, mesmo assim, muitos deles tiveram de desistir da condução. Provavelmente, parte das pessoas faria baldeação em Diadema para Jabaquara, visto que naquele ínterim não passou nenhum trólebus direto para o bairro de São Paulo. Enquanto isso, a maioria dos que embarcavam para Ferrazópolis conseguiam se sentar e seguir com conforto. Do outro lado, no ponto sentido São Mateus ou Santo André, todos os ônibus para São Mateus passaram lotados.

Sardinhas na lata – Aos finais de semana, especialmente nos sábados entre 22h e 23h, é um suplício embarcar nos trólebus nessa mesma parada do Shopping ABC para qualquer destino. Nesse horário de fechamento das lojas do centro comercial da avenida Pereira Barreto e do outro, localizado na região central – o ABC Plaza, próximo ao terminal de Santo André –, os ônibus ficam impossíveis, visto que os intervalos são maiores. Normalmente, embarcar para Ferrazópolis ou Diadema significa espera superior a 20 minutos e viagem no melhor estilo sardinha enlatada.

A EMTU e a concessionária Metra alegam que estão discutindo formas de melhorar o atendimento, especialmente na área de São Mateus, linha abordada com maior ênfase pela reportagem por conta dos problemas observados. Segundo a EMTU, desde setembro do ano passado, medidas têm sido adotadas para melhorar o atendimento à população. Um das ações foi a criação da linha 487 Mauá (terminal Sonia Maria)/Santo André (terminal leste), operada com seis veículos e cujo propósito foi desafogar a linha 285 – São Mateus/Ferrazópolis (São Bernardo).

A eletricista e estudante Rosana Miranda, 32 anos, diz que “é quase impossível sentar nos trólebus” nos horários em que costuma utilizar a condução – por volta das 17h e, depois, das 20h30. Entrevistada nas imediações do terminal Piraporinha, em Diadema, ela disse que costuma utilizar linhas que partem de lá nos sentidos Santo André e São Mateus. “Além disso, a EMTU demora demais para entregar minha carteirinha que dá direito aos passes escolares. As aulas começaram em fevereiro, estamos em abril e ainda não chegou”, reclama a usuária.

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