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Pesquisa revela que ninguém está imune ao processo de demissão


Daniel Trielli
Do Diário do Grande ABC

17/04/2006 | 08:29


Foi-se o tempo em que atingir as metas de trabalho era garantia de vaga estável. Hoje em dia, resultados conquistados não são suficientes para evitar uma demissão, principalmente entre os cargos de liderança. É o que mostra a pesquisa Demissão de Executivos nas Maiores e Melhores Empresas do Brasil, divulgada na última semana pela empresa de aconselhamento de carreira Lens & Minarelli.

A demissão é como se fosse uma doença grave. Todo mundo sabe que existe e que é possível ter, mas acha que nunca vai acontecer com você. É a impressão de imunidade”, conta a sócia-diretora da Lens & Minarelli, Mariá Giuliese.

O estudo coordenado por Mariá – feito com 200 executivos demitidos em 2005, entre eles presidentes, diretores e gerentes seniores – mostra que a noção errada de “imunidade” nos executivos causa um grande choque na hora da demissão. Dos 200 entrevistados, 68,3% não esperavam a medida e 43,2% ficaram chocados ao receber a notícia. A maioria dos executivos demitidos tinham tempo médio na empresa de dez anos, curso de pós-graduação e falavam inglês fluentemente.

“O que a gente observa é que grande parte dos executivos ficou perplexa com a demissão, porque eles diziam ‘eu dava retorno, trazia resultados pra empresa, chegava aos objetivos’. Os profissionais não admitiam que poderia haver outra razão para serem demitidos”, conta Mariá. “Muitos até poderiam achar que não estavam livres de uma possível demissão, mas não tinham a noção de que estava perto. Isso porque não prestaram atenção aos sinais que indicavam que eles já não eram tão desejáveis na empresa.”

Ricardo Bevilacqua, diretor da Trade Consulting, empresa de consultoria em gestão de carreiras, diz que essa incapacidade de perceber os sinais não acontece só entre executivos, mas com todos os funcionários em geral. “Eles são tão absorvidos pelo trabalho que esquecem de olhar para ver o que acontece ao redor. Só que, com executivos, existe o agravante por imaginarem que estão em uma posição imprescindível”, explica.

“Esse isolamento do mundo é algo grave, porque eles esquecem de observar os colegas no escritório ou pares em outras empresas e não percebem o que existe de novo ou de melhor no mercado”, adverte Bevilacqua.

Motivos – E é justamente essa incapacidade de perceber o que está acontecendo ao redor que pode ser um indicativo de que o emprego está em risco, já que um dos principais motivos de demissão é a alienação em relação aos colegas de trabalho. Mariá Giuliese diz que muitas vezes a fixação em cumprir metas pode causar desgastes que levam a empresa a se livrar do gerente ou diretor.

“A busca por resultados não pode ser feita à custa dos relacionamentos dentro do local de trabalho”, conta. “Existem executivos que fazem um esforço danado para atingir metas e não olham para as pessoas em volta, que trabalham junto. Isso acaba machucando muita gente, cria uma equipe desmotivada e isola esse chefe, que já começa a ser alvo de reclamações. Ele chega aos resultados, mas se afasta de toda a equipe.”

A sócia-diretora da Lens & Minarelli também ressalta que ainda existem outros motivos para as demissões em cargos importantes, como a rejeição à mudanças naturais de uma empresa. “As empresas têm a necessidade de se modificar, alterar o jeito de fazer o trabalho. Se algum executivo não entra na nova filosofia, resiste, faz objeção, também fica isolado e dificulta o trabalho de todos. Essa pessoa já não é tão útil para empresa, embora esteja fazendo seu trabalho.”

Alterações na filosofia da empresa, aliás, são cada vez mais freqüentes, já que as mudanças de diretorias cresceram muito. “Antes era mais difícil trocar a chefia, mas hoje em dia isso mudou bastante. Existe uma rotatividade maior entre diretores e muitos que chegam querem imprimir suas características e chamar pessoas de confiança. É um risco que existe. Se não existir afinidade entre o executivo e a nova chefia, a corda rompe do lado mais fraco e quem está abaixo vai embora”, conta a consultora.

Dicas – Mariá lembra que o único pré-requisito para uma demissão é estar empregado. “Todo mundo está vulnerável”, resume. Então, é importante evitar o fator surpresa. “É essencial desenvolver uma capacidade de observação, para perceber os movimentos dentro da empresa. Não é para ficar paranóico e achar toda hora que será demitido, mas é bom ficar atento ao que acontece à sua volta, para não ser surpreendido”, diz.

Isso sem contar no imprescindível plano reserva, como um negócio “engatilhado”, além de bons contatos para uma possível recolocação. “Não tenha dúvida, possuir um ‘plano b’ é essencial, além de ter uma boa reserva financeira. O legal é ter um projeto de carreira na cabeça. Saber o que quer fazer com sua vida, e como chegar lá. E também, do mesmo jeito que se faz um check up de saúde, de vez em quando faça um check up profissional. Descubra onde você se situa na sua profissão e como o mercado está agindo”, aconselha Mariá.



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Pesquisa revela que ninguém está imune ao processo de demissão

Daniel Trielli
Do Diário do Grande ABC

17/04/2006 | 08:29


Foi-se o tempo em que atingir as metas de trabalho era garantia de vaga estável. Hoje em dia, resultados conquistados não são suficientes para evitar uma demissão, principalmente entre os cargos de liderança. É o que mostra a pesquisa Demissão de Executivos nas Maiores e Melhores Empresas do Brasil, divulgada na última semana pela empresa de aconselhamento de carreira Lens & Minarelli.

A demissão é como se fosse uma doença grave. Todo mundo sabe que existe e que é possível ter, mas acha que nunca vai acontecer com você. É a impressão de imunidade”, conta a sócia-diretora da Lens & Minarelli, Mariá Giuliese.

O estudo coordenado por Mariá – feito com 200 executivos demitidos em 2005, entre eles presidentes, diretores e gerentes seniores – mostra que a noção errada de “imunidade” nos executivos causa um grande choque na hora da demissão. Dos 200 entrevistados, 68,3% não esperavam a medida e 43,2% ficaram chocados ao receber a notícia. A maioria dos executivos demitidos tinham tempo médio na empresa de dez anos, curso de pós-graduação e falavam inglês fluentemente.

“O que a gente observa é que grande parte dos executivos ficou perplexa com a demissão, porque eles diziam ‘eu dava retorno, trazia resultados pra empresa, chegava aos objetivos’. Os profissionais não admitiam que poderia haver outra razão para serem demitidos”, conta Mariá. “Muitos até poderiam achar que não estavam livres de uma possível demissão, mas não tinham a noção de que estava perto. Isso porque não prestaram atenção aos sinais que indicavam que eles já não eram tão desejáveis na empresa.”

Ricardo Bevilacqua, diretor da Trade Consulting, empresa de consultoria em gestão de carreiras, diz que essa incapacidade de perceber os sinais não acontece só entre executivos, mas com todos os funcionários em geral. “Eles são tão absorvidos pelo trabalho que esquecem de olhar para ver o que acontece ao redor. Só que, com executivos, existe o agravante por imaginarem que estão em uma posição imprescindível”, explica.

“Esse isolamento do mundo é algo grave, porque eles esquecem de observar os colegas no escritório ou pares em outras empresas e não percebem o que existe de novo ou de melhor no mercado”, adverte Bevilacqua.

Motivos – E é justamente essa incapacidade de perceber o que está acontecendo ao redor que pode ser um indicativo de que o emprego está em risco, já que um dos principais motivos de demissão é a alienação em relação aos colegas de trabalho. Mariá Giuliese diz que muitas vezes a fixação em cumprir metas pode causar desgastes que levam a empresa a se livrar do gerente ou diretor.

“A busca por resultados não pode ser feita à custa dos relacionamentos dentro do local de trabalho”, conta. “Existem executivos que fazem um esforço danado para atingir metas e não olham para as pessoas em volta, que trabalham junto. Isso acaba machucando muita gente, cria uma equipe desmotivada e isola esse chefe, que já começa a ser alvo de reclamações. Ele chega aos resultados, mas se afasta de toda a equipe.”

A sócia-diretora da Lens & Minarelli também ressalta que ainda existem outros motivos para as demissões em cargos importantes, como a rejeição à mudanças naturais de uma empresa. “As empresas têm a necessidade de se modificar, alterar o jeito de fazer o trabalho. Se algum executivo não entra na nova filosofia, resiste, faz objeção, também fica isolado e dificulta o trabalho de todos. Essa pessoa já não é tão útil para empresa, embora esteja fazendo seu trabalho.”

Alterações na filosofia da empresa, aliás, são cada vez mais freqüentes, já que as mudanças de diretorias cresceram muito. “Antes era mais difícil trocar a chefia, mas hoje em dia isso mudou bastante. Existe uma rotatividade maior entre diretores e muitos que chegam querem imprimir suas características e chamar pessoas de confiança. É um risco que existe. Se não existir afinidade entre o executivo e a nova chefia, a corda rompe do lado mais fraco e quem está abaixo vai embora”, conta a consultora.

Dicas – Mariá lembra que o único pré-requisito para uma demissão é estar empregado. “Todo mundo está vulnerável”, resume. Então, é importante evitar o fator surpresa. “É essencial desenvolver uma capacidade de observação, para perceber os movimentos dentro da empresa. Não é para ficar paranóico e achar toda hora que será demitido, mas é bom ficar atento ao que acontece à sua volta, para não ser surpreendido”, diz.

Isso sem contar no imprescindível plano reserva, como um negócio “engatilhado”, além de bons contatos para uma possível recolocação. “Não tenha dúvida, possuir um ‘plano b’ é essencial, além de ter uma boa reserva financeira. O legal é ter um projeto de carreira na cabeça. Saber o que quer fazer com sua vida, e como chegar lá. E também, do mesmo jeito que se faz um check up de saúde, de vez em quando faça um check up profissional. Descubra onde você se situa na sua profissão e como o mercado está agindo”, aconselha Mariá.

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