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Mortes no trânsito têm alta de 15% em um ano na região

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Motociclistas foram as principais vítimas; especialistas associam cenário aos aplicativos de entrega rápida


Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

21/01/2020 | 00:01


 O Grande ABC registrou alta de 15,42% nas mortes em decorrência de acidentes de trânsito entre janeiro e dezembro do ano passado em relação ao mesmo período de 2018. Conforme os dados divulgados pelo Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) ontem, foram contabilizadas 232 vítimas fatais nas sete cidades em 2019 e 201 um ano antes.

O levantamento mostra que os motociclistas foram as principais vítimas do trânsito na região – 92 mortes. Na sequência aparecem os pedestres, com 79 óbitos. Outras 42 pessoas perderam a vida em acidentes com automóveis, 11 em bicicletas, três em caminhões, uma em ônibus e outras quatro em ocorrências não identificadas (veja arte ao lado).

São Bernardo lidera o ranking de mortes no trânsito, com 78 casos (queda de 7,14% em relação a 2018). Santo André registrou 46 acidentes fatais (alta de 27,78%), seguida por Diadema (44, mais 25,71%), Mauá (32, crescimento de 77,78%), Ribeirão Pires (19, menos 9,52%), São Caetano (12, o dobro) e Rio Grande da Serra (uma, ficou estável).

Especialistas ouvidos pelo Diário destacam o aumento de quase 60% no volume de motociclistas mortos no trânsito entre 2018 e 2019. Além dos riscos que o meio de transporte já oferece, Sheila Borges, profissional que atua em soluções para o trânsito e é diretora da ProSimulador, ressalta que o fato de 66% dos condutores de motos terem idade entre 18 e 34 anos também colabora para o cenário de violência viária. “Fatores como inexperiência e imprudência são os que mais se enquadram para jovens neste perfil”, observa.

Já o professor do curso de engenharia civil da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Creso Peixoto destaca que o cenário pode estar associado à alta demanda por serviços de entrega por aplicativo via motocicleta. “O Conselho Nacional de Trânsito tem de discutir medidas em âmbito nacional para coibir esse aumento.”

Por outro lado, embora o número de óbitos de pedestres tenha apresentado leve queda de 8% entre os anos analisados, é preciso, na visão de Peixoto, avançar em políticas públicas, sejam elas relacionadas a campanhas de conscientização quanto nas formas de punição aos infratores das leis de trânsito. “Os motoristas precisam mudar sua conduta de não parar para o pedestre, mas o pedestre também precisa atravessar na faixa. Os códigos de trânsito precisam evoluir e é necessário colocar em efetividade as multas aos pedestres, como já ocorre em Paris há mais de 100 anos.”

Sheila ressalta ainda que, para a alteração da cultura de respeito no trânsito, os órgãos responsáveis devem informar permanentemente os agentes sobre os perigos e consequências do mau comportamento. Além disso, as empresas devem investir em treinamento para os motociclistas com foco em direção defensiva.

Para Peixoto, tendo em vista que motociclistas e pedestres são os agentes mais frágeis no trânsito, uma das alternativas mais simples para conter as mortes é estabelecer velocidades baixas nas vias públicas. “O problema principal do trânsito é a alta velocidade veicular. Se reduzirmos para 30 km/h a velocidade máxima veremos a mortalidade desabar.”

Em todo o Estado, os óbitos em decorrência de acidentes de trânsito tiveram leve variação negativa de 0,64% entre 2018 e 2019 – passaram de 5.468 para 5.433 as vítimas fatais. No caso dos motociclistas, a alta foi de 0,68% (1.898 para 1.911 mortes), e, no dos pedestres, houve queda mais significativa, de 4,51% (de 1.463 para 1.397 óbitos).



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Mortes no trânsito têm alta de 15% em um ano na região

Motociclistas foram as principais vítimas; especialistas associam cenário aos aplicativos de entrega rápida

Natália Fernandjes
Do Diário do Grande ABC

21/01/2020 | 00:01


 O Grande ABC registrou alta de 15,42% nas mortes em decorrência de acidentes de trânsito entre janeiro e dezembro do ano passado em relação ao mesmo período de 2018. Conforme os dados divulgados pelo Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) ontem, foram contabilizadas 232 vítimas fatais nas sete cidades em 2019 e 201 um ano antes.

O levantamento mostra que os motociclistas foram as principais vítimas do trânsito na região – 92 mortes. Na sequência aparecem os pedestres, com 79 óbitos. Outras 42 pessoas perderam a vida em acidentes com automóveis, 11 em bicicletas, três em caminhões, uma em ônibus e outras quatro em ocorrências não identificadas (veja arte ao lado).

São Bernardo lidera o ranking de mortes no trânsito, com 78 casos (queda de 7,14% em relação a 2018). Santo André registrou 46 acidentes fatais (alta de 27,78%), seguida por Diadema (44, mais 25,71%), Mauá (32, crescimento de 77,78%), Ribeirão Pires (19, menos 9,52%), São Caetano (12, o dobro) e Rio Grande da Serra (uma, ficou estável).

Especialistas ouvidos pelo Diário destacam o aumento de quase 60% no volume de motociclistas mortos no trânsito entre 2018 e 2019. Além dos riscos que o meio de transporte já oferece, Sheila Borges, profissional que atua em soluções para o trânsito e é diretora da ProSimulador, ressalta que o fato de 66% dos condutores de motos terem idade entre 18 e 34 anos também colabora para o cenário de violência viária. “Fatores como inexperiência e imprudência são os que mais se enquadram para jovens neste perfil”, observa.

Já o professor do curso de engenharia civil da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Creso Peixoto destaca que o cenário pode estar associado à alta demanda por serviços de entrega por aplicativo via motocicleta. “O Conselho Nacional de Trânsito tem de discutir medidas em âmbito nacional para coibir esse aumento.”

Por outro lado, embora o número de óbitos de pedestres tenha apresentado leve queda de 8% entre os anos analisados, é preciso, na visão de Peixoto, avançar em políticas públicas, sejam elas relacionadas a campanhas de conscientização quanto nas formas de punição aos infratores das leis de trânsito. “Os motoristas precisam mudar sua conduta de não parar para o pedestre, mas o pedestre também precisa atravessar na faixa. Os códigos de trânsito precisam evoluir e é necessário colocar em efetividade as multas aos pedestres, como já ocorre em Paris há mais de 100 anos.”

Sheila ressalta ainda que, para a alteração da cultura de respeito no trânsito, os órgãos responsáveis devem informar permanentemente os agentes sobre os perigos e consequências do mau comportamento. Além disso, as empresas devem investir em treinamento para os motociclistas com foco em direção defensiva.

Para Peixoto, tendo em vista que motociclistas e pedestres são os agentes mais frágeis no trânsito, uma das alternativas mais simples para conter as mortes é estabelecer velocidades baixas nas vias públicas. “O problema principal do trânsito é a alta velocidade veicular. Se reduzirmos para 30 km/h a velocidade máxima veremos a mortalidade desabar.”

Em todo o Estado, os óbitos em decorrência de acidentes de trânsito tiveram leve variação negativa de 0,64% entre 2018 e 2019 – passaram de 5.468 para 5.433 as vítimas fatais. No caso dos motociclistas, a alta foi de 0,68% (1.898 para 1.911 mortes), e, no dos pedestres, houve queda mais significativa, de 4,51% (de 1.463 para 1.397 óbitos).

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