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Cia. de Diadema estréia coreografia


Daniel Gutierrez
Especial para o Diário

25/05/2006 | 08:31


Ele era um aficionado por histórias de cavaleiros medievais. De tanto ler sobre os cavaleiros andantes, princesas, reinos encantados e feiticeiros, o ingênuo fidalgo espanhol passou a acreditar, em seus delírios, que ele próprio era um desses heróis. Para sair em disparada pelos campos em busca de aventura, Dom Quixote recorre a uma velha armadura enferrujada de seu avô; confecciona uma viseira de papelão; se auto-batiza Dom Quixote de La Mancha e sai galopando, no lombo do decrépito cavalo Rocinante. Em companhia do fiel escudeiro, Sancho Pança, Dom Quixote cria e transforma o mundo a sua volta.

É baseada nessa obra de Miguel de Cervantes (1547- 1616), considerado por muitos escritores como o único rival possível de William Shakespeare na literatura de ficção dos últimos quatro séculos, que a Cia de Danças de Diadema, dirigida por Ana Bottosso, montou o mais novo espetáculo da trupe: Quixotes do Amanhã. A montagem estréia nesta sexta-feira, no Teatro Clara Nunes, Centro Cultural Diadema, com entrada franca.

O novo projeto da Cia de Danças, que completou 11 anos de existência em fevereiro, usa a obra Dom Quixote de La Mancha para tratar de lixo, reciclagem e humanidade. Foi o primeiro trabalho coreográfico que Fernando Machado, integrante da Cia. de Danças há nove anos, assinou sozinho. “Aproveitamos que 2005 foi um ano recheado de releituras de Dom Quixote e fizemos um paralelo da obra com a situação atual do planeta”, explica o coreógrafo e bailarino. Segundo Machado, a criação do espetáculo foi coletiva. Ele estimulou, organizou e dirigiu a coreografia, mas os bailarinos ajudaram a dar corpo e consistência à obra. De acordo com Alessandra Fioravanti, membro do elenco, “a contribuição dos bailarinos foi muito grande e essencial para a identidade do espetáculo”.

De fato, a Cia de Danças de Diadema usa a criatividade do elenco nos espetáculos. Todos os bailarinos são professores das oficinas de dança ministradas em dez centros culturais da cidade. “O bailarino não recebe apenas a coreografia de outro profissional. Nós fazemos uma investigação da expressão corporal de cada um”, elucida a diretora Ana Bottosso. Há tempos, segundo Ana, a Cia lança mão desse recurso para criar e montar os espetáculos. Reuniram, no caso de Quixotes, a direção artística dela, a direção coreográfica de Fernando Machado e as intervenções pertinentes do corpo de baile.

A Cia de Danças de Diadema nasceu concomitantemente às oficinas de dança. Segundo Fernado Machado, é a única do Brasil a ter este formato.

Humanidade – Quixotes do Amanhã trata, sobretudo, das relações humanas com a natureza e com os espaços que os seres dominantes do planeta ocupam. Trata também da destruição cega desse mundo, produto da inconseqüência e da incosciência humana.

Numa metáfora sobre o quanto os habitantes da Terra estão inseridos neste problema, o espetáculo começa com um amontoado de lixo no centro do palco. O lixo parece inerte, até que alguns bailarinos mimetizados aos objetos começam a se mover.

Entre as questões centrais do espetáculo estão o que fazer quando tudo é descartável e que atitude tomar para controlar o ímpeto de consumo que destrói a natureza num ritmo muito superior ao que ela pode se regenerar.

A Cia de Danças aposta nas crianças para tal tarefa. Segundo o produtor e bailarino, Ton Carbones, como todos são oficineiros e, portanto, referências das crianças, o elenco espera “que eles assimilem o espetáculo e comecem a agir”. A transformação do mundo num lugar melhor é a utopia de Quixotes.

Música – Para compor a trilha sonora do espetáculo, Ana Bottosso convidou Loop B, músico que usa objetos inusitados e sucata em seu trabalho. Um tanque de gasolina, uma geladeira, cartuchos de balas de canhão, um botijão de gás doméstico e música eletrônica no computador. Estes são os instrumentos que o artista leva ao palco e os coordena ao vivo durante a apresentação. Para tirar o som do tanque de gasolina, Loop usa até uma furadeira como baqueta.

O compositor explicou que as balas de canhão usadas no espetáculo foram o princípio de tudo. O cunhado de Loop tinha um ferro-velho e sempre presenteava a noiva com objetos antigos para decoração. Loop B, então, percebeu que o som tirado dos presentes da irmã poderia ser usado em seu trabalho. Sempre com inspiração direta do mestre Hermeto Pascoal. O músico ainda lançará durante as apresentações de Quixotes do Amanhã, o CD com 12 faixas da trilha completa da montagem.

O espetáculo fica em cartaz até domingo no Clara Nunes. Em julho, a Cia fará uma temporada no Rio e negocia apresentações em São Paulo para agosto.

Quixotes do Amanhã – Dança. Nesta sexta-feira, sáb. e dom., às 19h. No Teatro Clara Nunes – r. Graciosa, 300. Diadema. Tel.:4056-3366. Entrada franca. (Supervisão Melina Dias)


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Cia. de Diadema estréia coreografia

Daniel Gutierrez
Especial para o Diário

25/05/2006 | 08:31


Ele era um aficionado por histórias de cavaleiros medievais. De tanto ler sobre os cavaleiros andantes, princesas, reinos encantados e feiticeiros, o ingênuo fidalgo espanhol passou a acreditar, em seus delírios, que ele próprio era um desses heróis. Para sair em disparada pelos campos em busca de aventura, Dom Quixote recorre a uma velha armadura enferrujada de seu avô; confecciona uma viseira de papelão; se auto-batiza Dom Quixote de La Mancha e sai galopando, no lombo do decrépito cavalo Rocinante. Em companhia do fiel escudeiro, Sancho Pança, Dom Quixote cria e transforma o mundo a sua volta.

É baseada nessa obra de Miguel de Cervantes (1547- 1616), considerado por muitos escritores como o único rival possível de William Shakespeare na literatura de ficção dos últimos quatro séculos, que a Cia de Danças de Diadema, dirigida por Ana Bottosso, montou o mais novo espetáculo da trupe: Quixotes do Amanhã. A montagem estréia nesta sexta-feira, no Teatro Clara Nunes, Centro Cultural Diadema, com entrada franca.

O novo projeto da Cia de Danças, que completou 11 anos de existência em fevereiro, usa a obra Dom Quixote de La Mancha para tratar de lixo, reciclagem e humanidade. Foi o primeiro trabalho coreográfico que Fernando Machado, integrante da Cia. de Danças há nove anos, assinou sozinho. “Aproveitamos que 2005 foi um ano recheado de releituras de Dom Quixote e fizemos um paralelo da obra com a situação atual do planeta”, explica o coreógrafo e bailarino. Segundo Machado, a criação do espetáculo foi coletiva. Ele estimulou, organizou e dirigiu a coreografia, mas os bailarinos ajudaram a dar corpo e consistência à obra. De acordo com Alessandra Fioravanti, membro do elenco, “a contribuição dos bailarinos foi muito grande e essencial para a identidade do espetáculo”.

De fato, a Cia de Danças de Diadema usa a criatividade do elenco nos espetáculos. Todos os bailarinos são professores das oficinas de dança ministradas em dez centros culturais da cidade. “O bailarino não recebe apenas a coreografia de outro profissional. Nós fazemos uma investigação da expressão corporal de cada um”, elucida a diretora Ana Bottosso. Há tempos, segundo Ana, a Cia lança mão desse recurso para criar e montar os espetáculos. Reuniram, no caso de Quixotes, a direção artística dela, a direção coreográfica de Fernando Machado e as intervenções pertinentes do corpo de baile.

A Cia de Danças de Diadema nasceu concomitantemente às oficinas de dança. Segundo Fernado Machado, é a única do Brasil a ter este formato.

Humanidade – Quixotes do Amanhã trata, sobretudo, das relações humanas com a natureza e com os espaços que os seres dominantes do planeta ocupam. Trata também da destruição cega desse mundo, produto da inconseqüência e da incosciência humana.

Numa metáfora sobre o quanto os habitantes da Terra estão inseridos neste problema, o espetáculo começa com um amontoado de lixo no centro do palco. O lixo parece inerte, até que alguns bailarinos mimetizados aos objetos começam a se mover.

Entre as questões centrais do espetáculo estão o que fazer quando tudo é descartável e que atitude tomar para controlar o ímpeto de consumo que destrói a natureza num ritmo muito superior ao que ela pode se regenerar.

A Cia de Danças aposta nas crianças para tal tarefa. Segundo o produtor e bailarino, Ton Carbones, como todos são oficineiros e, portanto, referências das crianças, o elenco espera “que eles assimilem o espetáculo e comecem a agir”. A transformação do mundo num lugar melhor é a utopia de Quixotes.

Música – Para compor a trilha sonora do espetáculo, Ana Bottosso convidou Loop B, músico que usa objetos inusitados e sucata em seu trabalho. Um tanque de gasolina, uma geladeira, cartuchos de balas de canhão, um botijão de gás doméstico e música eletrônica no computador. Estes são os instrumentos que o artista leva ao palco e os coordena ao vivo durante a apresentação. Para tirar o som do tanque de gasolina, Loop usa até uma furadeira como baqueta.

O compositor explicou que as balas de canhão usadas no espetáculo foram o princípio de tudo. O cunhado de Loop tinha um ferro-velho e sempre presenteava a noiva com objetos antigos para decoração. Loop B, então, percebeu que o som tirado dos presentes da irmã poderia ser usado em seu trabalho. Sempre com inspiração direta do mestre Hermeto Pascoal. O músico ainda lançará durante as apresentações de Quixotes do Amanhã, o CD com 12 faixas da trilha completa da montagem.

O espetáculo fica em cartaz até domingo no Clara Nunes. Em julho, a Cia fará uma temporada no Rio e negocia apresentações em São Paulo para agosto.

Quixotes do Amanhã – Dança. Nesta sexta-feira, sáb. e dom., às 19h. No Teatro Clara Nunes – r. Graciosa, 300. Diadema. Tel.:4056-3366. Entrada franca. (Supervisão Melina Dias)

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