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Condição de trabalho inspira arte


William Glauber
Do Diário do Grande ABC

30/04/2006 | 09:07


Com muita cor, reflexão e criatividade, crianças, adolescentes e adultos em processo de alfabetização da rede pública de ensino de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá expressaram em arte e literatura impressões acerca do sisudo conceito de trabalho. Como parte das comemorações do 1º de Maio, o primeiro concurso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC premiou neste sábado seis desenhos e redações que melhor sintetizam as contradições do trabalho nos dias atuais.

Os seis vencedores levaram para casa um computador, e as escolas onde estão matriculados foram contempladas com um aparelho de televisão. No total, 488 trabalhos chegaram às bancas examinadoras compostas por sindicalistas, especialistas em arte e também professores de redação. Participaram estudantes de 1ª a 8ª séries e adultos do Mova (Movimento de Alfabetização) e EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Para auxiliar professores e educandos, o sindicato preparou cartilha com a história dos 120 anos do Dia do Trabalho no Brasil e no mundo. A principal intenção dos organizadores era estimular o resgate do conceito de trabalho, distorcido ao longo do tempo e reduzido às celebrações festivas. "A origem do 1º de Maio vem se perdendo. O dia é para a classe trabalhadora pensar reivindicações", afirma o diretor de Organização do sindicato, Sérgio Nobre.

O coordenador do Departamento de Formação, Alex Sgreccia, destaca também que, além de cunhar o conceito de trabalho na contemporaneidade, o concurso aproxima a entidade das diversas comunidades do Grande ABC. "A ação é importante porque leva a discussão além dos trabalhadores, como fazemos todos os anos. Colocamos o tema no currículo escolar, de forma criativa, e o resultado supera as expectativas", relata o sociólogo.

Segundo os organizadores, a maior parte dos trabalhos retrata a realidade social dramática de parte significativa da população das sete cidades. Entre as principais questões abordadas pelas crianças, adolescentes e adultos estão o desemprego, trabalho infantil, saneamento básico e a distribuição de renda. "Levamos em consideração a visão crítica em relação à exclusão social e, por isso, tivemos dificuldade para escolher os vencedores deste ano", conta Sgreccia.

Percepção – A sensibilidade em retratar o mundo real pode ser observada no desenho de Lucas da Silva Jesus, que está apenas na 2ª série do ensino fundamental da Escola Municipal Professora Annete Melchioretto, de Diadema (veja trabalho nesta página). O estudante expressa na obra duas realidades sociais distintas: o centro da cidade e a excluída periferia. De forma lúdica, Lucas também registra a falta de vagas nas indústrias e as longas filas em agências de emprego e do INSS.

No mesmo sentido, a redação vitoriosa de Thiago Pimentel, da 7ª série do Sesi de Mauá, estabelece relação entre desemprego e expansão da criminalidade. "Trabalho, ô coisa difícil de se achar. A maioria da população é desempregada, não porque tem preguiça de procurar emprego. É assim que um homem honesto vira um marginal", relatam fragmentos do texto. O prêmio é o primeiro computador do filho de um metalúrgico.

A pró-reitora comunitária do Centro Universitário Fundação Santo André e cientista política, Angélica Lovatto, estudiosa das lutas trabalhistas, diz que as crianças participantes do concurso manifestam percepção precoce sobre a realidade social. "Essas crianças, quando puderem, vão fazer algo para transformar a sociedade. Elas poderão fazer a diferença", diz. Segundo ela, muitos direitos foram perdidos nas últimas décadas e as futuras gerações de trabalhadores terão de lutar bastante para reconquistar espaços.



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Condição de trabalho inspira arte

William Glauber
Do Diário do Grande ABC

30/04/2006 | 09:07


Com muita cor, reflexão e criatividade, crianças, adolescentes e adultos em processo de alfabetização da rede pública de ensino de Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá expressaram em arte e literatura impressões acerca do sisudo conceito de trabalho. Como parte das comemorações do 1º de Maio, o primeiro concurso do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC premiou neste sábado seis desenhos e redações que melhor sintetizam as contradições do trabalho nos dias atuais.

Os seis vencedores levaram para casa um computador, e as escolas onde estão matriculados foram contempladas com um aparelho de televisão. No total, 488 trabalhos chegaram às bancas examinadoras compostas por sindicalistas, especialistas em arte e também professores de redação. Participaram estudantes de 1ª a 8ª séries e adultos do Mova (Movimento de Alfabetização) e EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Para auxiliar professores e educandos, o sindicato preparou cartilha com a história dos 120 anos do Dia do Trabalho no Brasil e no mundo. A principal intenção dos organizadores era estimular o resgate do conceito de trabalho, distorcido ao longo do tempo e reduzido às celebrações festivas. "A origem do 1º de Maio vem se perdendo. O dia é para a classe trabalhadora pensar reivindicações", afirma o diretor de Organização do sindicato, Sérgio Nobre.

O coordenador do Departamento de Formação, Alex Sgreccia, destaca também que, além de cunhar o conceito de trabalho na contemporaneidade, o concurso aproxima a entidade das diversas comunidades do Grande ABC. "A ação é importante porque leva a discussão além dos trabalhadores, como fazemos todos os anos. Colocamos o tema no currículo escolar, de forma criativa, e o resultado supera as expectativas", relata o sociólogo.

Segundo os organizadores, a maior parte dos trabalhos retrata a realidade social dramática de parte significativa da população das sete cidades. Entre as principais questões abordadas pelas crianças, adolescentes e adultos estão o desemprego, trabalho infantil, saneamento básico e a distribuição de renda. "Levamos em consideração a visão crítica em relação à exclusão social e, por isso, tivemos dificuldade para escolher os vencedores deste ano", conta Sgreccia.

Percepção – A sensibilidade em retratar o mundo real pode ser observada no desenho de Lucas da Silva Jesus, que está apenas na 2ª série do ensino fundamental da Escola Municipal Professora Annete Melchioretto, de Diadema (veja trabalho nesta página). O estudante expressa na obra duas realidades sociais distintas: o centro da cidade e a excluída periferia. De forma lúdica, Lucas também registra a falta de vagas nas indústrias e as longas filas em agências de emprego e do INSS.

No mesmo sentido, a redação vitoriosa de Thiago Pimentel, da 7ª série do Sesi de Mauá, estabelece relação entre desemprego e expansão da criminalidade. "Trabalho, ô coisa difícil de se achar. A maioria da população é desempregada, não porque tem preguiça de procurar emprego. É assim que um homem honesto vira um marginal", relatam fragmentos do texto. O prêmio é o primeiro computador do filho de um metalúrgico.

A pró-reitora comunitária do Centro Universitário Fundação Santo André e cientista política, Angélica Lovatto, estudiosa das lutas trabalhistas, diz que as crianças participantes do concurso manifestam percepção precoce sobre a realidade social. "Essas crianças, quando puderem, vão fazer algo para transformar a sociedade. Elas poderão fazer a diferença", diz. Segundo ela, muitos direitos foram perdidos nas últimas décadas e as futuras gerações de trabalhadores terão de lutar bastante para reconquistar espaços.

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