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Poesia do Leitor: Por Guilherme Renso


da Redação

21/01/2018 | 07:00


Paraíba do Sul, velho de guerra
Meu Paraíba do Sul,
bom e velho de guerra. 
Largo, sagrado, imponente, mas não menos maltratado. 
Poluição e esgoto ceifaram
a precária vida que ainda
restava ali. 
Não sobrou nada ou bem
pouco dos piaus e lambaris.
Pobres e órfãos pescadores que velam suas marginais. 
Cruel realidade de quem
um dia emergiu a
Senhora Aparecida.
Peixes e mais peixes, o
primeiro milagre de
importância inestimável.
Duro contraste em uma
realidade cada vez mais
lamentável.
Ah, meu Paraíba, reflexo
cristalino de sua barrenta
realidade. 
Arcaicas residências e
indústrias que irrigam
ou irritam, suas bordas. 
Bordas que cortejam ao
assimétrico horizonte de
montanhas.
Eufemismo do Vale que se vale de um pôr do sol que
não sai de moda.
Paraíba é rio que nasce
na desvairada Bocaina.
Fugaz feito um trem,
segue seu curso até Minas,
onde não para.
Poliglota das águas, trata
logo de correr para
outras bandas.
É ligeiro. Deságua no mar, em pleno estado da Guanabara.

Olhares
Palavras são palavras
Frias, quentes,
Distantes ou próximas,
Idiotas ou decentes.
Palavras são palavras
Enganam, iludem e mentem.
Ao menos são coerentes,
Até mesmo as incoerentes.
E os olhares?
Não. Olhares não.
Entregam. Revelam. Gritam.
Sem que uma só palavra
seja dita.

Disputa dos pingos
A disputa é eletrizante
Ninguém sabe quem
vai ganhar
A água da mangueira que
escorre pelos vidros
Dá vida à agitada corrida
dos pingos.
Um cruza o caminho do outro
O outro cruza o caminho do um
Lá vem o seco e insensível
pano de chão,
Limpou o vidro e encerrou
a competição.

Janelinha
Na estação cheia de janelas
Não vale perder o bonde
Quando o vagão vira lata de
sardinha
Não queira sentar na janelinha.

O AUTOR: Guilherme Renso, jornalista, de São Caetano.

* Tem alguma poesia que deseja mostrar? Mande para a gente no e-mail cultura@dgabc.com.br. Ela poderá ser publicada aqui



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Poesia do Leitor: Por Guilherme Renso

da Redação

21/01/2018 | 07:00


Paraíba do Sul, velho de guerra
Meu Paraíba do Sul,
bom e velho de guerra. 
Largo, sagrado, imponente, mas não menos maltratado. 
Poluição e esgoto ceifaram
a precária vida que ainda
restava ali. 
Não sobrou nada ou bem
pouco dos piaus e lambaris.
Pobres e órfãos pescadores que velam suas marginais. 
Cruel realidade de quem
um dia emergiu a
Senhora Aparecida.
Peixes e mais peixes, o
primeiro milagre de
importância inestimável.
Duro contraste em uma
realidade cada vez mais
lamentável.
Ah, meu Paraíba, reflexo
cristalino de sua barrenta
realidade. 
Arcaicas residências e
indústrias que irrigam
ou irritam, suas bordas. 
Bordas que cortejam ao
assimétrico horizonte de
montanhas.
Eufemismo do Vale que se vale de um pôr do sol que
não sai de moda.
Paraíba é rio que nasce
na desvairada Bocaina.
Fugaz feito um trem,
segue seu curso até Minas,
onde não para.
Poliglota das águas, trata
logo de correr para
outras bandas.
É ligeiro. Deságua no mar, em pleno estado da Guanabara.

Olhares
Palavras são palavras
Frias, quentes,
Distantes ou próximas,
Idiotas ou decentes.
Palavras são palavras
Enganam, iludem e mentem.
Ao menos são coerentes,
Até mesmo as incoerentes.
E os olhares?
Não. Olhares não.
Entregam. Revelam. Gritam.
Sem que uma só palavra
seja dita.

Disputa dos pingos
A disputa é eletrizante
Ninguém sabe quem
vai ganhar
A água da mangueira que
escorre pelos vidros
Dá vida à agitada corrida
dos pingos.
Um cruza o caminho do outro
O outro cruza o caminho do um
Lá vem o seco e insensível
pano de chão,
Limpou o vidro e encerrou
a competição.

Janelinha
Na estação cheia de janelas
Não vale perder o bonde
Quando o vagão vira lata de
sardinha
Não queira sentar na janelinha.

O AUTOR: Guilherme Renso, jornalista, de São Caetano.

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