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Despretensioso, Ramalhão chega ao topo do Brasil

Banco de Dados/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

EC Santo André derrotou o todo-poderoso
Flamengo em pleno Estádio do Maracanã


Dérek Bittencourt
Anderson Fattori
Marcelo Argachoy
Especial para o Diário

16/09/2017 | 07:00


Uma escalada de seis degraus elevou definitivamente o patamar do EC Santo André. Estreante da Copa do Brasil de 2004 por conta do título da Copa Estado do ano anterior, o Ramalhão sequer tinha grandes ambições, mas passo a passo foi superando as dificuldades internas e externas para chegar à final, em 30 de junho, derrotar o todo-poderoso Flamengo em pleno Estádio do Maracanã e conquistar o maior e mais importante troféu de sua galeria.
“Começamos sem pretensão nenhuma”, relembra o então volante Sérgio Soares, que durante a competição se aposentou e virou auxiliar do clube.

O primeiro degrau foi o menos complicado: aplicou 5 a 0 sobre o Novo Horizonte, em Ipameri-GO, eliminando o jogo da volta e classificando-se para encarar o Atlético-MG.

Para muitos, ali seria o fim da campanha andreense. Entretanto, vitória por 3 a 0 no Bruno Daniel deu fôlego suficiente para que a derrota por 2 a 0 no Mineirão e as saídas de quatro peças importantes do elenco fossem superadas.

O próximo adversário era o Guarani. No primeiro jogo, empate por 1 a 1 em Campinas. O gol de Dedimar determinaria a classificação, afinal nova igualdade na volta, desta vez por 0 a 0 – já reforçado pelo trio Dirceu, Osmar e Sandro Gaúcho –, fez o Ramalhão dar outro passo, de encontro a outro grande adversário: o Palmeiras.

Com Péricles Chamusca no lugar de Luiz Carlos Ferreira, empate por 3 a 3 na ida, no Bruno Daniel. “Todo mundo achou que ali estávamos fora. Mas os deuses do futebol olharam para nós”, conta Sérgio Soares. Isso porque, na volta, no Parque Antártica, o Verdão abriu 4 a 2. Mas... “Já não tínhamos nada a perder. Sugeri ao Chamusca: ‘Coloca o Tássio’. E ele fez gol e deu passe para outro”. Os 4 a 4 garantiram o time na semifinal.

Pela frente, o XV de Novembro, de Campo Bom, dirigido por Mano Menezes. A derrota no Bruno Daniel por 4 a 3 foi alarmante, mas o triunfo por 3 a 1 no Olímpico determinou o que parecia impossível: levou o debutante à final. “Queríamos pegar o Flamengo, que tinha deficiência física, cansava”, revela Sérgio Soares. “Sabíamos que mesmo sendo o todo-poderoso, a gente tinha condições.”

Empate por 2 a 2 no Parque Antártica e decisão no Maracanã. O fim é de conhecimento geral: 2 a 0, gols de Élvis e Sandro Gaúcho, para festa de aproximadamente 400 no Rio, 2.000 no Paço andreense, centenas na sede social do Jaçatuba, além de milhares no Brasil e no mundo.

“Foi o título para coroar todo meu trabalho como atleta profissional e que ainda hoje, 13 anos depois, ainda falam dele, daquele gol. Uma conquista que trouxe visibilidade inclusive para a cidade. Um pequeno e vitorioso contra grande clube. Notório. Façanha reconhecida dentro e fora do País”, destaca Sandro Gaúcho, vice-artilheiro da história ramalhina, com 58 tentos nas duas passagens pelo clube – já havia participado da campanha do acesso de 2001.


Tríplice coroa valoriza categoria de base e coloca clube em outro patamar

O Santo André nunca teve ano tão vitorioso como em 2003. Foram três conquistas que elevaram o patamar do clube. A primeira foi o título da Copa São Paulo de Juniores. Já no fim da temporada, conseguiu improvável acesso para a Série B do Brasileiro e, na sequência, levantou o caneco da Copa Estado de São Paulo – atual Copa Paulista – e ganhou a vaga para a histórica Copa do Brasil de 2004.

A tríplice coroa ratificou ousado projeto iniciado em 1997 na categoria de base chamado Jovem Santo André, que teve como padrinho o ex-atacante Ronaldo Fenômeno, na época atleta da Inter de Milão. O trabalho solidificou o futebol e gerou frutos para a equipe profissional, como o goleiro Júnior Costa, o zagueiro Alex Bruno, o lateral-esquerdo Richarlyson, o meia Tássio, o atacante Nunes, entre outros.

Foram esses garotos os responsáveis pela primeira alegria do ano, quando arrancaram o empate por 2 a 2 com o Palmeiras e levaram o inédito título da Copa São Paulo de Juniores, nos pênaltis, no Pacaembu lotado e com o polêmico Nunes imitando um porco na última cobrança.

No Brasileiro da Série C, o Ramalhão levou o acesso para a Série B também fora de casa, contra o Campinense-PB, em incrível virada por 2 a 1. Por fim, fechou com chave de ouro ao golear o Ituano na final da Copa Estado de São Paulo, no Bruno Daniel, por 4 a 1, depois de ter perdido o primeiro jogo, em Itu, por 1 a 0.


Ferreira domina cenário entre técnicos

Se dentro de campo o Santo André teve personagens que marcaram época, na área técnica o clube também ganhou destaque com treinadores que, apesar de não serem badalados na elite do futebol, o levaram a conquistas importantes em seus 50 anos. E, neste caso, o nome Luiz Carlos Ferreira é unanimidade no Jaçatuba e nas arquibancadas do Brunão.

Entre idas e vindas o técnico dirigiu o Santo André por nove vezes, a última em 2006. Conquistou a Copa Estado de 2003 e acessos – casos do Paulista de 2001 (da A-2 para a elite) e do Brasileiro de 2003 (da Série C à B). Isso sem contar as vezes em que agiu como ‘bombeiro’ e salvou o time de rebaixamentos.

“Felicidade muito grande pelo aniversário do Santo André. Tenho carinho todo especial pelo clube. Sempre houve empatia muito grande com a diretoria. E a torcida sempre me apoiou”, disse Ferreira ontem, que lamentou ter trocado o Ramalhão pelo Sport nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2004 e ficado de fora do restante da campanha que rendeu ao clube o título. “Me arrependo.”

Sem Ferreira, coube ao ‘desconhecido’ Péricles Chamusca – auxiliado por Sérgio Soares – conduzir o clube ao posto mais alto frente ao Flamengo.

Mas outros treinadores também fizeram história no clube, casos de Toninho Cecílio, Fahel Júnior, Sebastião Lapolla e Aurélio Bastos – todos campeões da Série A-2. Manga, Coutinho, Geninho, Hélio dos Anjos, Wagner Benazzi, Jair Picerni, Sérgio Guedes, Luís Carlos Martins, Tata, Ruy Scarpino, Márcio Fernandes, Rotta e Pintado estão entre outros que defenderam as cores do Ramalhão.



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Despretensioso, Ramalhão chega ao topo do Brasil

EC Santo André derrotou o todo-poderoso
Flamengo em pleno Estádio do Maracanã

Dérek Bittencourt
Anderson Fattori
Marcelo Argachoy
Especial para o Diário

16/09/2017 | 07:00


Uma escalada de seis degraus elevou definitivamente o patamar do EC Santo André. Estreante da Copa do Brasil de 2004 por conta do título da Copa Estado do ano anterior, o Ramalhão sequer tinha grandes ambições, mas passo a passo foi superando as dificuldades internas e externas para chegar à final, em 30 de junho, derrotar o todo-poderoso Flamengo em pleno Estádio do Maracanã e conquistar o maior e mais importante troféu de sua galeria.
“Começamos sem pretensão nenhuma”, relembra o então volante Sérgio Soares, que durante a competição se aposentou e virou auxiliar do clube.

O primeiro degrau foi o menos complicado: aplicou 5 a 0 sobre o Novo Horizonte, em Ipameri-GO, eliminando o jogo da volta e classificando-se para encarar o Atlético-MG.

Para muitos, ali seria o fim da campanha andreense. Entretanto, vitória por 3 a 0 no Bruno Daniel deu fôlego suficiente para que a derrota por 2 a 0 no Mineirão e as saídas de quatro peças importantes do elenco fossem superadas.

O próximo adversário era o Guarani. No primeiro jogo, empate por 1 a 1 em Campinas. O gol de Dedimar determinaria a classificação, afinal nova igualdade na volta, desta vez por 0 a 0 – já reforçado pelo trio Dirceu, Osmar e Sandro Gaúcho –, fez o Ramalhão dar outro passo, de encontro a outro grande adversário: o Palmeiras.

Com Péricles Chamusca no lugar de Luiz Carlos Ferreira, empate por 3 a 3 na ida, no Bruno Daniel. “Todo mundo achou que ali estávamos fora. Mas os deuses do futebol olharam para nós”, conta Sérgio Soares. Isso porque, na volta, no Parque Antártica, o Verdão abriu 4 a 2. Mas... “Já não tínhamos nada a perder. Sugeri ao Chamusca: ‘Coloca o Tássio’. E ele fez gol e deu passe para outro”. Os 4 a 4 garantiram o time na semifinal.

Pela frente, o XV de Novembro, de Campo Bom, dirigido por Mano Menezes. A derrota no Bruno Daniel por 4 a 3 foi alarmante, mas o triunfo por 3 a 1 no Olímpico determinou o que parecia impossível: levou o debutante à final. “Queríamos pegar o Flamengo, que tinha deficiência física, cansava”, revela Sérgio Soares. “Sabíamos que mesmo sendo o todo-poderoso, a gente tinha condições.”

Empate por 2 a 2 no Parque Antártica e decisão no Maracanã. O fim é de conhecimento geral: 2 a 0, gols de Élvis e Sandro Gaúcho, para festa de aproximadamente 400 no Rio, 2.000 no Paço andreense, centenas na sede social do Jaçatuba, além de milhares no Brasil e no mundo.

“Foi o título para coroar todo meu trabalho como atleta profissional e que ainda hoje, 13 anos depois, ainda falam dele, daquele gol. Uma conquista que trouxe visibilidade inclusive para a cidade. Um pequeno e vitorioso contra grande clube. Notório. Façanha reconhecida dentro e fora do País”, destaca Sandro Gaúcho, vice-artilheiro da história ramalhina, com 58 tentos nas duas passagens pelo clube – já havia participado da campanha do acesso de 2001.


Tríplice coroa valoriza categoria de base e coloca clube em outro patamar

O Santo André nunca teve ano tão vitorioso como em 2003. Foram três conquistas que elevaram o patamar do clube. A primeira foi o título da Copa São Paulo de Juniores. Já no fim da temporada, conseguiu improvável acesso para a Série B do Brasileiro e, na sequência, levantou o caneco da Copa Estado de São Paulo – atual Copa Paulista – e ganhou a vaga para a histórica Copa do Brasil de 2004.

A tríplice coroa ratificou ousado projeto iniciado em 1997 na categoria de base chamado Jovem Santo André, que teve como padrinho o ex-atacante Ronaldo Fenômeno, na época atleta da Inter de Milão. O trabalho solidificou o futebol e gerou frutos para a equipe profissional, como o goleiro Júnior Costa, o zagueiro Alex Bruno, o lateral-esquerdo Richarlyson, o meia Tássio, o atacante Nunes, entre outros.

Foram esses garotos os responsáveis pela primeira alegria do ano, quando arrancaram o empate por 2 a 2 com o Palmeiras e levaram o inédito título da Copa São Paulo de Juniores, nos pênaltis, no Pacaembu lotado e com o polêmico Nunes imitando um porco na última cobrança.

No Brasileiro da Série C, o Ramalhão levou o acesso para a Série B também fora de casa, contra o Campinense-PB, em incrível virada por 2 a 1. Por fim, fechou com chave de ouro ao golear o Ituano na final da Copa Estado de São Paulo, no Bruno Daniel, por 4 a 1, depois de ter perdido o primeiro jogo, em Itu, por 1 a 0.


Ferreira domina cenário entre técnicos

Se dentro de campo o Santo André teve personagens que marcaram época, na área técnica o clube também ganhou destaque com treinadores que, apesar de não serem badalados na elite do futebol, o levaram a conquistas importantes em seus 50 anos. E, neste caso, o nome Luiz Carlos Ferreira é unanimidade no Jaçatuba e nas arquibancadas do Brunão.

Entre idas e vindas o técnico dirigiu o Santo André por nove vezes, a última em 2006. Conquistou a Copa Estado de 2003 e acessos – casos do Paulista de 2001 (da A-2 para a elite) e do Brasileiro de 2003 (da Série C à B). Isso sem contar as vezes em que agiu como ‘bombeiro’ e salvou o time de rebaixamentos.

“Felicidade muito grande pelo aniversário do Santo André. Tenho carinho todo especial pelo clube. Sempre houve empatia muito grande com a diretoria. E a torcida sempre me apoiou”, disse Ferreira ontem, que lamentou ter trocado o Ramalhão pelo Sport nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2004 e ficado de fora do restante da campanha que rendeu ao clube o título. “Me arrependo.”

Sem Ferreira, coube ao ‘desconhecido’ Péricles Chamusca – auxiliado por Sérgio Soares – conduzir o clube ao posto mais alto frente ao Flamengo.

Mas outros treinadores também fizeram história no clube, casos de Toninho Cecílio, Fahel Júnior, Sebastião Lapolla e Aurélio Bastos – todos campeões da Série A-2. Manga, Coutinho, Geninho, Hélio dos Anjos, Wagner Benazzi, Jair Picerni, Sérgio Guedes, Luís Carlos Martins, Tata, Ruy Scarpino, Márcio Fernandes, Rotta e Pintado estão entre outros que defenderam as cores do Ramalhão.

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