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Yakult faz 40 anos e volta a investir


Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

04/11/2006 | 19:48


Tradicional fabricante de leite fermentado com lactobácilos vivos, a Yakult chega aos 40 anos de existência no país com a realização de novos investimentos. A empresa, cuja marca fez (e ainda faz) parte da infância de muitos brasileiros, quer consolidar a presença entre o público infantil. Para isso, investe R$ 3 milhões para aumentar a capacidade de produção de seu suco de maçã. A meta é duplicar a exportação do produto, que já atinge 10 mil toneladas por ano.

Além disso, a companhia sediada em São Bernardo quer ampliar em 10% as vendas do item carro-chefe, que leva o nome da empresa, e dobrar o volume vendido do produto no médio prazo. O objetivo principal é se fortalecer entre os consumidores das classes A e B.

As faixas de renda um pouco mais baixas (C e D) já correspondem à maior parcela de clientes dessa indústria. Esse público é atendido pelas comerciantes autônomas que percorrem os bairros com os conhecidos carrinhos da marca. A filial brasileira do grupo japonês vende atualmente 1,2 milhão de frascos por dia, o que corresponde a 85% das vendas da fabricante no país.

O leite fermentado, que teve a produção iniciada em São Bernardo em 1968, passou a ser fabricado em Lorena, no Interior do Estado, há alguns anos. Segundo o presidente da filial brasileira, Masahiko Sadakata, a justificativa para a transferência da produção se deveu ao fato de o Vale do Paraíba ter uma excelente qualidade de água. A unidade é hoje considerada a mais moderna do mundo e possui certificação HACCP (sigla em inglês para Análise de Perigos e Pontos Críticos).

No Grande ABC, a empresa ainda fabrica o suplemento alimentar Taff-Mann E (voltado ao público masculino), sua versão feminina (Hiline) e a sobremesa láctea Sofyl (que tem entre seus ingredientes o lactobácilo Casei Shirota, presente também no leite Yakult).

Em relação à sobremesa, a companhia deverá colocar brevemente em operação um programa de treinamento das comerciantes autônomas para conscientizar mais os consumidores sobre o valor científico (comprovado por pesquisas realizadas no Japão) tanto do produto quanto do próprio leite fermentado Yakult, como alimentos que fazem bem para a saúde intestinal.

Investimentos – O investimento de R$ 3 milhões consiste na compra de maquinário importado da companhia Tetrapak para aumentar a concentração do suco de maçã em quatro vezes, com o objetivo de facilitar as exportações. Atualmente, a empresa já exporta 10 mil toneladas do suco por ano para o Japão e Formosa, e pretende começar a atender países da Europa e os Estados Unidos.

Os investimentos não devem parar por aí. Segundo Sadakata, a idéia é lançar um novo produto (que ainda é segredo absoluto) em 2008, para comemorar os 40 anos de produção do leite fermentado no Brasil. “Para isso, nosso setor de tecnologia já está trabalhando e vamos investir cerca de R$ 5 milhões em desenvolvimento, tecnologia e ampliação de fábrica. Mas antes disso teremos outras novidades”, afirmou.

Sadakata acrescenta que outra prioridade é resgatar o conceito de oferecer às pessoas alimentos que ajudem a manter a saúde, por meio do fortalecimento de ações de divulgação. “Nosso objetivo não é vender Yakult, mas difundir Yakult. E vamos resgatar no nosso corpo de vendas e no consumidor esse conceito”, disse.

A filial brasileira, que já chegou a vender 3 milhões de frascos por dia do Yakult, ainda tem importância estratégica para as vendas do grupo japonês. O Brasil é o quarto maior mercado do mundo para a empresa, que mantém um público fiel e a liderança no segmento ao longo desses 40 anos.

Histórico – O mercado brasileiro foi um dos primeiros a receber as atenções da companhia, que foi fundada no Japão, em 1935, pelo pesquisador Minoru Shirota. O segundo país a ganhar uma fábrica do leite fermentado da marca foi Taiwan e o terceiro foi o Brasil, entre outros fatores, devido ao grande número de colônias japonesas por aqui e para trazer ao país o conceito de alimento probiótico, que possui microorganismos que mantêm a saúde intestinal. Na época, a empresa investiu US$ 800 mil na instalação da fábrica, em São Bernardo.

Ao todo, nesses 40 anos, a empresa aplicou em sua atividade por aqui US$ 3 milhões, trazidos do exterior, e outros US$ 50 milhões, que foram reinvestidos a partir de resultados obtidos no país, na instalação das fábricas e para a compra de duas fazendas; a de leite, localizada em Bragança Paulista e destinada à produção do leite fermentado; e a de maçãs, localizada em Lagoinha, Santa Catarina.

Outro fato histórico: a empresa foi uma das pioneiras no sistema de venda direta. Sadakata lembra que, quando o conceito foi trazido ao país, as mulheres ainda não tinham o hábito de trabalhar fora de casa. Apenas a partir do quinto ano de operações, as vendas da empresa começaram a decolar. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa são feitas pelo sistema porta-a-porta. São hoje 6,5 mil comerciantes autônomas em todo o Brasil.

Cosméticos – Além de produzir alimentos, o grupo tem uma divisão de cosméticos, a Yakult Cosmetics, de cremes e xampus, criada há 40 anos no Japão, e que desembarcou no Brasil em 1999. Atualmente, boa parte de seus produtos nesse segmento no país é terceirizado, mas há planos de montar uma fábrica exclusiva para esses itens, em São Bernardo.

A idéia de ter uma linha de cosméticos ocorreu por acaso. Nos anos 60, o leite fermentado não era embalado nos frascos plásticos de hoje, mas em vidrinhos retornáveis. Notou-se que, ao lavá-los, as mãos das mulheres ficavam macias. Minoru Shirota, fundador da empresa e descobridor dos Lactobacillus Casei Shirota, mandou pesquisar e descobriu que o produto continha um soro de composição muito parecida com a pele. Se fazia tão bem para as mãos, deveria fazer para o corpo.

Minoru criou, assim, a segunda empresa para atender ao novo segmento, a Yakult Cosmetics, mas com uma diferença: no leite fermentado Yakult os lactobacilos estão vivos; nos cremes, não. Estava, assim, resolvido o problema de ter que guardar cosméticos na geladeira.

A substância utilizada nos produtos de beleza da empresa é chamada Complexo S.E., rica em ácidos láticos, extraída do soro que resulta da fermentação do leite pelos lactobacilos, explica a farmacêutica Mizue Kishi, técnica responsável pelos produtos Yakult Cosmetics no Brasil.



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Yakult faz 40 anos e volta a investir

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

04/11/2006 | 19:48


Tradicional fabricante de leite fermentado com lactobácilos vivos, a Yakult chega aos 40 anos de existência no país com a realização de novos investimentos. A empresa, cuja marca fez (e ainda faz) parte da infância de muitos brasileiros, quer consolidar a presença entre o público infantil. Para isso, investe R$ 3 milhões para aumentar a capacidade de produção de seu suco de maçã. A meta é duplicar a exportação do produto, que já atinge 10 mil toneladas por ano.

Além disso, a companhia sediada em São Bernardo quer ampliar em 10% as vendas do item carro-chefe, que leva o nome da empresa, e dobrar o volume vendido do produto no médio prazo. O objetivo principal é se fortalecer entre os consumidores das classes A e B.

As faixas de renda um pouco mais baixas (C e D) já correspondem à maior parcela de clientes dessa indústria. Esse público é atendido pelas comerciantes autônomas que percorrem os bairros com os conhecidos carrinhos da marca. A filial brasileira do grupo japonês vende atualmente 1,2 milhão de frascos por dia, o que corresponde a 85% das vendas da fabricante no país.

O leite fermentado, que teve a produção iniciada em São Bernardo em 1968, passou a ser fabricado em Lorena, no Interior do Estado, há alguns anos. Segundo o presidente da filial brasileira, Masahiko Sadakata, a justificativa para a transferência da produção se deveu ao fato de o Vale do Paraíba ter uma excelente qualidade de água. A unidade é hoje considerada a mais moderna do mundo e possui certificação HACCP (sigla em inglês para Análise de Perigos e Pontos Críticos).

No Grande ABC, a empresa ainda fabrica o suplemento alimentar Taff-Mann E (voltado ao público masculino), sua versão feminina (Hiline) e a sobremesa láctea Sofyl (que tem entre seus ingredientes o lactobácilo Casei Shirota, presente também no leite Yakult).

Em relação à sobremesa, a companhia deverá colocar brevemente em operação um programa de treinamento das comerciantes autônomas para conscientizar mais os consumidores sobre o valor científico (comprovado por pesquisas realizadas no Japão) tanto do produto quanto do próprio leite fermentado Yakult, como alimentos que fazem bem para a saúde intestinal.

Investimentos – O investimento de R$ 3 milhões consiste na compra de maquinário importado da companhia Tetrapak para aumentar a concentração do suco de maçã em quatro vezes, com o objetivo de facilitar as exportações. Atualmente, a empresa já exporta 10 mil toneladas do suco por ano para o Japão e Formosa, e pretende começar a atender países da Europa e os Estados Unidos.

Os investimentos não devem parar por aí. Segundo Sadakata, a idéia é lançar um novo produto (que ainda é segredo absoluto) em 2008, para comemorar os 40 anos de produção do leite fermentado no Brasil. “Para isso, nosso setor de tecnologia já está trabalhando e vamos investir cerca de R$ 5 milhões em desenvolvimento, tecnologia e ampliação de fábrica. Mas antes disso teremos outras novidades”, afirmou.

Sadakata acrescenta que outra prioridade é resgatar o conceito de oferecer às pessoas alimentos que ajudem a manter a saúde, por meio do fortalecimento de ações de divulgação. “Nosso objetivo não é vender Yakult, mas difundir Yakult. E vamos resgatar no nosso corpo de vendas e no consumidor esse conceito”, disse.

A filial brasileira, que já chegou a vender 3 milhões de frascos por dia do Yakult, ainda tem importância estratégica para as vendas do grupo japonês. O Brasil é o quarto maior mercado do mundo para a empresa, que mantém um público fiel e a liderança no segmento ao longo desses 40 anos.

Histórico – O mercado brasileiro foi um dos primeiros a receber as atenções da companhia, que foi fundada no Japão, em 1935, pelo pesquisador Minoru Shirota. O segundo país a ganhar uma fábrica do leite fermentado da marca foi Taiwan e o terceiro foi o Brasil, entre outros fatores, devido ao grande número de colônias japonesas por aqui e para trazer ao país o conceito de alimento probiótico, que possui microorganismos que mantêm a saúde intestinal. Na época, a empresa investiu US$ 800 mil na instalação da fábrica, em São Bernardo.

Ao todo, nesses 40 anos, a empresa aplicou em sua atividade por aqui US$ 3 milhões, trazidos do exterior, e outros US$ 50 milhões, que foram reinvestidos a partir de resultados obtidos no país, na instalação das fábricas e para a compra de duas fazendas; a de leite, localizada em Bragança Paulista e destinada à produção do leite fermentado; e a de maçãs, localizada em Lagoinha, Santa Catarina.

Outro fato histórico: a empresa foi uma das pioneiras no sistema de venda direta. Sadakata lembra que, quando o conceito foi trazido ao país, as mulheres ainda não tinham o hábito de trabalhar fora de casa. Apenas a partir do quinto ano de operações, as vendas da empresa começaram a decolar. Atualmente, cerca de 60% das vendas da empresa são feitas pelo sistema porta-a-porta. São hoje 6,5 mil comerciantes autônomas em todo o Brasil.

Cosméticos – Além de produzir alimentos, o grupo tem uma divisão de cosméticos, a Yakult Cosmetics, de cremes e xampus, criada há 40 anos no Japão, e que desembarcou no Brasil em 1999. Atualmente, boa parte de seus produtos nesse segmento no país é terceirizado, mas há planos de montar uma fábrica exclusiva para esses itens, em São Bernardo.

A idéia de ter uma linha de cosméticos ocorreu por acaso. Nos anos 60, o leite fermentado não era embalado nos frascos plásticos de hoje, mas em vidrinhos retornáveis. Notou-se que, ao lavá-los, as mãos das mulheres ficavam macias. Minoru Shirota, fundador da empresa e descobridor dos Lactobacillus Casei Shirota, mandou pesquisar e descobriu que o produto continha um soro de composição muito parecida com a pele. Se fazia tão bem para as mãos, deveria fazer para o corpo.

Minoru criou, assim, a segunda empresa para atender ao novo segmento, a Yakult Cosmetics, mas com uma diferença: no leite fermentado Yakult os lactobacilos estão vivos; nos cremes, não. Estava, assim, resolvido o problema de ter que guardar cosméticos na geladeira.

A substância utilizada nos produtos de beleza da empresa é chamada Complexo S.E., rica em ácidos láticos, extraída do soro que resulta da fermentação do leite pelos lactobacilos, explica a farmacêutica Mizue Kishi, técnica responsável pelos produtos Yakult Cosmetics no Brasil.

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