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Consumidor exige comida saudável


Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

15/04/2007 | 07:16


Alimentação saudável virou meta de vida para muita gente. Há uma preferência por comidas sem gordura hidrogenada, sem agrotóxicos, sem excesso de calorias. A tendência fica clara se olharmos para os inimigos declarados dos adeptos das comidas naturebas: empresas de refrigerantes, salgadinhos, biscoitos e de fast-food. Nos últimos tempos, essas empresas passaram a investir pesado em alimentos considerados saudáveis, tentando quebrar a imagem do junk-food (alimentos pouco saudáveis).

Desde que começaram as publicações de pesquisas mostrando o quanto a gordura trans (gordura vegetal hidrogenada) fazia mal, especialmente para o sistema cardio-vascular, as empresas procuraram desatrelar-se desse ingrediente. O uso da gordura trans tinha razões mercadológicas aceitáveis. “A gordura hidrogenada trazia aspectos interessantes para a indústria. Ela é pastosa em temperatura ambiente, tem rendimento maior, não deixa sabor no produto e ainda tem menor custo”, explica o diretor de Compras e Qualidade do McDonald’s, Celso Cruz.

O problema é que esse tipo específico de gordura é praticamente um veneno. No sangue, acelera a produção de colesterol ruim (que entope as veias com placas de gordura) e diminui a produção de colesterol bom (que consegue retirar o colesterol ruim do corpo e levá-lo ao fígado), de acordo com o diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, Raul Dias Santos.

O McDonald’s é uma das empresas que passa por um processo de mudanças em nome da comida saudável. Depois de quase dois anos de pesquisa, a rede anunciou neste mês que desde janeiro usa óleo livre de gordura trans na fritura das batatas, empanados de frango e de peixe e das tortinhas. Segundo o diretor Cruz, no caso da batata a redução foi de 100%.

O caso do McDonald’s exemplifica o que as indústrias têm de fazer para adequar-se às exigências do consumidor. Eles tiveram de desenvolver um mesmo óleo que pudesse ser distribuído para as 545 lojas de todo o País, que não trouxessem aumento de custo e que não alterassem o sabor. Um grande desafio, segundo o diretor.

Empresas de diversos ramos aceitam enfrentar tal desafio. A Elma Chips, empresa líder em salgadinhos no País, conseguiu retirar a gordura trans de seus produtos desde 1999. A Adria lançou recentemente a primeira bolacha recheada do País sem essa gordura. “Temos recebido muitos elogios pela iniciativa”, diz a diretora de Marketing da Adria, Jurema Aguiar.

Mas a gordura trans não é o único elemento nocivo à saúde encontrado nos alimentos. Veja, por exemplo, o refrigerante. Há anos, sabe-se que essas bebidas são fontes de açúcares e de calorias em excesso. O processo de gaseificação inclui ainda a adição de gás carbônico. A Coca-Cola, ícone máximo dessa indústria, passou a investir em bebidas alternativas, como sucos, águas aromatizadas e chás. Segundo a empresa, é um mercado em franco crescimento. Mas a Coca não deixa de investir nos refrigerantes, mesmo em bebidas com zero de açúcar, como devem ser os próximos lançamentos da companhia.

O discurso das indústrias de mudanças adotadas pensando na saúde do consumidor ou na queda das vendas podem não convencer algumas pessoas. E mesmo o consumo de comidas feitas em casa pode trazer prejuízos à saúde. Aí, cabe uma solução mais radical. “Consumo muita soja, legumes e fruta. A saúde vem de brinde”, diz o vegetariano Tiago Rodrigues, 25 anos, estudante. Sem carne há sete anos, ele diz que a variedade no cardápio agora é maior. “Antes, era só arroz, feijão e bife.”

Se vegetarianismo é uma atitude natureba demais, é possível trocar alimentos. Preferir, por exemplo, vegetais orgânicos (sem agrotóxicos). “Mas o custo deles ainda é caro”, afirma a vendedora Eliza Fatobene, 26, consumidora dessas comidas. A Coop, rede varejista do Grande ABC, confirma a procura dos produtos dessa natureza. “Realmente, tem um custo maior, mas o consumidor sabe disso e vai ao mercado já à procura deles”, diz o responsável por produtos de Origem Animal da empresa, Osmar Kimura.

(Colaborou Isis Mastromano Correia)



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Consumidor exige comida saudável

Bruno Ribeiro
Do Diário do Grande ABC

15/04/2007 | 07:16


Alimentação saudável virou meta de vida para muita gente. Há uma preferência por comidas sem gordura hidrogenada, sem agrotóxicos, sem excesso de calorias. A tendência fica clara se olharmos para os inimigos declarados dos adeptos das comidas naturebas: empresas de refrigerantes, salgadinhos, biscoitos e de fast-food. Nos últimos tempos, essas empresas passaram a investir pesado em alimentos considerados saudáveis, tentando quebrar a imagem do junk-food (alimentos pouco saudáveis).

Desde que começaram as publicações de pesquisas mostrando o quanto a gordura trans (gordura vegetal hidrogenada) fazia mal, especialmente para o sistema cardio-vascular, as empresas procuraram desatrelar-se desse ingrediente. O uso da gordura trans tinha razões mercadológicas aceitáveis. “A gordura hidrogenada trazia aspectos interessantes para a indústria. Ela é pastosa em temperatura ambiente, tem rendimento maior, não deixa sabor no produto e ainda tem menor custo”, explica o diretor de Compras e Qualidade do McDonald’s, Celso Cruz.

O problema é que esse tipo específico de gordura é praticamente um veneno. No sangue, acelera a produção de colesterol ruim (que entope as veias com placas de gordura) e diminui a produção de colesterol bom (que consegue retirar o colesterol ruim do corpo e levá-lo ao fígado), de acordo com o diretor da Unidade Clínica de Dislipidemias do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, Raul Dias Santos.

O McDonald’s é uma das empresas que passa por um processo de mudanças em nome da comida saudável. Depois de quase dois anos de pesquisa, a rede anunciou neste mês que desde janeiro usa óleo livre de gordura trans na fritura das batatas, empanados de frango e de peixe e das tortinhas. Segundo o diretor Cruz, no caso da batata a redução foi de 100%.

O caso do McDonald’s exemplifica o que as indústrias têm de fazer para adequar-se às exigências do consumidor. Eles tiveram de desenvolver um mesmo óleo que pudesse ser distribuído para as 545 lojas de todo o País, que não trouxessem aumento de custo e que não alterassem o sabor. Um grande desafio, segundo o diretor.

Empresas de diversos ramos aceitam enfrentar tal desafio. A Elma Chips, empresa líder em salgadinhos no País, conseguiu retirar a gordura trans de seus produtos desde 1999. A Adria lançou recentemente a primeira bolacha recheada do País sem essa gordura. “Temos recebido muitos elogios pela iniciativa”, diz a diretora de Marketing da Adria, Jurema Aguiar.

Mas a gordura trans não é o único elemento nocivo à saúde encontrado nos alimentos. Veja, por exemplo, o refrigerante. Há anos, sabe-se que essas bebidas são fontes de açúcares e de calorias em excesso. O processo de gaseificação inclui ainda a adição de gás carbônico. A Coca-Cola, ícone máximo dessa indústria, passou a investir em bebidas alternativas, como sucos, águas aromatizadas e chás. Segundo a empresa, é um mercado em franco crescimento. Mas a Coca não deixa de investir nos refrigerantes, mesmo em bebidas com zero de açúcar, como devem ser os próximos lançamentos da companhia.

O discurso das indústrias de mudanças adotadas pensando na saúde do consumidor ou na queda das vendas podem não convencer algumas pessoas. E mesmo o consumo de comidas feitas em casa pode trazer prejuízos à saúde. Aí, cabe uma solução mais radical. “Consumo muita soja, legumes e fruta. A saúde vem de brinde”, diz o vegetariano Tiago Rodrigues, 25 anos, estudante. Sem carne há sete anos, ele diz que a variedade no cardápio agora é maior. “Antes, era só arroz, feijão e bife.”

Se vegetarianismo é uma atitude natureba demais, é possível trocar alimentos. Preferir, por exemplo, vegetais orgânicos (sem agrotóxicos). “Mas o custo deles ainda é caro”, afirma a vendedora Eliza Fatobene, 26, consumidora dessas comidas. A Coop, rede varejista do Grande ABC, confirma a procura dos produtos dessa natureza. “Realmente, tem um custo maior, mas o consumidor sabe disso e vai ao mercado já à procura deles”, diz o responsável por produtos de Origem Animal da empresa, Osmar Kimura.

(Colaborou Isis Mastromano Correia)

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