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Crime domina periferia de S.Bernardo


Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

02/08/2006 | 07:19


A periferia é o centro da criminalidade em São Bernardo. Essa é a conclusão de um estudo sobre violência feito sob encomenda da Prefeitura pelo Instituto Sou da Paz. Foram quatro meses de pesquisas que comprovaram por meio de números uma tese que é quase unânime entre teóricos: a violência se dissemina onde o poder público não se faz presente. Essa é a realidade no Montanhão, Alvarenga, Ferrazópolis e Grande Assunção.

Os bairros foram considerados os mais violentos de São Bernardo. Juntas, essas regiões concentram 271,4 mil pessoas, de acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento. O volume representa um terço da população da cidade, estimada em 800 mil pessoas.

O número de equipamentos públicos nesses locais, no entanto, não segue a mesma proporção. Os quatro bairros concentram 78 escolas, entre estaduais, municipais e particulares – 23% do total de 337 unidades espalhadas por São Bernardo. Nos bairros dos Alvarenga e Montanhão há mais de 4 mil alunos por escola pública. Para efeito de comparação, no Centro e no Independência, são 2 mil alunos por unidade.

O número de praças também é desigual. Os quatro bairros concentram 61 dentro de um universo de 469 áreas pela cidade. O número representa 13% do total. Para piorar, só 22 praças possuem áreas de lazer. A situação mais crítica nos bairros de alta vulnerabilidade foi encontrada no Montanhão, onde há uma única praça pública para ser dividida entre os 119,6 mil moradores do bairro.

A solução para essa problemática não é simples. Segundo o diretor-geral do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, é fundamental preencher as lacunas reveladas pelo levantamento, mas o trabalho não deve se encerrar nesse tipo de ação. É preciso oferecer opções para o perfil de pessoas que são mais atingidas pela violência na cidade, levando-se em consideração o contexto em que os crimes se deram.

Foram analisados 131 homicídios registrados em São Bernardo entre 1º de março de 2005 e 28 de fevereiro desse ano. Trinta por cento dos casos ocorreram à noite, das 20h às 23h; outros 30%, em plena luz do dia, das 8h às 12h. Um terço das mortes se deu no sábado ou no domingo. A faixa etária mais suscetível à violência é a de jovens entre 20 e 29 anos.

Mas se o levantamento encomendado pela Prefeitura prova que o poder público não chegou até a periferia, a sociedade civil organizada também deixou a desejar. Enquanto o Centro de São Bernardo tem 31 entidades sociais que desenvolvem programas direta ou indiretamente ligados à violência, os bairros do Montanhão e Ferrazópolis não contam com nenhuma investida. Situação melhor é encontrada no Assunção, que possui 20 programas, e no Alvarenga, que tem cinco.

Quarenta e cinco por cento dos projetos em andamento na cidade tem o atendimento restrito a um grupo de até cem pessoas, número considerado baixo se comparado ao da população em situação de risco.n

A radiografia da criminalidade
São Bernardo é a maior cidade do Grande ABC e a terceira mais populosa de São Paulo. Suas fronteiras se expandem por uma área de 407 km2 e concentram uma população de aproximadamente 800 mil pessoas. O levantamento, no entanto, não leva em consideração os moradores de áreas invadidas – uma multidão que pode chegar a 200 mil pessoas. A criminalidade no município está intimamente relacionada com a pobreza. A periferia concentra crimes relacionados ao contexto social, como o tráfico de drogas, homicídios e agressão à mulher. Hoje, a taxa de desemprego em São Bernardo atinge 18,3% da população economicamente ativa e, entre 1991 e 2000, foi registrado o aumento no índice de empobrecimento da população. No período, o percentual da população com renda inferior a meio salário mínimo saltou de 7,85% para 12,25%.

Os campeões

Mortes por causa externa*

Montanhão
Ferrrazópolis
dos Alvarengas
Grande Assunção
Roubo de veículos
Taboão
Paulicéia
Anchieta
Rudge Ramos
Centro
Nova Petrópolis
Roubo/furto a transeunte
Centro
Roubo a residência
Taboão
Rudge Ramos
Jordanópolis
Paulicéia
Anchieta
Tráfico de drogas
Montanhão
Ferrazópolis
Santa Terezinha
Baeta Neves
Crimes contra a mulher
Centro
Montanhão
Rudge Ramos
Silvina



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Crime domina periferia de S.Bernardo

Rodrigo Cipriano
Do Diário do Grande ABC

02/08/2006 | 07:19


A periferia é o centro da criminalidade em São Bernardo. Essa é a conclusão de um estudo sobre violência feito sob encomenda da Prefeitura pelo Instituto Sou da Paz. Foram quatro meses de pesquisas que comprovaram por meio de números uma tese que é quase unânime entre teóricos: a violência se dissemina onde o poder público não se faz presente. Essa é a realidade no Montanhão, Alvarenga, Ferrazópolis e Grande Assunção.

Os bairros foram considerados os mais violentos de São Bernardo. Juntas, essas regiões concentram 271,4 mil pessoas, de acordo com a Secretaria Municipal de Planejamento. O volume representa um terço da população da cidade, estimada em 800 mil pessoas.

O número de equipamentos públicos nesses locais, no entanto, não segue a mesma proporção. Os quatro bairros concentram 78 escolas, entre estaduais, municipais e particulares – 23% do total de 337 unidades espalhadas por São Bernardo. Nos bairros dos Alvarenga e Montanhão há mais de 4 mil alunos por escola pública. Para efeito de comparação, no Centro e no Independência, são 2 mil alunos por unidade.

O número de praças também é desigual. Os quatro bairros concentram 61 dentro de um universo de 469 áreas pela cidade. O número representa 13% do total. Para piorar, só 22 praças possuem áreas de lazer. A situação mais crítica nos bairros de alta vulnerabilidade foi encontrada no Montanhão, onde há uma única praça pública para ser dividida entre os 119,6 mil moradores do bairro.

A solução para essa problemática não é simples. Segundo o diretor-geral do Instituto Sou da Paz, Denis Mizne, é fundamental preencher as lacunas reveladas pelo levantamento, mas o trabalho não deve se encerrar nesse tipo de ação. É preciso oferecer opções para o perfil de pessoas que são mais atingidas pela violência na cidade, levando-se em consideração o contexto em que os crimes se deram.

Foram analisados 131 homicídios registrados em São Bernardo entre 1º de março de 2005 e 28 de fevereiro desse ano. Trinta por cento dos casos ocorreram à noite, das 20h às 23h; outros 30%, em plena luz do dia, das 8h às 12h. Um terço das mortes se deu no sábado ou no domingo. A faixa etária mais suscetível à violência é a de jovens entre 20 e 29 anos.

Mas se o levantamento encomendado pela Prefeitura prova que o poder público não chegou até a periferia, a sociedade civil organizada também deixou a desejar. Enquanto o Centro de São Bernardo tem 31 entidades sociais que desenvolvem programas direta ou indiretamente ligados à violência, os bairros do Montanhão e Ferrazópolis não contam com nenhuma investida. Situação melhor é encontrada no Assunção, que possui 20 programas, e no Alvarenga, que tem cinco.

Quarenta e cinco por cento dos projetos em andamento na cidade tem o atendimento restrito a um grupo de até cem pessoas, número considerado baixo se comparado ao da população em situação de risco.n

A radiografia da criminalidade
São Bernardo é a maior cidade do Grande ABC e a terceira mais populosa de São Paulo. Suas fronteiras se expandem por uma área de 407 km2 e concentram uma população de aproximadamente 800 mil pessoas. O levantamento, no entanto, não leva em consideração os moradores de áreas invadidas – uma multidão que pode chegar a 200 mil pessoas. A criminalidade no município está intimamente relacionada com a pobreza. A periferia concentra crimes relacionados ao contexto social, como o tráfico de drogas, homicídios e agressão à mulher. Hoje, a taxa de desemprego em São Bernardo atinge 18,3% da população economicamente ativa e, entre 1991 e 2000, foi registrado o aumento no índice de empobrecimento da população. No período, o percentual da população com renda inferior a meio salário mínimo saltou de 7,85% para 12,25%.

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