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Prioridade, Pq.do Pedroso agoniza


Gabriel Batista
e Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

17/04/2006 | 08:06


Daquele Parque do Pedroso que poderia ser visitado pelo menos 15 anos atrás, restam hoje a generosa natureza remanescente da Mata Atlântica e resquícios da estrutura que atraía famílias de vários bairros de Santo André e cidades vizinhas. Agora, a entrada dessa área verde de 8,4 milhões de metros quadrados apresenta duas guaritas vazias com pichações e vidros quebrados. Uma vista que mais lembra uma cadeia pós-rebelião. A sensação de falta de segurança paira sobre a maioria dos visitantes, que relata não testemunhar as rondas internas da Guarda Municipal citadas pela Prefeitura de Santo André.

Na frente do posto intitulado Grupamento Ecológico, pertencente à Guarda, na estrada do Montanhão, crianças nadavam na lagoa do parque na Sexta-Feira Santa. Uma placa voltada para a base sentencia: “Nadar e pescar neste local é crime”. Indiferentes à proibição, os meninos brincavam na água sem qualquer preocupação.

Também a poucos metros do posto da Guarda, jaz um quiosque outrora utilizado como venda de milho verde – mas que hoje serve de abrigo a mendigos no período noturno. Durante o dia, encontram-se roupas velhas e sujas jogadas pelo chão do “dormitório” de quem não tem lar.

Do lado da antiga cantina de milho, deteriora-se a sucata do que um dia foi o teleférico do Parque do Pedroso. No interior da área de lazer ladeada de Mata Atlântica, é possível observar por toda parte churrasqueiras quebradas, quadras esportivas esburacadas, banheiros inutilizáveis e fios do teleférico – sustentados pelos galhos das árvores.

Nos pontos mais afastados do parque, jovens rotineiramente fumam maconha. Na via que cerca o parquinho de diversões, para onde alguns pais levaram os filhos no feriado ensolarado de sexta-feira, um flanelinha ganha R$ 25 por dia cuidando dos carros estacionados a menos de dez metros de seus proprietários. “Quando podia tirar água da biquinha, vinha muito mais gente”, diz o flanelinha Fabiano, 21 anos.

A recuperação do Parque do Pedroso é uma das prioridades da administração do prefeito João Avamileno (PT), que assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2005. De acordo com a diretora de Gestão Ambiental do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), Izabel Lavendowski, estão programadas melhorias para até o fim do mandato de Avamileno. “O parque é uma das prioridades do governo (municipal). Temos mais um ano e meio para deixar tudo pronto”, diz.

Prioridade – O prometido projeto de revitalização está nas mãos do Semasa. A diretora de Gestão Ambiental Izabel diz apostar na reforma do conjunto de sanitários, parquinhos e churrasqueiras para trazer de volta os visitantes. “Também contamos com um núcleo de jovens, responsável pela marcação de trilhas ecológicas e distribuição de folhetos explicativos.”

Segundo Izabel Lavendowski, a primeira fase dos trabalhos está em processo de finalização. “O local é considerado um parque natural e, por isso, é regido por leis municipais e federais. Para fazer as mudanças necessárias tivemos que executar um longo plano de zoneamento que identificou o que pode ou não ser mexido”, afirma.

A revitalização é vista com reservas pelo freqüentador do parque Rubens Marigo, 38 anos, técnico de eletrodomésticos. Acompanhado da mulher e dos filhos, ele diz que costuma ir três vezes por semana ao Parque do Pedroso. “A natureza aqui ajuda, mas o poder público, não”, afirma ele, que acrescenta não ver a Guarda Municipal em ronda pela área do parque.

“Não há policiamento ecológico. Eles (os guardas) ficam entocados lá no posto. As viaturas só saem de lá para ir ao mercado ou ir embora. Em termos de estrutura, não dá para comparar o Pedroso com o Parque Celso Daniel (no bairro Jardim) e o Parque Central (na Vila Assunção)”, disse Marigo, que mora no Parque Miami, bairro vizinho ao Pedroso. “Não vejo rondas da Guarda”, reforça outro visitante, o comerciante Antônio Barbosa, 37 anos.

A Prefeitura de Santo André afirma que a Guarda Municipal registrou em 2003 diversas ocorrências de violação. Os vândalos teriam sido presos em flagrante e, desde então, nenhuma outra ação de depredação fora constatada . Segundo a Guarda, seis homens são destinados à realização de rondas diárias no parque, fiscalizando, dia e noite, as atividades feitas no local.


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Prioridade, Pq.do Pedroso agoniza

Gabriel Batista
e Adriana Ferraz
Do Diário do Grande ABC

17/04/2006 | 08:06


Daquele Parque do Pedroso que poderia ser visitado pelo menos 15 anos atrás, restam hoje a generosa natureza remanescente da Mata Atlântica e resquícios da estrutura que atraía famílias de vários bairros de Santo André e cidades vizinhas. Agora, a entrada dessa área verde de 8,4 milhões de metros quadrados apresenta duas guaritas vazias com pichações e vidros quebrados. Uma vista que mais lembra uma cadeia pós-rebelião. A sensação de falta de segurança paira sobre a maioria dos visitantes, que relata não testemunhar as rondas internas da Guarda Municipal citadas pela Prefeitura de Santo André.

Na frente do posto intitulado Grupamento Ecológico, pertencente à Guarda, na estrada do Montanhão, crianças nadavam na lagoa do parque na Sexta-Feira Santa. Uma placa voltada para a base sentencia: “Nadar e pescar neste local é crime”. Indiferentes à proibição, os meninos brincavam na água sem qualquer preocupação.

Também a poucos metros do posto da Guarda, jaz um quiosque outrora utilizado como venda de milho verde – mas que hoje serve de abrigo a mendigos no período noturno. Durante o dia, encontram-se roupas velhas e sujas jogadas pelo chão do “dormitório” de quem não tem lar.

Do lado da antiga cantina de milho, deteriora-se a sucata do que um dia foi o teleférico do Parque do Pedroso. No interior da área de lazer ladeada de Mata Atlântica, é possível observar por toda parte churrasqueiras quebradas, quadras esportivas esburacadas, banheiros inutilizáveis e fios do teleférico – sustentados pelos galhos das árvores.

Nos pontos mais afastados do parque, jovens rotineiramente fumam maconha. Na via que cerca o parquinho de diversões, para onde alguns pais levaram os filhos no feriado ensolarado de sexta-feira, um flanelinha ganha R$ 25 por dia cuidando dos carros estacionados a menos de dez metros de seus proprietários. “Quando podia tirar água da biquinha, vinha muito mais gente”, diz o flanelinha Fabiano, 21 anos.

A recuperação do Parque do Pedroso é uma das prioridades da administração do prefeito João Avamileno (PT), que assumiu seu segundo mandato em janeiro de 2005. De acordo com a diretora de Gestão Ambiental do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), Izabel Lavendowski, estão programadas melhorias para até o fim do mandato de Avamileno. “O parque é uma das prioridades do governo (municipal). Temos mais um ano e meio para deixar tudo pronto”, diz.

Prioridade – O prometido projeto de revitalização está nas mãos do Semasa. A diretora de Gestão Ambiental Izabel diz apostar na reforma do conjunto de sanitários, parquinhos e churrasqueiras para trazer de volta os visitantes. “Também contamos com um núcleo de jovens, responsável pela marcação de trilhas ecológicas e distribuição de folhetos explicativos.”

Segundo Izabel Lavendowski, a primeira fase dos trabalhos está em processo de finalização. “O local é considerado um parque natural e, por isso, é regido por leis municipais e federais. Para fazer as mudanças necessárias tivemos que executar um longo plano de zoneamento que identificou o que pode ou não ser mexido”, afirma.

A revitalização é vista com reservas pelo freqüentador do parque Rubens Marigo, 38 anos, técnico de eletrodomésticos. Acompanhado da mulher e dos filhos, ele diz que costuma ir três vezes por semana ao Parque do Pedroso. “A natureza aqui ajuda, mas o poder público, não”, afirma ele, que acrescenta não ver a Guarda Municipal em ronda pela área do parque.

“Não há policiamento ecológico. Eles (os guardas) ficam entocados lá no posto. As viaturas só saem de lá para ir ao mercado ou ir embora. Em termos de estrutura, não dá para comparar o Pedroso com o Parque Celso Daniel (no bairro Jardim) e o Parque Central (na Vila Assunção)”, disse Marigo, que mora no Parque Miami, bairro vizinho ao Pedroso. “Não vejo rondas da Guarda”, reforça outro visitante, o comerciante Antônio Barbosa, 37 anos.

A Prefeitura de Santo André afirma que a Guarda Municipal registrou em 2003 diversas ocorrências de violação. Os vândalos teriam sido presos em flagrante e, desde então, nenhuma outra ação de depredação fora constatada . Segundo a Guarda, seis homens são destinados à realização de rondas diárias no parque, fiscalizando, dia e noite, as atividades feitas no local.

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