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Saiba como são os bastidores de ‘O Fantasma da Ópera’


Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

12/05/2006 | 08:16


Para se ter uma idéia do sucesso do musical O Fantasma da Ópera, basta ter acesso a alguns números. Desde sua estréia, no Teatro West End, em Londres, em 1986, a peça, que conta a história de um gênio da música atormentado que assombra as dependências da Ópera de Paris, foi encenada em 21 países, para mais de 52 milhões pessoas. A montagem brasileira do megaespetáculo, sob direção de Arthur Masella, completou no último mês um ano em cartaz no Teatro Abril, em São Paulo. Já foi assistida por mais de 500 mil espectadores e superou a marca de 350 apresentações.

Porém, quem pretende entender as razões do êxito dessa produção, criada por Andrew Lloyd Weber e baseada na obra de Gaston Leroux, precisa conhecer seus bastidores e desvendar os segredos dos profissionais envolvidos. O Diário visitou os camarins da peça e constatou o zelo com que é tratado cada detalhe referente ao musical, que conta com um elenco de 17 músicos e 38 atores, cantores e bailarinos. Cada apresentação envolve cerca de 200 pessoas, somando elenco, técnicos, camareiras, maquiadores, peruqueiros, maquinistas, contra-regras, músicos e produtores.

A primeira parada da reportagem foi no setor de figurinos. No total são 187, todos confeccionados no Brasil a partir das medidas discriminadas em um livro-piloto, ou “Bíblia”, como a equipe costuma chama-lo, que veio diretamente da montagem mexicana do espetáculo. Segundo a camareira Zezé de Castro, há uma cópia idêntica de cada figurino para eventuais substituições ou reparos. As roupas foram confeccionadas com seda, cetim e outros tecidos importados. São tão pesadas (há peças que pesam 28 Kg) e requerem tanto cuidado que não podem ser lavadas. A limpeza é feita com um líquido não muito comum nas lavanderias. “Todo domingo a gente coloca elas numa sala, liga os ventiladores e borrifa os figurinos com vodka, que tira o cheiro e o suor”, explica Zezé.

Perucas – Além das vestimentas, são necessárias 160 perucas, 100 chapéus e 100 pares de sapato para a caracterização dos personagens de O Fantasma da Ópera. A maioria das perucas veio de Londres e 70 delas foram feitas com material sintético. Em algumas foram utilizadas até peles de yak, uma espécie de búfalo do Tibet. Cada ator faz, em média, quatro trocas de peruca por exibição. Durante a temporada, o elenco só pode cortar o cabelo sob a supervisão do departamento de perucas.

Os incidentes são raros, mas acontecem. “Já aconteceu de um bigode descolar durante o espetáculo, mas nunca caiu uma peruca”, conta Adriana Ferreira, uma das responsáveis pelo departamento. Na preparação dos penteados, são utilizadas grandes quantidades de gel, mousse e laquê. Posteriormente, a peruca é colocada em um banho a vapor. Em alguns casos, ela é introduzida em um forno à temperatura de 40ºC.

Paixão – Depois de se encantar por Christine (Kiara Sasso), o Fantasma (Saulo Vasconcelos) passa a controlar a moça, ao mesmo tempo em que ajuda a desenvolver seus talentos. A jovem fica mais famosa que a estrela da ópera na época, Carlotta (Edna de Oliveira), levada à loucura pelo Fantasma, para que o papel principal seja de Christine. Os problemas começam a ocorrer quando ele encontra Raoul (Nando Prado), namorado de infância da soprano, por quem ela está apaixonada. “Exploro mais o meu lado atriz. Nas montagens que assisti no exterior, havia ótimas cantoras, que não eram tão boas como atrizes”, afirma Kiara, que alterna com Sara Sarres a interpretação da personagem. Aliás, cada ator tem um substituto em caso de emergência. Enquanto concedia a entrevista, ela cuidava de uma leve lesão no ombro provocada pelo esforço dispensado em sua performance.

A atriz iniciou sua carreira aos oito anos, atuando na televisão, em filmes e comerciais, em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde foi criada. Teve como mestres de canto Caroline Kingston, Vera do Canto e Mello, Mirna Rubim, Jan Ritcher e Sethe Riggs. Seu último trabalho no teatro foi no musical A Bela e a Fera, em que interpretou a Bela.

Saulo é o primeiro ator latino-americano a interpretar O Fantasma da Ópera em dois idiomas – português e espanhol. Ele começou nos palcos em 1997, trabalhando em produções universitárias, entre elas o musical Jesus Cristo Superstar e A Bela e a Fera. Em 2001, participou do musical Les Misérables, como o inspetor Javert. Já trabalhou em diversas óperas importantes interpretando Figaro, em O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, e Don Giovani, na ópera homônima de Mozart.


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Saiba como são os bastidores de ‘O Fantasma da Ópera’

Dojival Filho
Do Diário do Grande ABC

12/05/2006 | 08:16


Para se ter uma idéia do sucesso do musical O Fantasma da Ópera, basta ter acesso a alguns números. Desde sua estréia, no Teatro West End, em Londres, em 1986, a peça, que conta a história de um gênio da música atormentado que assombra as dependências da Ópera de Paris, foi encenada em 21 países, para mais de 52 milhões pessoas. A montagem brasileira do megaespetáculo, sob direção de Arthur Masella, completou no último mês um ano em cartaz no Teatro Abril, em São Paulo. Já foi assistida por mais de 500 mil espectadores e superou a marca de 350 apresentações.

Porém, quem pretende entender as razões do êxito dessa produção, criada por Andrew Lloyd Weber e baseada na obra de Gaston Leroux, precisa conhecer seus bastidores e desvendar os segredos dos profissionais envolvidos. O Diário visitou os camarins da peça e constatou o zelo com que é tratado cada detalhe referente ao musical, que conta com um elenco de 17 músicos e 38 atores, cantores e bailarinos. Cada apresentação envolve cerca de 200 pessoas, somando elenco, técnicos, camareiras, maquiadores, peruqueiros, maquinistas, contra-regras, músicos e produtores.

A primeira parada da reportagem foi no setor de figurinos. No total são 187, todos confeccionados no Brasil a partir das medidas discriminadas em um livro-piloto, ou “Bíblia”, como a equipe costuma chama-lo, que veio diretamente da montagem mexicana do espetáculo. Segundo a camareira Zezé de Castro, há uma cópia idêntica de cada figurino para eventuais substituições ou reparos. As roupas foram confeccionadas com seda, cetim e outros tecidos importados. São tão pesadas (há peças que pesam 28 Kg) e requerem tanto cuidado que não podem ser lavadas. A limpeza é feita com um líquido não muito comum nas lavanderias. “Todo domingo a gente coloca elas numa sala, liga os ventiladores e borrifa os figurinos com vodka, que tira o cheiro e o suor”, explica Zezé.

Perucas – Além das vestimentas, são necessárias 160 perucas, 100 chapéus e 100 pares de sapato para a caracterização dos personagens de O Fantasma da Ópera. A maioria das perucas veio de Londres e 70 delas foram feitas com material sintético. Em algumas foram utilizadas até peles de yak, uma espécie de búfalo do Tibet. Cada ator faz, em média, quatro trocas de peruca por exibição. Durante a temporada, o elenco só pode cortar o cabelo sob a supervisão do departamento de perucas.

Os incidentes são raros, mas acontecem. “Já aconteceu de um bigode descolar durante o espetáculo, mas nunca caiu uma peruca”, conta Adriana Ferreira, uma das responsáveis pelo departamento. Na preparação dos penteados, são utilizadas grandes quantidades de gel, mousse e laquê. Posteriormente, a peruca é colocada em um banho a vapor. Em alguns casos, ela é introduzida em um forno à temperatura de 40ºC.

Paixão – Depois de se encantar por Christine (Kiara Sasso), o Fantasma (Saulo Vasconcelos) passa a controlar a moça, ao mesmo tempo em que ajuda a desenvolver seus talentos. A jovem fica mais famosa que a estrela da ópera na época, Carlotta (Edna de Oliveira), levada à loucura pelo Fantasma, para que o papel principal seja de Christine. Os problemas começam a ocorrer quando ele encontra Raoul (Nando Prado), namorado de infância da soprano, por quem ela está apaixonada. “Exploro mais o meu lado atriz. Nas montagens que assisti no exterior, havia ótimas cantoras, que não eram tão boas como atrizes”, afirma Kiara, que alterna com Sara Sarres a interpretação da personagem. Aliás, cada ator tem um substituto em caso de emergência. Enquanto concedia a entrevista, ela cuidava de uma leve lesão no ombro provocada pelo esforço dispensado em sua performance.

A atriz iniciou sua carreira aos oito anos, atuando na televisão, em filmes e comerciais, em Los Angeles, nos Estados Unidos, onde foi criada. Teve como mestres de canto Caroline Kingston, Vera do Canto e Mello, Mirna Rubim, Jan Ritcher e Sethe Riggs. Seu último trabalho no teatro foi no musical A Bela e a Fera, em que interpretou a Bela.

Saulo é o primeiro ator latino-americano a interpretar O Fantasma da Ópera em dois idiomas – português e espanhol. Ele começou nos palcos em 1997, trabalhando em produções universitárias, entre elas o musical Jesus Cristo Superstar e A Bela e a Fera. Em 2001, participou do musical Les Misérables, como o inspetor Javert. Já trabalhou em diversas óperas importantes interpretando Figaro, em O Barbeiro de Sevilha, de Rossini, e Don Giovani, na ópera homônima de Mozart.

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