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Oposição quer saber quem pagou jatinho a Dirceu


Da AE

15/04/2006 | 09:20


A visita do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT) ao ex-presidente Itamar Franco (PMDB) em Juiz de Fora em um jatinho fretado expôs, segundo a oposição, o papel que o ex-deputado mantém na articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mesmo depois de ele ter sido cassado, e levantou suspeita sobre como Dirceu, acusado de comandar o esquema de mensalão, tem custeado despesa de aluguel de avião.

"Quem pode, pode, quem não pode se sacode", reagiu, irônico, o ex-ministro José Dirceu às críticas da oposição sobre o fato. "Se eu aluguei, é porque eu posso", disse, sem dar detalhes da transação. Para Dirceu, integrantes do PSDB e PFL estão criando polêmica em torno de sua viagem por "falta de assunto". "Eles estão muito mal nas pesquisas e vão perder a eleição."

Dirceu reafirmou que não deve satisfações a ninguém. "O Itamar é meu amigo, eu estava indo trabalhar em Belo Horizonte. Não sou mais ministro, deputado, não sou mais presidente do PT. Sou advogado, tenho clientes e faço consultoria", afirmou o ex-ministro.

"Ele (Dirceu) disse que não tem que dar satisfações sobre seus gastos porque não é político. Mas, a menos que o ex-presidente Itamar Franco seja um cliente dele, a conversa entre os dois foi para tratar de política sim e as pessoas ficam intrigadas em saber como ele paga um jatinho para participar desse encontro", disse o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ). Dirceu não quis explicar quem pagou o avião em que viajou de São Paulo para Juiz de Fora. "Sobre esse assunto não vou nem tomar conhecimento", respondeu.

Para o secretário-geral do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ), está claro que Dirceu continua sendo "um ator poderoso" na articulação política do governo Lula. "Ele continua recebendo tratamento de amigo do rei", afirmou Paes. "Isso tudo só mostra que a organização criminosa continua operando no governo", concluiu Paes.

Dirceu foi denunciado em inquérito do procurador-geral da Republica, Antonio Fernando Souza, por formação de quadrilha e corrupção ativa, entre outros crimes. Na denúncia, Dirceu é apontado como "chefe do organograma delituoso" e três ex-dirigentes petistas, José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira, como integrantes do "núcleo principal da quadrilha".

O procurador concluiu que o grupo pretendia "garantir a permanência do PT no poder com a compra de suporte político de outros partidos e com financiamento irregular de campanhas". De acordo com a denúncia do procurador, a "sofisticada organização criminosa" estabeleceu um esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira.

O uso de jatinho pelo ex-ministro também chamou a atenção do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo no Conselho de Ética da Câmara que resultou na cassação de Dirceu. "Acho no mínimo estranho uma pessoa que saiu logo após o processo afirmando que iria escrever para se sustentar porque estava quebrado e, mesmo sem o livro, o que se viu foi uma seqüência de viagens e um estilo de vida que não se sabe de onde vem a sustentação para fazê-lo", observou Delgado. "A não ser que ele tenha um amigo disposto a manter a articulação política que ele está fazendo", continuou Delgado. Ele lembrou que Dirceu, após a cassação fez uma série de viagens internacionais. "Ele deve ter amigos poderosos", completou.


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Oposição quer saber quem pagou jatinho a Dirceu

Da AE

15/04/2006 | 09:20


A visita do ex-ministro e deputado cassado José Dirceu (PT) ao ex-presidente Itamar Franco (PMDB) em Juiz de Fora em um jatinho fretado expôs, segundo a oposição, o papel que o ex-deputado mantém na articulação política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mesmo depois de ele ter sido cassado, e levantou suspeita sobre como Dirceu, acusado de comandar o esquema de mensalão, tem custeado despesa de aluguel de avião.

"Quem pode, pode, quem não pode se sacode", reagiu, irônico, o ex-ministro José Dirceu às críticas da oposição sobre o fato. "Se eu aluguei, é porque eu posso", disse, sem dar detalhes da transação. Para Dirceu, integrantes do PSDB e PFL estão criando polêmica em torno de sua viagem por "falta de assunto". "Eles estão muito mal nas pesquisas e vão perder a eleição."

Dirceu reafirmou que não deve satisfações a ninguém. "O Itamar é meu amigo, eu estava indo trabalhar em Belo Horizonte. Não sou mais ministro, deputado, não sou mais presidente do PT. Sou advogado, tenho clientes e faço consultoria", afirmou o ex-ministro.

"Ele (Dirceu) disse que não tem que dar satisfações sobre seus gastos porque não é político. Mas, a menos que o ex-presidente Itamar Franco seja um cliente dele, a conversa entre os dois foi para tratar de política sim e as pessoas ficam intrigadas em saber como ele paga um jatinho para participar desse encontro", disse o líder do PFL, deputado Rodrigo Maia (RJ). Dirceu não quis explicar quem pagou o avião em que viajou de São Paulo para Juiz de Fora. "Sobre esse assunto não vou nem tomar conhecimento", respondeu.

Para o secretário-geral do PSDB, deputado Eduardo Paes (RJ), está claro que Dirceu continua sendo "um ator poderoso" na articulação política do governo Lula. "Ele continua recebendo tratamento de amigo do rei", afirmou Paes. "Isso tudo só mostra que a organização criminosa continua operando no governo", concluiu Paes.

Dirceu foi denunciado em inquérito do procurador-geral da Republica, Antonio Fernando Souza, por formação de quadrilha e corrupção ativa, entre outros crimes. Na denúncia, Dirceu é apontado como "chefe do organograma delituoso" e três ex-dirigentes petistas, José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira, como integrantes do "núcleo principal da quadrilha".

O procurador concluiu que o grupo pretendia "garantir a permanência do PT no poder com a compra de suporte político de outros partidos e com financiamento irregular de campanhas". De acordo com a denúncia do procurador, a "sofisticada organização criminosa" estabeleceu um esquema de desvio de recursos de órgãos públicos e de empresas estatais e também de concessões de benefícios diretos ou indiretos a particulares em troca de ajuda financeira.

O uso de jatinho pelo ex-ministro também chamou a atenção do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), relator do processo no Conselho de Ética da Câmara que resultou na cassação de Dirceu. "Acho no mínimo estranho uma pessoa que saiu logo após o processo afirmando que iria escrever para se sustentar porque estava quebrado e, mesmo sem o livro, o que se viu foi uma seqüência de viagens e um estilo de vida que não se sabe de onde vem a sustentação para fazê-lo", observou Delgado. "A não ser que ele tenha um amigo disposto a manter a articulação política que ele está fazendo", continuou Delgado. Ele lembrou que Dirceu, após a cassação fez uma série de viagens internacionais. "Ele deve ter amigos poderosos", completou.

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