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Após 30 anos, moradores do Gazuza celebram infraestrutura

Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

Número de habitantes saltou de 1.500 para 10 mil; regularização será concluída em 2020


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

26/08/2019 | 07:00


 A ocupação do Buraco do Gazuza, que deu origem ao Jardim Gazuza, em Diadema, completa 30 anos neste mês. No início, eram apenas 300 famílias e pouco mais de 1.500 pessoas. E, após três décadas de história, são quase 2.500 famílias (10 mil habitantes) – crescimento de 566,6%. Os moradores celebram a chegada da infraestrutura básica e da regularização fundiária, que está prevista para ser concluída em 2020, mas ainda sentem falta de alguns serviços básicos, como unidade de saúde próxima.

Do total de moradores, 30% integram o grupo de ‘desbravadores’ da área, de acordo com a Associação do Gazuza. Um deles é o aposentado José Francisco Nunes, o Dedé, 69 anos. “Moro aqui desde o início da ocupação. Criei meus quatro filhos aqui e fiz parte de toda a transformação, que só chegou depois de muita luta”, conta. Pernambucano, ele se sente orgulhoso por cada melhoria que chegou ao local no decorrer dos anos, tais como pavimentação das vias, instalação de corrimãos nas escadarias e a criação de duas linhas de ônibus que atendem à população do bairro.

Atualmente, Dedé está vendendo seu imóvel, que abriga a mini Casa do Norte que complementa a renda da aposentadoria. Isso porque a mulher está com problemas de saúde e tem dificuldade para caminhar pelas ruas por causa das escadarias – a declividade da região chega a 45 metros. “Pela minha vontade, ficaria aqui até Deus me levar. Quero me mudar para um lugar igual a este.”

Um dos responsáveis pelo hino do Gazuza, criado há 25 anos, o motorista e músico João Francisco David, 51, também constituiu família no bairro, onde mora há 28 anos. Pai de cinco filhos, ele assistiu à chegada do serviço dos Correios e telefone ao bairro, que, atualmente, é “quase uma cidade”. “Vivia de aluguel no Jardim Marilene e me mudei para cá porque queria ter casa própria e mais segurança.”

A letra do hino define a trajetória de muitos moradores do complexo: Entre lutas, conflitos, aos poucos foi conquistado/Muita gente sofreu repressões para um chão conseguir/Somos hoje uma população de um bairro desejado/Pois tem gente mudando do Centro pra morar aqui.

David afirma que a única chance de sair do Jardim Gazuza é caso tenha condições, um dia, de voltar para Ipanema, Minas Gerais, sua cidade natal. “Gosto muito daqui e, hoje, a única coisa que estraga são as pessoas que perderam o respeito e ouvem músicas nas alturas, inclusive algumas que eu não gostaria que meus filhos estivessem escutando”, critica.

ORIGEM DOS NOMES
São Gonçalo, São Cosme, Santo Expedito, Santa Branca, Santa Mônica... À excessão da Rua da Ocupação e da Rua do Projeto, as 46 travessas que compõem o Jardim Gazuza têm nomes de santos. Antonio Osório Monteiro, o Toninho do Gazuza, presidente da associação do bairro, lembra que os moradores não sabiam como nomear as vias e, com a forte presença da igreja na comunidade, decidiram fazer dessa maneira.

Já a palavra que nomeia o complexo vem da família Garzouzi, proprietária do terreno onde foi erguida a comunidade, mas foi alterado posteriormente porque a pronúncia original era complexa.

Segurança e UBS são principais demandas

Dentro do núcleo, a população conta com uma creche, uma escola municipal de educação básica e duas linhas de ônibus. Segundo Antonio Osório Monteiro, o Toninho do Gazuza, presidente da associação de moradores, as principais demandas são segurança e uma UBS (Unidade Básica de Saúde) dentro do complexo, dado que os moradores recorrem aos postos dos bairros vizinhos. “Sabemos que estas são demandas em nível nacional e que há lugares onde a situação é muito pior, mas são as duas coisas que podem melhorar aqui”, assinala.

Regina Gonçalves, secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Diadema, afirma que faltam recursos federais para implementação de uma UBS no local, porém, salienta que as unidades que atendem aos moradores do Gazuza passaram por ampliação recente. “Não basta construir o prédio, é preciso ter recursos, que dependem da União, para custear as operações.”

Em relação à situação das moradias, Toninho do Gazuza garante que todas as residências do complexo possuem concessão de 90 anos. Regina salienta que 1.206 domicílios serão beneficiados pelo projeto de regularização fundiária, totalizando 9.648 pessoas. O processo deve ser concluído até julho de 2020.

A secretária afirma que participa de reuniões com o Ministério do Desenvolvimento Regional periodicamente para discutir projetos que dependem de verba externa, porém, ainda não obteve retorno. A União não se posicionou até o fechamento desta edição.



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Após 30 anos, moradores do Gazuza celebram infraestrutura

Número de habitantes saltou de 1.500 para 10 mil; regularização será concluída em 2020

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

26/08/2019 | 07:00


 A ocupação do Buraco do Gazuza, que deu origem ao Jardim Gazuza, em Diadema, completa 30 anos neste mês. No início, eram apenas 300 famílias e pouco mais de 1.500 pessoas. E, após três décadas de história, são quase 2.500 famílias (10 mil habitantes) – crescimento de 566,6%. Os moradores celebram a chegada da infraestrutura básica e da regularização fundiária, que está prevista para ser concluída em 2020, mas ainda sentem falta de alguns serviços básicos, como unidade de saúde próxima.

Do total de moradores, 30% integram o grupo de ‘desbravadores’ da área, de acordo com a Associação do Gazuza. Um deles é o aposentado José Francisco Nunes, o Dedé, 69 anos. “Moro aqui desde o início da ocupação. Criei meus quatro filhos aqui e fiz parte de toda a transformação, que só chegou depois de muita luta”, conta. Pernambucano, ele se sente orgulhoso por cada melhoria que chegou ao local no decorrer dos anos, tais como pavimentação das vias, instalação de corrimãos nas escadarias e a criação de duas linhas de ônibus que atendem à população do bairro.

Atualmente, Dedé está vendendo seu imóvel, que abriga a mini Casa do Norte que complementa a renda da aposentadoria. Isso porque a mulher está com problemas de saúde e tem dificuldade para caminhar pelas ruas por causa das escadarias – a declividade da região chega a 45 metros. “Pela minha vontade, ficaria aqui até Deus me levar. Quero me mudar para um lugar igual a este.”

Um dos responsáveis pelo hino do Gazuza, criado há 25 anos, o motorista e músico João Francisco David, 51, também constituiu família no bairro, onde mora há 28 anos. Pai de cinco filhos, ele assistiu à chegada do serviço dos Correios e telefone ao bairro, que, atualmente, é “quase uma cidade”. “Vivia de aluguel no Jardim Marilene e me mudei para cá porque queria ter casa própria e mais segurança.”

A letra do hino define a trajetória de muitos moradores do complexo: Entre lutas, conflitos, aos poucos foi conquistado/Muita gente sofreu repressões para um chão conseguir/Somos hoje uma população de um bairro desejado/Pois tem gente mudando do Centro pra morar aqui.

David afirma que a única chance de sair do Jardim Gazuza é caso tenha condições, um dia, de voltar para Ipanema, Minas Gerais, sua cidade natal. “Gosto muito daqui e, hoje, a única coisa que estraga são as pessoas que perderam o respeito e ouvem músicas nas alturas, inclusive algumas que eu não gostaria que meus filhos estivessem escutando”, critica.

ORIGEM DOS NOMES
São Gonçalo, São Cosme, Santo Expedito, Santa Branca, Santa Mônica... À excessão da Rua da Ocupação e da Rua do Projeto, as 46 travessas que compõem o Jardim Gazuza têm nomes de santos. Antonio Osório Monteiro, o Toninho do Gazuza, presidente da associação do bairro, lembra que os moradores não sabiam como nomear as vias e, com a forte presença da igreja na comunidade, decidiram fazer dessa maneira.

Já a palavra que nomeia o complexo vem da família Garzouzi, proprietária do terreno onde foi erguida a comunidade, mas foi alterado posteriormente porque a pronúncia original era complexa.

Segurança e UBS são principais demandas

Dentro do núcleo, a população conta com uma creche, uma escola municipal de educação básica e duas linhas de ônibus. Segundo Antonio Osório Monteiro, o Toninho do Gazuza, presidente da associação de moradores, as principais demandas são segurança e uma UBS (Unidade Básica de Saúde) dentro do complexo, dado que os moradores recorrem aos postos dos bairros vizinhos. “Sabemos que estas são demandas em nível nacional e que há lugares onde a situação é muito pior, mas são as duas coisas que podem melhorar aqui”, assinala.

Regina Gonçalves, secretária de Habitação e Desenvolvimento Urbano de Diadema, afirma que faltam recursos federais para implementação de uma UBS no local, porém, salienta que as unidades que atendem aos moradores do Gazuza passaram por ampliação recente. “Não basta construir o prédio, é preciso ter recursos, que dependem da União, para custear as operações.”

Em relação à situação das moradias, Toninho do Gazuza garante que todas as residências do complexo possuem concessão de 90 anos. Regina salienta que 1.206 domicílios serão beneficiados pelo projeto de regularização fundiária, totalizando 9.648 pessoas. O processo deve ser concluído até julho de 2020.

A secretária afirma que participa de reuniões com o Ministério do Desenvolvimento Regional periodicamente para discutir projetos que dependem de verba externa, porém, ainda não obteve retorno. A União não se posicionou até o fechamento desta edição.

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