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Ferrovia Bauru-Corumbá continua abandonada


Do Diário do Grande ABC

02/10/1999 | 15:36


Trilhos gastos nas curvas, descarrilamentos em área urbana com derrame de material inflamável, dormentes quebrados e imóveis abandonados à beira da estrada. A ferrovia que liga Bauru a Corumbá, com mais de 2 mil quilômetros de extensao, também conhecida por estrada NOB - Noroeste do Brasil, nao mudou com a privatizaçao, há quatro anos quando a Rede Ferroviária Federal passou para a Novoeste norte-americana o direito de exploraçao comercial do trecho.

Prefeitos de municípios da Alta Noroeste, empresários e passageiros reclamam promessas de investimentos na melhoria da qualidade da estrada, feitas com o programa de privatizaçao. O prefeito de Mirandópolis, Jorge Faria Maluly (PFL), diz que a única alteraçao percebida até agora foi a demissao de funcionários e o aumento no número de vagoes por composiçao, que afirma ter passado de 25 para 100. Maluly diz que, com a privatizaçao, esperava-se investimento na estrutura da estrada, construída no início do século.

O problema mais sério sempre foi a segurança nos trilhos. A Rede Ferroviária Federal já havia paralisado o transporte de passageiros anos antes da privatizaçao porque, tecnicamente, estava comprovado o risco de tombamento dos vagoes. O motivo: linhas soltas e tortas sobre dormentes podres e bases sem pedras. O drama persiste.

Há dois meses, o descarrilamento de um trem carregado de óleo diesel por pouco nao provocou uma tragédia em Andradina. Depois desse episódio, a direçao da Novoeste em Bauru, que foi procurada pela reportagem, mas nao quis pronunciar-se, acelerou a troca de dormentes em toda a regiao.

A direçao da companhia nao compareceu - nem mandou representantes - ao Fórum Intermodal de Transportes, realizado recentemente em Araçatuba. O atraso do transporte ferroviário e sua necessidade de ser integrado ao desenvolvimento da Hidrovia Tietê-Paraná por meio de ramais portuários foi a crítica única dos empresários e políticos que participaram do evento.

A defesa da Novoeste, na verdade, foi feita pelo próprio governo. José Alex Botelho de Oliva, coordenador de Políticas de Transportes do Ministério dos Transportes, disse que o retorno de investimentos numa ferrovia só se obtém a longo prazo. Mas ele admitiu que, ao elaborar o edital de licitaçao para privatizaçao da ferrovia, nem mesmo o governo tinha idéia do que estava para ser recuperado na estrada e qual a verdadeira radiografia da estrutura disponível. O coordenador disse ainda que nao foi prevista, entre as exigências contratuais, a reativaçao do transporte de passageiros, um dos pontos mais reclamados principalmente pelos municípios menores.

O deputado federal Jorge Maluly Neto (PFL-SP) disse que pretende investigar melhor a concessao da estrada, pois, segundo ele, sao constantes as denúncias de abandono e falta de conservaçao.

O presidente da Cooperhidro - Cooperativa dos Produtores do Pólo Hidroviário, Industrial e Turístico de Araçatuba, Carlos Antônio Farias de Souza, diz que a integraçao da ferrovia por ramais aos portos intermodais do Rio Tietê poderiam baratear o custo de transporte de combustíveis para Mato Grosso do Sul.

Em Andradina, havia um ramal ferroviário para transporte de carne do maior frigorífico da regiao. Hoje, nem os trilhos resistiram ao abandono e a estrada foi invadida por loteamentos clandestinos.



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Ferrovia Bauru-Corumbá continua abandonada

Do Diário do Grande ABC

02/10/1999 | 15:36


Trilhos gastos nas curvas, descarrilamentos em área urbana com derrame de material inflamável, dormentes quebrados e imóveis abandonados à beira da estrada. A ferrovia que liga Bauru a Corumbá, com mais de 2 mil quilômetros de extensao, também conhecida por estrada NOB - Noroeste do Brasil, nao mudou com a privatizaçao, há quatro anos quando a Rede Ferroviária Federal passou para a Novoeste norte-americana o direito de exploraçao comercial do trecho.

Prefeitos de municípios da Alta Noroeste, empresários e passageiros reclamam promessas de investimentos na melhoria da qualidade da estrada, feitas com o programa de privatizaçao. O prefeito de Mirandópolis, Jorge Faria Maluly (PFL), diz que a única alteraçao percebida até agora foi a demissao de funcionários e o aumento no número de vagoes por composiçao, que afirma ter passado de 25 para 100. Maluly diz que, com a privatizaçao, esperava-se investimento na estrutura da estrada, construída no início do século.

O problema mais sério sempre foi a segurança nos trilhos. A Rede Ferroviária Federal já havia paralisado o transporte de passageiros anos antes da privatizaçao porque, tecnicamente, estava comprovado o risco de tombamento dos vagoes. O motivo: linhas soltas e tortas sobre dormentes podres e bases sem pedras. O drama persiste.

Há dois meses, o descarrilamento de um trem carregado de óleo diesel por pouco nao provocou uma tragédia em Andradina. Depois desse episódio, a direçao da Novoeste em Bauru, que foi procurada pela reportagem, mas nao quis pronunciar-se, acelerou a troca de dormentes em toda a regiao.

A direçao da companhia nao compareceu - nem mandou representantes - ao Fórum Intermodal de Transportes, realizado recentemente em Araçatuba. O atraso do transporte ferroviário e sua necessidade de ser integrado ao desenvolvimento da Hidrovia Tietê-Paraná por meio de ramais portuários foi a crítica única dos empresários e políticos que participaram do evento.

A defesa da Novoeste, na verdade, foi feita pelo próprio governo. José Alex Botelho de Oliva, coordenador de Políticas de Transportes do Ministério dos Transportes, disse que o retorno de investimentos numa ferrovia só se obtém a longo prazo. Mas ele admitiu que, ao elaborar o edital de licitaçao para privatizaçao da ferrovia, nem mesmo o governo tinha idéia do que estava para ser recuperado na estrada e qual a verdadeira radiografia da estrutura disponível. O coordenador disse ainda que nao foi prevista, entre as exigências contratuais, a reativaçao do transporte de passageiros, um dos pontos mais reclamados principalmente pelos municípios menores.

O deputado federal Jorge Maluly Neto (PFL-SP) disse que pretende investigar melhor a concessao da estrada, pois, segundo ele, sao constantes as denúncias de abandono e falta de conservaçao.

O presidente da Cooperhidro - Cooperativa dos Produtores do Pólo Hidroviário, Industrial e Turístico de Araçatuba, Carlos Antônio Farias de Souza, diz que a integraçao da ferrovia por ramais aos portos intermodais do Rio Tietê poderiam baratear o custo de transporte de combustíveis para Mato Grosso do Sul.

Em Andradina, havia um ramal ferroviário para transporte de carne do maior frigorífico da regiao. Hoje, nem os trilhos resistiram ao abandono e a estrada foi invadida por loteamentos clandestinos.

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