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F-1: dilúvio ameaça GP da Alemanha


Flavio Gomes
De Hockenheim para o Diário

29/07/2000 | 01:00


  Um inédito levante de pilotos pode forçar o cancelamento do GP da Alemanha de Fórmula 1. E com a anuência dos dirigentes da categoria, pelo menos por enquanto. Um dilúvio assustador deixou Hockenheim debaixo d'água nesta sexta, e se as condiçoes do tempo se mantiverem sábado e domingo, nao tem corrida.

Pelo menos essa foi a decisao dos pilotos, reunidos no meeting que acontece sempre às sextas-feiras que antecedem os GPs. Apavorados com a perspectiva de ter de ir à pista sob um toró parecido com o que inundou o autódromo e redondezas nesta sexta, eles comunicaram à direçao de prova que com chuva domingo, por mais fraca que seja, querem que a largada seja dada com o safety-car na pista; se a água vier com a mesma intensidade desta sexta, eles nao entram na pista.

O delegado de segurança da FIA, Charlie Whitting, aceitou a argumentaçao dos rapazes. Nao poderia ser diferente. Pela janela da sala de reunioes, dava para ver mecânicos correndo atrás de pneus boiando e carros de bombeiro tentando tirar a água empoçada nos boxes e em algumas curvas de Hockenheim com bombas elétricas. Dois túneis ficaram alagados.

Foi o caos. A chuva mandou um aviso entre as duas sessoes de treinos livres, mas nao chegou a atrapalhar muito. Uma hora depois, no entanto, o céu desabou. E uma tempestade implacável atingiu a regiao do circuito.

O regulamento da F-1 nao prevê o cancelamento de corridas. Mas fala em adiamentos sucessivos da largada por períodos de dez minutos, quantos forem necessários, até que a situaçao climática permita o início de um GP. E ele pode durar duas voltas, apenas, com o safety-car na pista, apenas para cumprir o que dizem as regras. Nesse caso, nenhum ponto será atribuído aos pilotos. Três voltas já sao o suficiente para dar metade dos pontos para os seis primeiros colocados.

Mas há sempre a possibilidade de reinício da prova, e os organizadores farao tudo que estiver ao seu alcance para realizar a corrida no domingo, enquanto houver luz natural. A única chance de nao haver o GP é a chuva persistir com intensidade até escurecer. Será um caso inédito na história.

Hockenheim é uma pista particularmente perigosa sob chuva. Além de ser uma das mais velozes da F-1, com o carros chegando a 350 km/h nas enormes retas da Floresta Negra, ela tem boa parte de seus 6.825 m cercados de árvores altas. No asfalto molhado, o "spray", aquela cortina d'água levantada pelos pneus dos carros em alta velocidade, sobe e nao se dissipa, ficando encaixotado pela vegetaçao. A visibilidade é nula. Pilotos, em geral, nao ligam muito para o perigo. Mas a julgar pelo medo que demonstraram nesta sexta, também nao têm tendências suicidas.



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F-1: dilúvio ameaça GP da Alemanha

Flavio Gomes
De Hockenheim para o Diário

29/07/2000 | 01:00


  Um inédito levante de pilotos pode forçar o cancelamento do GP da Alemanha de Fórmula 1. E com a anuência dos dirigentes da categoria, pelo menos por enquanto. Um dilúvio assustador deixou Hockenheim debaixo d'água nesta sexta, e se as condiçoes do tempo se mantiverem sábado e domingo, nao tem corrida.

Pelo menos essa foi a decisao dos pilotos, reunidos no meeting que acontece sempre às sextas-feiras que antecedem os GPs. Apavorados com a perspectiva de ter de ir à pista sob um toró parecido com o que inundou o autódromo e redondezas nesta sexta, eles comunicaram à direçao de prova que com chuva domingo, por mais fraca que seja, querem que a largada seja dada com o safety-car na pista; se a água vier com a mesma intensidade desta sexta, eles nao entram na pista.

O delegado de segurança da FIA, Charlie Whitting, aceitou a argumentaçao dos rapazes. Nao poderia ser diferente. Pela janela da sala de reunioes, dava para ver mecânicos correndo atrás de pneus boiando e carros de bombeiro tentando tirar a água empoçada nos boxes e em algumas curvas de Hockenheim com bombas elétricas. Dois túneis ficaram alagados.

Foi o caos. A chuva mandou um aviso entre as duas sessoes de treinos livres, mas nao chegou a atrapalhar muito. Uma hora depois, no entanto, o céu desabou. E uma tempestade implacável atingiu a regiao do circuito.

O regulamento da F-1 nao prevê o cancelamento de corridas. Mas fala em adiamentos sucessivos da largada por períodos de dez minutos, quantos forem necessários, até que a situaçao climática permita o início de um GP. E ele pode durar duas voltas, apenas, com o safety-car na pista, apenas para cumprir o que dizem as regras. Nesse caso, nenhum ponto será atribuído aos pilotos. Três voltas já sao o suficiente para dar metade dos pontos para os seis primeiros colocados.

Mas há sempre a possibilidade de reinício da prova, e os organizadores farao tudo que estiver ao seu alcance para realizar a corrida no domingo, enquanto houver luz natural. A única chance de nao haver o GP é a chuva persistir com intensidade até escurecer. Será um caso inédito na história.

Hockenheim é uma pista particularmente perigosa sob chuva. Além de ser uma das mais velozes da F-1, com o carros chegando a 350 km/h nas enormes retas da Floresta Negra, ela tem boa parte de seus 6.825 m cercados de árvores altas. No asfalto molhado, o "spray", aquela cortina d'água levantada pelos pneus dos carros em alta velocidade, sobe e nao se dissipa, ficando encaixotado pela vegetaçao. A visibilidade é nula. Pilotos, em geral, nao ligam muito para o perigo. Mas a julgar pelo medo que demonstraram nesta sexta, também nao têm tendências suicidas.

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