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Candidatos tentam mostrar 'conteúdo' em debate


Do Diário OnLine

29/09/2000 | 01:16


Os candidatos à Prefeitura de Sao Paulo partiram, no último debate antes do primeiro turno, para uma estratégia diferente da adotada no primeiro encontro, marcado por uma troca incessante de acusaçoes. O debate, transmitido pela TV Bandeirantes na noite desta quinta-feira e que reuniu sete candidatos, desta vez foi mais concentrado no esclarecimento das propostas de governo. Os candidatos que estao embolados em segundo lugar nas pesquisas de intençoes de votos -Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Maluf (PPB), Romeu Tuma(PFL-PMDB) e Luiza Erundina (PSB) - travaram uma disputa para mostrar quem tem mais conhecimentos sobre a cidade e experiência administrativa, numa nítida tentativa de arrancar os votos que praticamente garantem a candidata do PT, Marta Suplicy, no segundo turno das eleiçoes.

Na primeira etapa do debate, o mediador, o jornalista José Paulo de Andrade, lançou a pergunta de como os candidatos, se eleitos, pretendem realizar seus projetos de governo dentro das limitaçoes orçamentárias do município, de onde virá o dinheiro para realizá-los e qual a marca que querem deixar de suas gestoes. Todos eles defenderam o combate à corrupçao como um dos principais pontos, e concordaram que a marca que gostariam de deixar seria de um governo voltado à área social, destacando a importância de medidas que melhorem as condiçoes da saúde, educaçao, transporte e segurança. Mais ousado, o candidato Enéas Carneiro (PRONA) prometeu uma "verdadeira revoluçao" na educaçao, afirmando que o dinheiro para o seu projeto "daria de sobra".

Luiza Erundina preocupou-se em demonstrar as diferenças entre ela e Marta Suplicy, ressaltando que um dos principais pontos que a distinguem da candidata petista é a experiência administrativa que teve em sua gestao na Prefeitura de Sao Paulo. Logo na primeira pergunta a Marta, Erundina a questionou sobre a Comissao Normativa de Legislaçao Urbanística (CNLU). Marta respondeu que pretende investir no transporte coletivo, principalmente na ampliaçao da linha do metrô. De acordo com a candidata, faz parte de seus projetos ampliar a linha a 150 quilômetros. Ela criticou as administraçoes de Maluf e Pitta que priorizaram obras viárias em detrimento do transporte público. A candidata do PSB disse entao que Marta nao havia entendido sua pergunta e falou que pretendia revitalizar a CNLU.

Ao questionar José de Abreu (PTN), Erundina voltou a abordar um termo administrativo, questionando-o sobre o que pretendia fazer com as verbas de escalao. O candidato, conhecido pelo slogan "nao vote em doutor, nem em madame", respondeu que desconhecia o que é verba de escalao - verba destinada a escolas.

Ao contrário do último encontro, Paulo Maluf e Luiza Erundina nao voltaram a trocar farpas e concordaram em uma questao: na municipalizaçao o policiamento na cidade para garantir a segurança de forma efetiva. Entre suas propostas, Maluf ressaltou a de combate à violência.

Geraldo Alckmin defendeu a municipalizaçao da saúde, afirmando que pretende administrar Sao Paulo com seus "olhos de médico e de administrador". Em resposta a um jornalista que classificou sua campanha como "discreta" e que procurava esconder a sigla PSDB, nao destacando o apoio do governador Mário Covas e do presidente Fernando Henrique Cardoso, como possível forma de evitar que a imagem negativa do governo influenciasse sua campanha, Alckmin afirmou que preocupou-se em levar suas propostas à populaçao e nao usar a imagem dos governantes. "O presidente da República é chefe de Estado e nao tem que fazer campanha eleitoral. Orgulho-me do cargo de vice-governador de Mário Covas", disse.

Romeu Tuma destacou o combate à corrupçao como um de seus principais projetos, além do combate à violência. Questionado por um jornalista se sua vida pública nao estaria contradizendo suas propostas, uma vez que ele foi o diretor da Polícia Federal no governo Collor e esteve no Dops, além das acusaçoes que o envolvem com o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, Tuma afirmou que isso nunca comprometeu sua moralidade. Ele disse que nunca foi acusado em casos de tortura no Dops e que foi o responsável pela abertura de processos contra o ex-presidente Collor. Tuma também afirmou que seu único envolvimento com o juiz Nicolau foi como diretor da Polícia Federal, cargo que o delegava a funçao de proteger juízes federais.

José de Abreu foi acusado por Tuma e Maluf de "estar a serviço" de algum outro candidato. O pepebista chegou a afirmar que Abreu estava querendo favorecer o PT, com suas "ofensas" aos demais candidatos. O candidato do PTN afirmou que Tuma seria chefe de Lalau (o juiz Nicolau) e fez Maluf se irritar ao perguntar qual era a grande obra do candidato "que rouba, mas faz e do estupra, mas nao mata." Exaltado, o pepebista afirmou que as grandes obras viárias que facilitam o tráfego em Sao Paulo foram feitas em sua gestao como prefeito. "Se nao fosse por essas estradas, nao teríamos nem como chegar a esse debate, ao nao ser de helicóptero", disse.

José Maria Marin (PSC) entrou em conflito com Enéas Carneiro (PRONA) ao questioná-lo sobre seus projetos em relaçao aos esportes. O candidato do PRONA respondeu: "Nao entendo nada de futebol. Quero investir em cérebros de crianças, que como dizia Aristóteles é um livro em branco". Marin descordou de Enéas, dizendo que levar as crianças aos esportes é uma maneira de tirá-las da rua e evitar a criminalidade.

Marcos Cintra (PL) afirmou que as questoes abordadas pelos demais candidatos sobre combate à corrupçao, à violência e investimento na área social sao "obrigaçoes" do prefeito e disse que sua principal preocupaçao é em relaçao às contas da prefeitura. Ele dirigiu críticas à gestao de Erundina, que segundo ele, foi responsável por decréscimo na receita do governo municipal.



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Candidatos tentam mostrar 'conteúdo' em debate

Do Diário OnLine

29/09/2000 | 01:16


Os candidatos à Prefeitura de Sao Paulo partiram, no último debate antes do primeiro turno, para uma estratégia diferente da adotada no primeiro encontro, marcado por uma troca incessante de acusaçoes. O debate, transmitido pela TV Bandeirantes na noite desta quinta-feira e que reuniu sete candidatos, desta vez foi mais concentrado no esclarecimento das propostas de governo. Os candidatos que estao embolados em segundo lugar nas pesquisas de intençoes de votos -Geraldo Alckmin (PSDB), Paulo Maluf (PPB), Romeu Tuma(PFL-PMDB) e Luiza Erundina (PSB) - travaram uma disputa para mostrar quem tem mais conhecimentos sobre a cidade e experiência administrativa, numa nítida tentativa de arrancar os votos que praticamente garantem a candidata do PT, Marta Suplicy, no segundo turno das eleiçoes.

Na primeira etapa do debate, o mediador, o jornalista José Paulo de Andrade, lançou a pergunta de como os candidatos, se eleitos, pretendem realizar seus projetos de governo dentro das limitaçoes orçamentárias do município, de onde virá o dinheiro para realizá-los e qual a marca que querem deixar de suas gestoes. Todos eles defenderam o combate à corrupçao como um dos principais pontos, e concordaram que a marca que gostariam de deixar seria de um governo voltado à área social, destacando a importância de medidas que melhorem as condiçoes da saúde, educaçao, transporte e segurança. Mais ousado, o candidato Enéas Carneiro (PRONA) prometeu uma "verdadeira revoluçao" na educaçao, afirmando que o dinheiro para o seu projeto "daria de sobra".

Luiza Erundina preocupou-se em demonstrar as diferenças entre ela e Marta Suplicy, ressaltando que um dos principais pontos que a distinguem da candidata petista é a experiência administrativa que teve em sua gestao na Prefeitura de Sao Paulo. Logo na primeira pergunta a Marta, Erundina a questionou sobre a Comissao Normativa de Legislaçao Urbanística (CNLU). Marta respondeu que pretende investir no transporte coletivo, principalmente na ampliaçao da linha do metrô. De acordo com a candidata, faz parte de seus projetos ampliar a linha a 150 quilômetros. Ela criticou as administraçoes de Maluf e Pitta que priorizaram obras viárias em detrimento do transporte público. A candidata do PSB disse entao que Marta nao havia entendido sua pergunta e falou que pretendia revitalizar a CNLU.

Ao questionar José de Abreu (PTN), Erundina voltou a abordar um termo administrativo, questionando-o sobre o que pretendia fazer com as verbas de escalao. O candidato, conhecido pelo slogan "nao vote em doutor, nem em madame", respondeu que desconhecia o que é verba de escalao - verba destinada a escolas.

Ao contrário do último encontro, Paulo Maluf e Luiza Erundina nao voltaram a trocar farpas e concordaram em uma questao: na municipalizaçao o policiamento na cidade para garantir a segurança de forma efetiva. Entre suas propostas, Maluf ressaltou a de combate à violência.

Geraldo Alckmin defendeu a municipalizaçao da saúde, afirmando que pretende administrar Sao Paulo com seus "olhos de médico e de administrador". Em resposta a um jornalista que classificou sua campanha como "discreta" e que procurava esconder a sigla PSDB, nao destacando o apoio do governador Mário Covas e do presidente Fernando Henrique Cardoso, como possível forma de evitar que a imagem negativa do governo influenciasse sua campanha, Alckmin afirmou que preocupou-se em levar suas propostas à populaçao e nao usar a imagem dos governantes. "O presidente da República é chefe de Estado e nao tem que fazer campanha eleitoral. Orgulho-me do cargo de vice-governador de Mário Covas", disse.

Romeu Tuma destacou o combate à corrupçao como um de seus principais projetos, além do combate à violência. Questionado por um jornalista se sua vida pública nao estaria contradizendo suas propostas, uma vez que ele foi o diretor da Polícia Federal no governo Collor e esteve no Dops, além das acusaçoes que o envolvem com o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto, Tuma afirmou que isso nunca comprometeu sua moralidade. Ele disse que nunca foi acusado em casos de tortura no Dops e que foi o responsável pela abertura de processos contra o ex-presidente Collor. Tuma também afirmou que seu único envolvimento com o juiz Nicolau foi como diretor da Polícia Federal, cargo que o delegava a funçao de proteger juízes federais.

José de Abreu foi acusado por Tuma e Maluf de "estar a serviço" de algum outro candidato. O pepebista chegou a afirmar que Abreu estava querendo favorecer o PT, com suas "ofensas" aos demais candidatos. O candidato do PTN afirmou que Tuma seria chefe de Lalau (o juiz Nicolau) e fez Maluf se irritar ao perguntar qual era a grande obra do candidato "que rouba, mas faz e do estupra, mas nao mata." Exaltado, o pepebista afirmou que as grandes obras viárias que facilitam o tráfego em Sao Paulo foram feitas em sua gestao como prefeito. "Se nao fosse por essas estradas, nao teríamos nem como chegar a esse debate, ao nao ser de helicóptero", disse.

José Maria Marin (PSC) entrou em conflito com Enéas Carneiro (PRONA) ao questioná-lo sobre seus projetos em relaçao aos esportes. O candidato do PRONA respondeu: "Nao entendo nada de futebol. Quero investir em cérebros de crianças, que como dizia Aristóteles é um livro em branco". Marin descordou de Enéas, dizendo que levar as crianças aos esportes é uma maneira de tirá-las da rua e evitar a criminalidade.

Marcos Cintra (PL) afirmou que as questoes abordadas pelos demais candidatos sobre combate à corrupçao, à violência e investimento na área social sao "obrigaçoes" do prefeito e disse que sua principal preocupaçao é em relaçao às contas da prefeitura. Ele dirigiu críticas à gestao de Erundina, que segundo ele, foi responsável por decréscimo na receita do governo municipal.

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