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Crônica urbana perde Lourenço Diaféria


Melina Dias
Do Diário do Grande ABC

18/09/2008 | 07:00


O jornalista e escritor Lourenço Diaféria morreu na última quarta-feira, aos 75 anos, em sua casa em São Paulo, vítima de problemas cardíacos.

Lourenço Carlos Diaféria nasceu no Brás no dia 28 de agosto de 1934, filho de pai italiano e mãe portuguesa. A vida suburbana e seus personagens alimentaram as crônicas que ele escreveu para a Folha da Manhã (hoje Folha de S.Paulo), Jornal da Tarde e para o Diário, além das rádios Excelsior, Gazeta, Record, Bandeirantes e TV Globo.

Sua estréia como cronista nas páginas do Diário foi em 1988. A partir de uma reportagem sobre a restrição do comércio ao fiado, ele escreveu a crônica In Memória do Extinto. Em um trecho, fica nítida a marca de Diaféria - dosar crítica e humor para "dar bom dia a quem não se conhece", assim definia seu ofício de cronista:

"No dia seguinte o jornal da cidade deu na primeira página, com destaque: O Fiado Morreu! No gabinete médico-legal nem foi preciso fazer autópsia. Só pela aparência externa do defunto dava para perceber que ele havia morrido de um ataque fulminante de inflação. Além disso foi encontrado, no bolso traseiro das calças puídas, uma caderneta cheia de anotações de pequenas dívidas a saldar. Uma caderneta antiga: a pinga ainda custava 1 cruzeiro a dose. Ninguém ficou sabendo por que o Fiado andava com aquilo no bolso. Foi enterrada com ele, em homenagem ao extinto."

A presença agradável e o bom humor renderam muitos amigos a Lourenço Diaféria, além de leitores admiradores. "Tenho lembranças bacanas de quando ele me levava às redações. Era um clima efervescente de muita troca entre as pessoas. Eu gostava muito", lembra Cláudio Diaféria, 42 anos, um dos cinco filhos de Lourenço Diaféria.

Ele acrescenta que, apesar de ter diminuído o ritmo nos últimos meses, o pai trabalhava na continuidade da reedição de seus livros. No início do ano, uma seleção de suas crônicas foi lançada pela editora Boitempo, Mesmo a Noite Sem Luar Tem Lua, um retrato do mundo político e do cotidiano paulistano dos anos 1970. Textos em que Diaféria tratou tanto de problemas prosaicos (uma cobradora de ônibus ajudar uma mãe a trocar a roupa de seu bebê) como revelou sua insatisfação com as injustiças (escreveu uma carta a um general avisando que algo cheirava mal nos porões da ditadura militar).

Entre as crônicas do livro, uma ganhou destaque por ter resultado em sua prisão, em 1977 (leia texto ao lado). O jornalista seria enterrado na tarde de ontem no cemitério Getsêmani, no Morumbi, em São Paulo.



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Crônica urbana perde Lourenço Diaféria

Melina Dias
Do Diário do Grande ABC

18/09/2008 | 07:00


O jornalista e escritor Lourenço Diaféria morreu na última quarta-feira, aos 75 anos, em sua casa em São Paulo, vítima de problemas cardíacos.

Lourenço Carlos Diaféria nasceu no Brás no dia 28 de agosto de 1934, filho de pai italiano e mãe portuguesa. A vida suburbana e seus personagens alimentaram as crônicas que ele escreveu para a Folha da Manhã (hoje Folha de S.Paulo), Jornal da Tarde e para o Diário, além das rádios Excelsior, Gazeta, Record, Bandeirantes e TV Globo.

Sua estréia como cronista nas páginas do Diário foi em 1988. A partir de uma reportagem sobre a restrição do comércio ao fiado, ele escreveu a crônica In Memória do Extinto. Em um trecho, fica nítida a marca de Diaféria - dosar crítica e humor para "dar bom dia a quem não se conhece", assim definia seu ofício de cronista:

"No dia seguinte o jornal da cidade deu na primeira página, com destaque: O Fiado Morreu! No gabinete médico-legal nem foi preciso fazer autópsia. Só pela aparência externa do defunto dava para perceber que ele havia morrido de um ataque fulminante de inflação. Além disso foi encontrado, no bolso traseiro das calças puídas, uma caderneta cheia de anotações de pequenas dívidas a saldar. Uma caderneta antiga: a pinga ainda custava 1 cruzeiro a dose. Ninguém ficou sabendo por que o Fiado andava com aquilo no bolso. Foi enterrada com ele, em homenagem ao extinto."

A presença agradável e o bom humor renderam muitos amigos a Lourenço Diaféria, além de leitores admiradores. "Tenho lembranças bacanas de quando ele me levava às redações. Era um clima efervescente de muita troca entre as pessoas. Eu gostava muito", lembra Cláudio Diaféria, 42 anos, um dos cinco filhos de Lourenço Diaféria.

Ele acrescenta que, apesar de ter diminuído o ritmo nos últimos meses, o pai trabalhava na continuidade da reedição de seus livros. No início do ano, uma seleção de suas crônicas foi lançada pela editora Boitempo, Mesmo a Noite Sem Luar Tem Lua, um retrato do mundo político e do cotidiano paulistano dos anos 1970. Textos em que Diaféria tratou tanto de problemas prosaicos (uma cobradora de ônibus ajudar uma mãe a trocar a roupa de seu bebê) como revelou sua insatisfação com as injustiças (escreveu uma carta a um general avisando que algo cheirava mal nos porões da ditadura militar).

Entre as crônicas do livro, uma ganhou destaque por ter resultado em sua prisão, em 1977 (leia texto ao lado). O jornalista seria enterrado na tarde de ontem no cemitério Getsêmani, no Morumbi, em São Paulo.

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