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Às margens da Billings, 80% das crianças sofrem com parasitoses

Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra

População do Taquacetuba sofre de doenças causadas pela poluição da água, aponta estudo


Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

29/09/2019 | 07:00


Análise da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva e do Laboratório de Análise Ambiental, ambos da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), indica que 80% das crianças que vivem no bairro Taquacetuba, às margens da Represa Billings no pós-Balsa, em São Bernardo, possuem mais de duas enteroparasitoses, ou seja, parasitas envolvidos em doenças que afetam o sistema digestivo. Exemplos são tênia, conhecida como solitária, e ascaris lumbricoides, chamada de lombriga.

Foram examinadas 70 crianças entre 1 e 12 anos. A pesquisa foi realizada por meio do Águas que Curam: Um Novo Olhar Sobre o Reservatório Billings, projeto complementar à iniciativa IPH (Índice de Poluentes Hídricos), que faz visitas mensais à comunidade onde vivem aproximadamente 1.500 famílias. O grupo é composto por 20 voluntários, médico convidado e docente da universidade.

Carla Rafaela Donegá, presidente e fundadora da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva e estudante do quinto ano de Medicina da USCS, explica que a transmissão ocorre via fecal-oral. “Isso significa que as crianças tiveram contato com água contaminada com fezes que continham algum desses parasitas e acabaram levando a mão à boca e, assim, o ciclo de transmissão se repete.”

Em sinergia, Marta Marcondes, bióloga, professora de gestão ambiental e coordenadora do projeto da USCS, destaca que a poluição da Billings está diretamente ligada ao desenvolvimento de verminoses e doenças de pele. “Estamos relacionando qualidade ambiental e de saúde por meio de atendimento mais direcionado e próximo à comunidade”, afirma.

Outra demanda da população local, observada pela equipe de voluntários que compõem o projeto, é a falta de assistência psiquiátrica. “Em alguns casos, a pessoa chega com uma dor de estômago mas, na verdade, é por causa de estresse, pois a mente e o corpo são inseparáveis”, assinala Ricardo Jonathan Feldman, psiquiatra voluntário há dois anos. “Os moradores, na maioria dos casos, não estão condicionados a pensar nos cuidados da saúde mental”, completa Carla.

Durante a última visita, efetuada neste mês, os profissionais identificaram um surto de escabiose, que atinge pelo menos dez pessoas. “É difícil descobrir como começou, mas a sarna é um protozoário que também está relacionado ao ambiente, neste caso, à condição de higiene local, como sistema de esgoto inadequado e acúmulo de lixo”, esclarece a presidente da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva.

PROJETO
Criado em 2016, o projeto Águas que Curam: Um Novo Olhar Sobre o Reservatório Billings atende, em média, 30 pessoas por visita, cuja frequência é mensal. Segundo Marta, a ideia não é substituir as unidades de saúde, mas complementar os serviços aos quais a população tem acesso.

A docente destaca que o diferencial é a proximidade criada com a população. “O vínculo torna qualquer orientação, seja de hábitos alimentares ou de como tomar uma medicação, mais eficaz, porque há confiança entre o profissional e o paciente, que também não tem receio de tirar suas dúvidas”, observa. Ainda que a equipe indique tratamento para algumas condições, há casos em que o paciente é encaminhado para uma unidade de saúde para diagnóstico preciso ou para a realização de tratamento com acompanhamento.
Além da saúde física, a equipe presta assistência à saúde mental, como depressão e ansiedade, e a doenças crônicas, a exemplo de hipertensão e obesidade.

Iniciativa aprimora atenção à saúde

Daniela Santana Costa, 33 anos, desempregada, participa do Águas que Curam: Um Novo Olhar Sobre o Reservatório Billings desde o início. A filha, atualmente com 13, teve a primeira menstruação, que durou quase um ano. “No posto de saúde disseram que era normal mas, no atendimento do pessoal (do projeto), eles informaram que isso pode ser natural ou pode indicar algum problema, então me deram o encaminhamento para uma consulta mais detalhada.”

Carla Rafaela Donegá, presidente da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva da USCS, defende que, atualmente, o mote é melhorar a qualidade de vida da população. “Algumas pessoas sorriem e se sentem melhor apenas porque tem alguém ouvindo seus problemas e dando atenção à sua situação”, explica. “Como somos interdisciplinares, um nutricionista dá dicas de hábitos alimentares, um fisioterapeuta pode informar sobre como melhorar a postura, e assim por diante.”

A dona de casa Anunciada Maria de Lima Trevejo, 46, conta que ela, o marido e o irmão conheceram a iniciativa no ano passado. “Tenho alguns problemas, como osteoporose e na tiroide, e já passava nos médicos, porém, melhorei muito depois que comecei a ser atendida por eles”, conta. “Mudei minha alimentação e comecei a caminhar após orientação deles.”

Além disso, a residente do Taquacetuba relata que o marido é obeso e perdeu dez quilos após mudar hábitos alimentares por indicação de um profissional da nutrição. “Ele chegou a pesar 138 quilos e só não perdeu mais (peso) porque ele é caminhoneiro, então nem sempre consegue manter a alimentação regrada.”

Exames laboratoriais são realizados no Laboratório de Análises Clínicas da USCS. Os pacientes recebem os resultados no mês seguinte, quando os voluntários analisam o quadro individualmente. A Farmácia-Escola da universidade manipula medicamentos e entrega a quem precisa. 



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Às margens da Billings, 80% das crianças sofrem com parasitoses

População do Taquacetuba sofre de doenças causadas pela poluição da água, aponta estudo

Flavia Kurotori
Do Diário do Grande ABC

29/09/2019 | 07:00


Análise da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva e do Laboratório de Análise Ambiental, ambos da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), indica que 80% das crianças que vivem no bairro Taquacetuba, às margens da Represa Billings no pós-Balsa, em São Bernardo, possuem mais de duas enteroparasitoses, ou seja, parasitas envolvidos em doenças que afetam o sistema digestivo. Exemplos são tênia, conhecida como solitária, e ascaris lumbricoides, chamada de lombriga.

Foram examinadas 70 crianças entre 1 e 12 anos. A pesquisa foi realizada por meio do Águas que Curam: Um Novo Olhar Sobre o Reservatório Billings, projeto complementar à iniciativa IPH (Índice de Poluentes Hídricos), que faz visitas mensais à comunidade onde vivem aproximadamente 1.500 famílias. O grupo é composto por 20 voluntários, médico convidado e docente da universidade.

Carla Rafaela Donegá, presidente e fundadora da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva e estudante do quinto ano de Medicina da USCS, explica que a transmissão ocorre via fecal-oral. “Isso significa que as crianças tiveram contato com água contaminada com fezes que continham algum desses parasitas e acabaram levando a mão à boca e, assim, o ciclo de transmissão se repete.”

Em sinergia, Marta Marcondes, bióloga, professora de gestão ambiental e coordenadora do projeto da USCS, destaca que a poluição da Billings está diretamente ligada ao desenvolvimento de verminoses e doenças de pele. “Estamos relacionando qualidade ambiental e de saúde por meio de atendimento mais direcionado e próximo à comunidade”, afirma.

Outra demanda da população local, observada pela equipe de voluntários que compõem o projeto, é a falta de assistência psiquiátrica. “Em alguns casos, a pessoa chega com uma dor de estômago mas, na verdade, é por causa de estresse, pois a mente e o corpo são inseparáveis”, assinala Ricardo Jonathan Feldman, psiquiatra voluntário há dois anos. “Os moradores, na maioria dos casos, não estão condicionados a pensar nos cuidados da saúde mental”, completa Carla.

Durante a última visita, efetuada neste mês, os profissionais identificaram um surto de escabiose, que atinge pelo menos dez pessoas. “É difícil descobrir como começou, mas a sarna é um protozoário que também está relacionado ao ambiente, neste caso, à condição de higiene local, como sistema de esgoto inadequado e acúmulo de lixo”, esclarece a presidente da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva.

PROJETO
Criado em 2016, o projeto Águas que Curam: Um Novo Olhar Sobre o Reservatório Billings atende, em média, 30 pessoas por visita, cuja frequência é mensal. Segundo Marta, a ideia não é substituir as unidades de saúde, mas complementar os serviços aos quais a população tem acesso.

A docente destaca que o diferencial é a proximidade criada com a população. “O vínculo torna qualquer orientação, seja de hábitos alimentares ou de como tomar uma medicação, mais eficaz, porque há confiança entre o profissional e o paciente, que também não tem receio de tirar suas dúvidas”, observa. Ainda que a equipe indique tratamento para algumas condições, há casos em que o paciente é encaminhado para uma unidade de saúde para diagnóstico preciso ou para a realização de tratamento com acompanhamento.
Além da saúde física, a equipe presta assistência à saúde mental, como depressão e ansiedade, e a doenças crônicas, a exemplo de hipertensão e obesidade.

Iniciativa aprimora atenção à saúde

Daniela Santana Costa, 33 anos, desempregada, participa do Águas que Curam: Um Novo Olhar Sobre o Reservatório Billings desde o início. A filha, atualmente com 13, teve a primeira menstruação, que durou quase um ano. “No posto de saúde disseram que era normal mas, no atendimento do pessoal (do projeto), eles informaram que isso pode ser natural ou pode indicar algum problema, então me deram o encaminhamento para uma consulta mais detalhada.”

Carla Rafaela Donegá, presidente da Liga Interdisciplinar de Saúde Coletiva da USCS, defende que, atualmente, o mote é melhorar a qualidade de vida da população. “Algumas pessoas sorriem e se sentem melhor apenas porque tem alguém ouvindo seus problemas e dando atenção à sua situação”, explica. “Como somos interdisciplinares, um nutricionista dá dicas de hábitos alimentares, um fisioterapeuta pode informar sobre como melhorar a postura, e assim por diante.”

A dona de casa Anunciada Maria de Lima Trevejo, 46, conta que ela, o marido e o irmão conheceram a iniciativa no ano passado. “Tenho alguns problemas, como osteoporose e na tiroide, e já passava nos médicos, porém, melhorei muito depois que comecei a ser atendida por eles”, conta. “Mudei minha alimentação e comecei a caminhar após orientação deles.”

Além disso, a residente do Taquacetuba relata que o marido é obeso e perdeu dez quilos após mudar hábitos alimentares por indicação de um profissional da nutrição. “Ele chegou a pesar 138 quilos e só não perdeu mais (peso) porque ele é caminhoneiro, então nem sempre consegue manter a alimentação regrada.”

Exames laboratoriais são realizados no Laboratório de Análises Clínicas da USCS. Os pacientes recebem os resultados no mês seguinte, quando os voluntários analisam o quadro individualmente. A Farmácia-Escola da universidade manipula medicamentos e entrega a quem precisa. 

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